O céu ficou carregado e uma chuva torrencial e repentina encharcou as comemorações do 45.º aniversário da independência de Antígua e Barbuda, no passado domingo. “Onde está o chapéu de chuva?”, questiona, imediatamente, Carlos III. Num fato creme, ao lado de Camila, que usa um vestido branco, vira-se para trás e gesticula, repetindo a frase. A Rainha rapidamente recebe um chapéu transparente e é retirada do palanque, enquanto o monarca permanece à chuva. Passa a mão na cabeça, vê a mulher sair e desce também do palco, a levantar os braços. “Where is the umbrella?”, repete sem parar.
King Charles in the rain at Barbuda Independence.???????? pic.twitter.com/Gg56MwUaVJ
— Ethan (@OJ_Ethann) November 1, 2026
Um chapéu acabou por ser encontrado e entregue a Carlos III pelo major Ben Rigby, o seu ajudante de ordens. A demora, de acordo com o Telegraph, deu-se por causa do costume do país de exigir que todos permaneçam imóveis durante o hino nacional. Mesmo assim, os cinco minutos de chuva foram suficientes para deixar o chefe da Commonwealth numa situação caricata.
Mais tarde, encharcado pelos poucos minutos debaixo de água, brincou com a situação. “Comecei a cultivar agrião nas minhas calças”, riu-se o monarca. O bom humor (e talvez a água fria) é bem-vindo para aliviar dias de tensão. Horas antes, o primeiro-ministro do país havia voltado a reforçar a necessidade de o Reino Unido reconhecer e compensar os países das Caraíbas pela escravatura — e assumir que gostaria de remover o Rei do cargo de chefe de Estado.
▲ Carlos III inspeciona as tropas, já protegido pelo seu chapéu de chuva
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Gaston Browne deu uma entrevista à ITV News, depois de acompanhar Carlos e Camila numa celebração religiosa no passado domingo, e afirmou-se “um republicano”. “Portanto, se me perguntassem sobre a minha opinião pessoal, gostaria de ver Antígua e Barbuda tornar-se uma república”, disse o primeiro-ministro, apesar de destacar que aceita o atual regime. “Sirvo o Rei e ele continuará a desfrutar — sabe como é — de todas as cortesias e do respeito que cabem ao nosso Rei”.
Browne também reforçou a sua visão sobre o pedido de uma compensação financeira pela escravatura. “Compreendo a conjuntura política no Reino Unido, na qual lhe pode ser difícil concordar com qualquer forma de reparações; contudo, tal não anula a necessidade de reparações”, disse. “Se não houver compensação, é provável que estas atrocidades se repitam no futuro. E já é possível ver o que está a acontecer em todo o mundo.”
As declarações vêm depois de Andy Burnham admitir fazer um pedido de desculpas formal pelo papel do Reino Unido no comércio de escravos durante a próxima conferência de líderes da Commonwealth (CHOGM), que se realiza esta semana. Contudo, o primeiro-ministro britânico reforçou que “não se pode obrigar os britânicos a pagar pelos erros da escravatura”. “Mas temos de enfrentar a nossa história complexa”, acrescentou.
O tema da escravatura tem dominado a visita do monarca nas Caraíbas desde o arranque, na passada terça-feira, quando Carlos III fez um discurso a reconhecer “o grande sofrimento” causado pelo tráfico de escravos nos séculos XVII e XVIII. Carlos vai discursar na conferência dos líderes da Commonwealth no dia 3 de novembro.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]