É visto como um dos grandes talentos da próxima geração. Nascido em agosto de 2007, há apenas 18 anos, Franco Mastantuono levou o Real Madrid a investir cerca de 45 milhões de euros para o resgatar ao River Plate e é uma das principais apostas dos merengues para o futuro. O que ninguém esperava era que fosse o protagonista de uma polémica devido ao nome próprio.

Tudo começou ainda em agosto, depois de Franco Mastantuono ser oficialmente apresentado como reforço do Real Madrid. O avançado argentino ainda representou o River Plate no Mundial de Clubes, tendo sido utilizado nos três jogos da fase de grupos que a equipa de Buenos Aires disputou, e rumou depois a Espanha para se juntar aos trabalhos do conjunto de Xabi Alonso. A partir do momento em que deu a primeira conferência de imprensa, em que se soube que iria usar o número 30 nas costas, a camisola de Franco Mastantuono ficou disponível na loja dos merengues — ou não.

Ora, precisamente porque o avançado levou consigo uma larga dose de expectativa e potencial, foram muitos os adeptos do Real Madrid que quiseram desde logo comprar a camisola do jogador argentino. Como se sabe, o futebol espanhol tem uma larga tradição de ocultar os apelidos dos jogadores, optando por tratá-los apenas pelo nome próprio: Xavi, Raúl e Pedri são exemplos disso mesmo, entre muitos outros, pelo que muitos adeptos merengues tentaram personalizar o número 30 apenas com a inscrição “Franco”, o primeiro nome de Mastantuono. Mas não conseguiram.

Centenas de adeptos do Real Madrid recorreram às redes sociais para revelar que, quando tentaram escrever “Franco” na camisola com o número 30, a loja online do clube respondeu com uma mensagem de erro onde se lia “a nossa política de personalização não permite o uso deste nome”. O motivo é fácil de entender — a ideia é evitar associações a Francisco Franco, ditador que governou Espanha durante mais de 30 anos no século XX. Ainda assim, a tal “política de personalização” acaba por ter algumas lacunas, já que não permite inscrições como “Franco” ou “Hitler”, mas aprova “Mussolini” ou “Estaline”.

A polémica subiu de tom no dia da primeira jornada da La Liga, quando o Real Madrid começou a temporada com uma vitória contra o Osasuna em pleno Santiago Bernabéu e Franco Mastantuono entrou a cerca de 20 minutos do fim para substituir Brahim Díaz. O jogador argentino foi recebido de forma efusiva pelos adeptos nas bancadas, ouvindo-se gritos e cânticos com “Franco, Franco, Franco”. Depois do apito final, dada a natureza sensível do nome próprio, o assunto foi mesmo tema do mediático programa “El Chiringuito”, onde os comentadores espanhóis defenderam que o avançado deveria ser tratado apenas por Franco, respeitando a tradição do país, e os comentadores argentinos defenderam que deveria ser tratado por Mastantuono, tal como acontecia na América do Sul.

A utilização do nome do antigo ditador no futebol espanhol, porém, nunca foi um assunto pacífico. Ainda durante a liderança de Francisco Franco, Ángel Franco era um dos árbitros mais proeminentes do país — o que fazia com que, muitas vezes, existissem notícias de jornal onde se lia “má análise de Franco”, “erro de Franco” ou “Franco estragou o jogo”. Para evitar que as manchetes fossem mal interpretadas e que alguém achasse que o sujeito da frase era Francisco Franco, implementou-se o hábito de os árbitros utilizarem sempre dois apelidos a nível profissional, numa tradição que se mantém até aos dias de hoje.