É visto como um dos grandes talentos da próxima geração. Nascido em agosto de 2007, há apenas 18 anos, Franco Mastantuono levou o Real Madrid a investir cerca de 45 milhões de euros para o resgatar ao River Plate e é uma das principais apostas dos merengues para o futuro. O que ninguém esperava era que fosse o protagonista de uma polémica devido ao nome próprio.
Tudo começou ainda em agosto, depois de Franco Mastantuono ser oficialmente apresentado como reforço do Real Madrid. O avançado argentino ainda representou o River Plate no Mundial de Clubes, tendo sido utilizado nos três jogos da fase de grupos que a equipa de Buenos Aires disputou, e rumou depois a Espanha para se juntar aos trabalhos do conjunto de Xabi Alonso. A partir do momento em que deu a primeira conferência de imprensa, em que se soube que iria usar o número 30 nas costas, a camisola de Franco Mastantuono ficou disponível na loja dos merengues — ou não.
???? Real Madrid have prohibited fans from buying kits with "Franco" on the back. @tjcope pic.twitter.com/CGA1KPXRIO
— Madrid Zone (@theMadridZone) August 23, 2025
Ora, precisamente porque o avançado levou consigo uma larga dose de expectativa e potencial, foram muitos os adeptos do Real Madrid que quiseram desde logo comprar a camisola do jogador argentino. Como se sabe, o futebol espanhol tem uma larga tradição de ocultar os apelidos dos jogadores, optando por tratá-los apenas pelo nome próprio: Xavi, Raúl e Pedri são exemplos disso mesmo, entre muitos outros, pelo que muitos adeptos merengues tentaram personalizar o número 30 apenas com a inscrição “Franco”, o primeiro nome de Mastantuono. Mas não conseguiram.
Centenas de adeptos do Real Madrid recorreram às redes sociais para revelar que, quando tentaram escrever “Franco” na camisola com o número 30, a loja online do clube respondeu com uma mensagem de erro onde se lia “a nossa política de personalização não permite o uso deste nome”. O motivo é fácil de entender — a ideia é evitar associações a Francisco Franco, ditador que governou Espanha durante mais de 30 anos no século XX. Ainda assim, a tal “política de personalização” acaba por ter algumas lacunas, já que não permite inscrições como “Franco” ou “Hitler”, mas aprova “Mussolini” ou “Estaline”.
???? 'FRAAANCO, FRAAANCO' ????
???? La Puerta 55 de @EduAguirre7, interrumpida por cánticos a Mastantuono. pic.twitter.com/25C43lvKtu
— El Chiringuito TV (@elchiringuitotv) August 20, 2025
A polémica subiu de tom no dia da primeira jornada da La Liga, quando o Real Madrid começou a temporada com uma vitória contra o Osasuna em pleno Santiago Bernabéu e Franco Mastantuono entrou a cerca de 20 minutos do fim para substituir Brahim Díaz. O jogador argentino foi recebido de forma efusiva pelos adeptos nas bancadas, ouvindo-se gritos e cânticos com “Franco, Franco, Franco”. Depois do apito final, dada a natureza sensível do nome próprio, o assunto foi mesmo tema do mediático programa “El Chiringuito”, onde os comentadores espanhóis defenderam que o avançado deveria ser tratado apenas por Franco, respeitando a tradição do país, e os comentadores argentinos defenderam que deveria ser tratado por Mastantuono, tal como acontecia na América do Sul.
A utilização do nome do antigo ditador no futebol espanhol, porém, nunca foi um assunto pacífico. Ainda durante a liderança de Francisco Franco, Ángel Franco era um dos árbitros mais proeminentes do país — o que fazia com que, muitas vezes, existissem notícias de jornal onde se lia “má análise de Franco”, “erro de Franco” ou “Franco estragou o jogo”. Para evitar que as manchetes fossem mal interpretadas e que alguém achasse que o sujeito da frase era Francisco Franco, implementou-se o hábito de os árbitros utilizarem sempre dois apelidos a nível profissional, numa tradição que se mantém até aos dias de hoje.