Morreu na noite da passada quinta-feira, 5 de setembro, aos 92 anos, a duquesa de Kent, Katharine, mulher do príncipe Edward, o duque de Kent, primo da Rainha Isabel II. A morte foi confirmada pelo Palácio de Buckingham através de um comunicado. “Morreu na noite passada de forma pacífica no Palácio de Kensington, cercada pela família”. A duquesa era a pessoa mais velha da família real britânica, depois da morte de Isabel II em 2022 — e foi também a primeira a converter-se ao catolicismo em mais de 300 anos.
“O Rei, a Rainha e os membros da família real juntam-se ao duque de Kent, os seus filhos e netos, no luto, e recordamos com carinho a sua vida longa e devota a todas as organizações às quais se associou, a sua paixão pela música e empatia pelos jovens”, diz ainda a publicação. Esta sexta-feira a bandeira do Palácio de Buckingham está a meia-haste.
Katharine Worsley, membro de uma família da aristocracia britânica em Yorkshire, tornou-se duquesa depois do casamento com o príncipe Edward, neto do então Rei George V, em 1961. A celebração não foi nas tradicionais Westminster Abbey ou St. Paul’s Cathedral, mas em York Minster, um local que na altura não recebia casamentos desde 1328. A princesa Ana foi uma das madrinhas do casamento, enquanto Isabel II e o príncipe Carlos também participaram na cerimónia. O casal teve três filhos, George Windsor, Lady Helen Taylor e Lord Nicholas Windsor.
A duquesa é também a primeira pessoa da realeza britânica a converter-se ao catolicismo desde 1685 — fê-lo no começo dos anos 90, pelo que o seu funeral seguirá os ritos católicos. De acordo com a BBC, a duquesa converteu-se depois de “uma decisão pessoal ponderada por um longo período”. “Gosto muito de instruções, e a Igreja Católica oferece instruções. Sempre quis isto na minha vida. Gosto de saber o que esperam de mim. Gosto de ser orientada: deves ir à igreja todos os domingos e se não for terás problemas”. A atitude foi histórica, já que uma regra de 1701 definia que qualquer membro da realeza que se casasse com uma pessoa católica seria retirado da linha de sucessão. Entretanto, como os duques de Kent já estavam casados quando decorreu a conversão, a lei não se aplicou neste caso. A decisão também foi discutida previamente com a Rainha Isabel II, que aprovou a mudança. Katharine foi recebida na Igreja Católica pelo arcebispo de Westminster, o cardeal Basil Hume. Também envolveu-se como voluntária numa instituição de caridade para pessoas sem abrigo que o cardeal ajudou a fundar e que hoje é apoiada pelo príncipe William.
A duquesa ficou ainda conhecida por entregar os troféus aos vencedores do torneio de Wimbledon — e também por consolar os jogadores que perdiam, como foi o caso de Jana Novotna, que foi às lágrimas em 1993, depois do desaire frente a Steffi Graf. Katharine curvou-se e deu o ombro para que a jogadora checa de 25 anos pudesse chorar. “É natural não é? É o que se faz quando as pessoas choram”, disse na altura. As aparições em Wimbledon rendiam também muitos comentários sobre o seu estilo elegante e fashionista. No dia do próprio casamento, Katharine foi fotografada a usar uma mini saia, um dos artigos tendência da década de 1960.
Katharine era o elemento mais velho da família real britânica, depois da morte da Rainha Isabel II em 2022. Entretanto, a duquesa não era membro sénior da realeza desde 2002, pelo que esteve os últimos anos afastada dos olhos do público. Na altura escreveu à Rainha Isabel II para abdicar formalmente do título de Sua Alteza Real, que recebeu ao casar-se com o duque de Kent. Desde então, pedia para que fosse chamada Katharine Kent — contudo o seu nome oficial permaneceu inalterado.