O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), José Manuel Oliveira, defendeu, esta quinta-feira, uma investigação à empresa que realizava a manutenção ao Elevador da Glória: a MNTC – Serviços Técnicos de Engenharia. O dirigente sindical destacou que é pertinente que “se verifique” se as obrigações contratuais de manutenção “estavam a ser cumpridas e como estavam a ser cumpridas”.

Em declarações ao Observador, José Manuel Oliveira confirmou também que teve conhecimento de “algumas opiniões e informações de que terá existido, ao longo dos tempos, relatos de trabalhadores no sentido de alertar para algumas anomalias” no Elevador da Glória.

O dirigente sindical esclareceu, contudo, que as anomalias não significam diretamente que “tenha havido problemas com a manutenção”. “Há situações em que o trabalhador diz que não consegue frenar o veículo no sítio onde deve, vai um pouco mais para a frente, etc. Coisas assim do género, de sentirem que há ali alguma elasticidade, de sentirem dificuldades com a fazer uma manobra”, especificou José Manuel Oliveira.

“Como me disse hoje um guarda-freio que também trabalha nos elevadores, tem de se trabalhar neste tipo de equipamentos como se estivéssemos a lidar com ovos”, afirmou o presidente do sindicato. Tendo em conta a sensibilidade dos elevadores, os trabalhadores sentem “facilmente algumas anomalias” a operar os veículos.

Por causa disso, defendeu o dirigente sindical, é “importante procurar ouvir-se os trabalhadores” para evitar que este incidente se repita no futuro e para o apuramento das causas.

Trabalhadores da Carris queixavam-se de “falta de tensão do cabo de sustentação do elevador” e criticam manutenção em empresa privada

Por sua vez, ao Observador, esta quarta-feira, Manuel Leal, um dirigente sindical da Fectrans e do STRUP, assegurou que havia queixas relativamente ao funcionamento do elevador em causa. “Havia sistematicamente queixas e reportes da falta de tensão do cabo de sustentação deste elevador que ia provocando dificuldades no próprio sistema de travagem”, explicou, frisando que, para os trabalhadores, “esta situação não é nova”.

Sindicato defende que “manutenção deve ser absorvida toda pela Carris”

Para José Manuel Oliveira é claro que toda a manutenção deve ser “toda absorvida pela Carris”. Ainda assim, o dirigente sindical ressalvou que isso não quer dizer que o trabalho da empresa externa se “tenha repercutido negativamente na qualidade”. “Mas não deixa de ser interessante também fazer essa análise, se se repercutiu ou não”, sugeriu, apontando “uma coincidência”.

“Se fizermos uma pesquisa relativamente aos acidentes que houve nos elevadores de Lisboa aparecem duas situações: 2018 e 2025, no elevador da Glória. Isto, por coincidência, já é no período que, até de acordo com as palavras do presidente da Carris, o serviço foi externalizado”. Nas declarações à imprensa após o acidente, o presidente da Carris, Pedro Bogas, revelou que os serviços de manutenção passaram a ser assegurados MNTC/Main em 2019.

Reiterando que o acidente não tem de ser uma “consequência direta” desta decisão, José Manuel Oliveira vincou que deveria ser “feito uma avaliação”. “É nessas questões que é preciso apurar as causas, é preciso apurar responsabilidades e é preciso aprender com esta situação, de modo que no futuro o serviço seja seguro”.

Trabalhadores da Carris queixavam-se de “falta de tensão do cabo de sustentação do elevador” e criticam manutenção em empresa privada

Em conferência de imprensa esta quinta-feira, o presidente da Carris, Pedro Bogas, assegurou que “as inspeções periódicas mantiveram-se sem qualquer falha”.  “Do nosso lado, Carris, avaliámos e parece-nos que foram bem efetuadas”, disse, sublinhando que a empresa tem vindo a “aumentar” o “investimento na manutenção”, tanto nos autocarros como nos elétricos.