Os trabalhadores da Carris que conduziam o Elevador da Glória, que descarrilou após um cabo partido e provocou 15 mortes e 18 feridos, cinco em estado grave, já tinham reportado a “falta de tensão do cabo de sustentação do elevador”, o que provocava “dificuldade no próprio sistema de travagem”.

Manuel Leal, dirigente sindical da Fectrans e do STRUP, assegura ao Observador que havia queixas relativamente ao funcionamento do elevador em causa, desconhecendo se o Conselho de Administração tomou ou não medidas. “Havia sistematicamente queixas e reportes da falta de tensão do cabo de sustentação deste elevador que ia provocando dificuldades no próprio sistema de travagem”, explica, frisando que, para os trabalhadores, “esta situação não é nova”.

Ainda que não tire conclusões precipitadas do acidente, por não saber o que levou ao mesmo, o dirigente da Fectrans explica que “o certo é que as queixas dos trabalhadores quanto ao nível de tensão deste cabo, que lhes provocava dificuldades no sistema de travagem, já existiam”.

Mais do que isso, o dirigente diz não ter conhecimento dos termos do contrato de manutenção que foi estabelecido com a empresa privada que é responsável pela manutenção periódica destes elevadores, mas critica essa decisão — como a Fectrans já havia feito no passado —, frisando que este acidente deve levar o Conselho de Administração a “recuar na entrega da manutenção a empresas privadas e fazer com que a manutenção destes elevadores volte [a ser] assegurada inteiramente, com níveis grandes de qualidade, pelos próprios trabalhadores oficinais da Carris”.

A Carris, em comunicado, já garantiu que foram “realizados e respeitados todos os protocolos de manutenção”. A empresa explica que a manutenção geral, “que ocorre a cada quatro anos”, aconteceu em 2022, e que a “reparação intercalar” deve ser concretizada de dois em dois anos, “tendo neste caso a última sido realizada em 2024”. “Têm sido escrupulosamente cumpridos os programas de manutenção mensal, semanal e a inspeção diária”, assegura o comunicado.

Elevador da Glória em Lisboa descarrilou após cabo partir-se. Há pelo menos 20 feridos e mortos confirmados