Começou em maio, vai continuar em agosto, promete ficar na história do clube como um ano de mudança de paradigma. Quando apresentou Francesco Farioli como sucessor de Martín Anselmi (que ainda não assinou a rescisão de contrato com os dragões), André Villas-Boas, presidente do FC Porto, fez mais do que garantir ao italiano que teria todas as condições para alterar o rumo recente do futebol dos azuis e brancos. “Podemos estar a falar do maior mercado da história do clube”, atirou. A teoria continua a passar à prática e, no dia em que Alberto Costa foi confirmando como sexto reforço da época, o investimento já atingiu os 98,1 milhões.

Um negócio lateral que nasceu entre as conversas por Chico: Alberto Costa no FC Porto, João Mário na Juventus (e três milhões para Turim)

“A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD (“FC Porto”) vem informar o mercado, os seus associados, adeptos e simpatizantes, bem como o público em geral, que chegou a um acordo com a Juventus para a aquisição, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva e 100% dos direitos económicos do jogador profissional de futebol Alberto Costa, pelo valor fixo de 15M€ (quinze milhões de euros), acrescido de uma remuneração variável máxima de 1M€ (um milhão de euros) em função do cumprimento de certos objetivos. A Juventus irá reter o valor correspondente a 10% das mais valias de uma potencial futura transferência do jogador”, confirmou esta quinta-feira a SAD dos dragões num comunicado que foi enviado à CMVM.

“Mais se informa que o FC Porto celebrou com o jogador um contrato válido por cinco épocas desportivas, ou seja, até 30 de junho de 2030, tendo acordado uma cláusula de rescisão no montante de 65M€ (sessenta e cinco milhões de euros). A Juventus assumirá a responsabilidade com o mecanismo de solidariedade devida a terceiros e o FC Porto declara que terá encargos com serviços de intermediação de 10% do montante da transação”, acrescentou ainda a missiva dos dragões à entidade que regula o mercado.

“É um enorme orgulho e um sentimento de concretização. Tenho a certeza de que daqui a uns anos vou sentir-me realizado por estar aqui agora. Era um sonho de criança, cresci a ver o FC Porto, a minha família é toda do FC Porto e sinto-me realizado. Daqui a uns anos vou lembrar-me deste momento e tenho a certeza de que foi a melhor decisão. Sinceramente, isto parece-me tudo muito familiar, pois quando era pequeno vinha aqui. É impossível não referir que estive 11 anos no Vitória [de Guimarães], faço parte da família, mas o FC Porto é o clube que aprendi a gostar desde pequenino, por isso agora estou no meu clube do coração. É um sonho”, comentou o novo lateral direito do FC Porto em declarações aos meios do clube.

“A passagem por Turim fez-me crescer pois nunca tinha saído de casa ou da minha zona de conforto. Fez-me evoluir em vários aspetos e agora venho para aqui mais homem. O futebol italiano é um pouco diferente, há muita marcação homem a homem, há mais trabalho físico. Fisicamente, sinto-me melhor preparado em alguns aspetos. Foi uma boa experiência mas agora vou estar num palco maior e sinto-me preparado para tudo. Expetativas? As mesmas de quando era apenas um simples adepto, é para entrar em todos os jogos para ganhar e para conquistar o máximo de títulos possível. O lado direito da defesa tem muita história, sei que é uma posição que exige uma enorme responsabilidade mas tenho a certeza de que estou preparado. Tive a oportunidade de conhecer o Danilo e o Alex Sandro. Sou um jogador que adora defender e atacar, que adora fazer o corredor todo. Gosto de ir para cima dos adversários e a defender dá-me prazer roubar a bola ao meu opositor. Se puder fazer golos e assistências, ainda melhor”, completou.

Em paralelo, entre uma despedida sentida de um jogador que fez toda a carreira no FC Porto depois de ter começado na Sanjoanense, a SAD confirmou a venda de João Mário à Juventus. “O FC Porto chegou a acordo com a Juventus para a cedência, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva e 100% dos direitos económicos de João Mário pelo valor total de 12 milhões de euros, correspondendo a uma remuneração fixa no mesmo montante. Este acordo prevê 10% de uma mais-valia futura na venda dos direitos de inscrição desportiva do jogador. O FC Porto assumirá a responsabilidade com o mecanismo de solidariedade devida a terceiros e declara que terá encargos com serviços de intermediação de 5% do montante da transação”, frisou.

“O atleta de 25 anos começou a vestir de azul e branco com apenas oito, venceu títulos europeus e nacionais de juniores, um Dragão de Ouro e conquistou dois campeonatos, quatro Taças de Portugal, três Supertaças e uma Taça da Liga nos 181 jogos realizados pela equipa principal, ao serviço da qual assinou cinco golos e 26 assistências. Confirmada a partida de João Mário rumo a Itália, o FC Porto agradece-lhe toda a dedicação demonstrada ao longo das últimas 16 temporadas e deseja-lhe as maiores felicidades para esta nova etapa na carreira”, acrescentou ainda o mesmo texto sobre a despedida do lateral direito.

Assim, e olhando para o mercado dos azuis e brancos, houve já um investimento superior a 90 milhões de euros, entre as chegadas de Gabri Veiga (15 milhões), João Costa, Dominik Prpic (4,5 milhões), Borja Sainz (13,3 milhões), Victor Froholdt (20 milhões) e Alberto Costa (15 milhões), a que se juntam ainda a compra de 90% do passe de Nehuén Pérez (13,3 milhões) e de 50% de Samu em duas partes (cinco milhões primeiro, 12 milhões depois) num total global de 98,1 milhões. Em contrapartida, e depois dos mais de 100 milhões feitos em janeiro com as saídas de Galeno e Nico González, o FC Porto já arrecadou mais 71 milhões de euros com as vendas de Francisco Conceição (42 milhões), Otávio (17 milhões), João Mário (12 milhões) e Gonçalo Borges (dez milhões). Num e noutro prato da balança, a fasquia dos 100 milhões ainda deverá ser atingida neste verão, num plantel remodelado também à medida do novo treinador, Francesco Farioli.

[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]