Demorou, mas Bruno Lage lá apareceu. Ao contrário do que é habitual, a Supertaça contou com uma espécie de flash-interview antes da partida, mas nenhum elemento do Benfica compareceu junto dos jornalistas das estações televisivas detentoras dos direitos de transmissão. Já depois do jogo, alguns jogadores encarnados falaram aos jornalistas, sem sinais do treinador. Só quase uma hora depois do desafio é que o técnico de 49 anos compareceu na zona de entrevistas rápidas, numa situação que deverá custar mais uns euros aos cofres encarnados, por conta do atraso.

Foi preciso um Río(s) para atravessar o deserto de ideias (a crónica da final da Supertaça entre Sporting e Benfica)

Quanto ao jogo propriamente dito, Bruno Lage não teve receio de lançar três reforços na sua equipa, mesmo depois de ter atravessado a pré-temporada mais curta da história do clube, com apenas duas semanas de trabalho. De uma forma ou de outra, Amar Dedic, Enzo Barrenechea e Richard Ríos corresponderam à aposta. O jogo voltou a ser de emoções fortes para o treinador, que esteve quase sempre impaciente e inquieto. No final, Lage conquistou a Supertaça pela segunda vez, e novamente frente ao Sporting, e chegou aos quatro troféus no comando técnico das águias: duas Supertaças, um Campeonato e uma Taça da Liga.

“É um troféu que vencemos, era a nossa ambição. Agora é preparar o que aí vem. Mas hoje vencemos o adversário contra o tempo. Foi uma primeira parte equilibrada. Notou-se alguma falta de entrosamento. É normal, estão-se a conhecer os jogadores. Foi uma vitória contra o tempo e agora temos de nos focar na Liga dos Campeões. Ao intervalo pedi que estivéssemos mais próximos para ter mais qualidade. Estávamos mais afastados nas combinações e corrigimos ao intervalo. Entrámos fortes na segunda parte e acho que fomos justos vencedores. Posicionamento de Pavlidis? Não é lacuna nenhuma, é uma questão estratégica. Quisemos tirar homens da falsa linha de cinco. Mercado? Não vale a pena falar de ses. Temos ainda um longo mês de trabalho pela frente. Importante é realçar o trabalho fantástico dos jogadores, o apoio total dos adeptos. Fazer um jogo assim em 15 dias…”, disse Lage à RTP, numa flash-interview que abandonou antes da última pergunta.

“Era um troféu que queríamos vencer. Após 15 dias, a equipa conseguiu fazer bom jogo. A primeira parte foi equilibrada, conseguimos ter bola, mas em alguns momentos podíamos ter mais ligações. Isso é reflexo da falta de treino. Houve jogadores que chegaram recentemente, um deles chegou e já comemorou com os colegas. Na segunda parte entrámos muito fortes, pois falámos e corrigimos. Pedi para estarmos mais próximos da bola, ter mais posse. E sinto que somos justos vencedores. Rui Borges? Cada um tem a sua opinião. Na final da Taça, que ganhou, também disse que tinha sido melhor. Hoje perdeu e também foi. Para mim basta olhar para a minha equipa. É trabalhar e crescer. Vencemos este título e agora temos de estar com olhos na Champions, porque esta equipa e clube quer estar na Champions”, começou por dizer, depois, à SportTV.

Questionado sobre o que disse no balneário, o treinador disse que foi “mérito” dos jogadores. “Podemos planear, ter ideia de treinar nestas semanas, mas é total mérito deles, pela capacidade e vontade de quererem jogar este jogo. Ivanovic com Pavlidis? É uma boa pergunta, depende deles. Quero perceber isso. O Ivanovic pode jogar ao lado, atrás e à frente. Tem potencial e era há muito desejado. Chegou, ainda não treinou e a primeira coisa que fez foi tirar foto com os colegas e um troféu”, completou, antes de ser questionado sobre João Félix e remeter a resposta para mais tarde.

[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]