Mais de metade (56%) dos professores do ensino primário e secundário em Portugal tem mais de 50 anos e o envelhecimento da força laboral aumentará a necessidade de professores no futuro próximo. O aviso, que já não é novo, é dado desta vez pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que revela ainda na nova edição do seu relatório anual Education at a Glance um aumento de 30 pontos percentuais do número de estudantes cuja instrução, segundo os diretores das suas escolas, é dificultada pela falta de docentes.

O relatório adianta que no conjunto dos países da OCDE os salários dos professores primários aumentaram 14,6% em média entre 2015 e 2023; mas em Portugal, aconteceu o contrário, com uma diminuição de 1,8%.

Do ensino primário ao ensino secundário, Portugal gasta 9.477 euros (11.124 dólares) por cada aluno, ao fixar-se a meio da tabela cujo primeiro lugar é ocupado pelo Luxemburgo (cerca de 23 mil euros ou 27 mil dólares), e onde no fim se encontra o Peru (cerca de 2.130 euros ou 2.500 dólares). Portugal gasta tanto por aluno quanto o Japão ou Israel.

É nos gastos em Educação que Portugal contrasta com os outros países da OCDE: aplica menos fundos no nível académico, incluindo Investigação e Desenvolvimento, do que do ensino primário ao secundário e profissional. Portugal gasta 6.848 euros (8.030 dólares) por universitário, longe da média da OCDE que se situa nos 12.865 euros (15.102 dólares).

Contudo, o valor despendido por estudante ao longo do seu percurso escolar é um dos maiores ao considerar o valor do PIB per capita: 29%, acima da média da OCDE de 25%.

Portugal no fim da tabela quanto à literacia e numeracia entre os adultos

Quanto aos níveis de aptidão em literacia, ou seja, a capacidade de aceder, entender, avaliar e refletir sobre textos escritos para conseguir cumprir objetivos, desenvolver o conhecimento e potencial e participar na sociedade, Portugal tem um dos níveis mais baixos: a par da Polónia e do Chile. Numa escala que vai de 1 a 5, 40% ou mais dos adultos encontram-se abaixo do nível 1 (capazes de tarefas básicas, com textos simples e que exigem a identificação de informação em textos curtos), e 22% ou menos estavam dentro ou acima do nível 3.

A numeracia, que se define como a capacidade dos adultos de aceder, usar e refletir criticamente com conteúdo matemático, informação e ideias representados de várias maneiras para se relacionar e gerir as exigências matemáticas de várias situações na vida adulta, também deixa Portugal numa má posição. A OCDE indica que 39% dos adultos está dentro ou abaixo do nível 1, que envolve operações matemáticas simples.

E apesar de em Portugal ter aumentado a proporção de pessoas entre os 25 e os 34 anos com uma qualificação superior, de 38% para 43%, é um dos poucos países onde se verifica que o nível mais comum de formação é abaixo do ensino secundário. 38% das pessoas não concluíram o 12.º ano, acima da média de 19%. É uma situação semelhante à vivida no Brasil, China, Costa Rica, Índia, Indonésia, México, África do Sul e Turquia.

Só mais um outro detalhe: no ensino primário, as férias escolares duram 15,4 semanas por ano, mas do que as 13,4 no conjunto dos países da organização.

39% dos estudantes universitários tirou um gap year

O relatório Education at a Glance indica ainda que 39% dos alunos que entrou no ensino superior tirou um gap year, ou ano sabático, após a conclusão do secundário. Ainda assim, o valor registado em Portugal fica abaixo da média da OCDE, que se situa nos 44%. Entre os estudantes portugueses, 41% completa o curso no espaço de tempo determinado, ou seja, entre três e seis anos (neste último caso, com mestrados integrados). Quanto às licenciaturas de três anos, em todos os países da OCDE são as mulheres que têm maior probabilidade de terminar o curso nos três anos seguintes ao fim previsto.

Em Portugal, 81% das mulheres consegue fazê-lo em comparação com 66% dos homens, uma diferença entre géneros de 15 pontos percentuais mais elevada do que a média da OCDE: 12%. Contudo, as mulheres que estudaram artes, humanidades, ciências sociais, jornalismo e informação ganham menos 29% que os homens no mesmo ramo. As profissionais do sexo feminino ganham menos do que os do sexo masculino em todos os países nesta área, com a exceção da Costa Rica, onde recebem 27% mais.

Ao analisar as áreas, em Portugal 25% dos licenciados terminaram um curso na área das artes e humanidades, ciências sociais, jornalismo e informação. É o valor mais elevado, a que se segue 24% da área das ciências, tecnologia, engenharia e matemática (ou STEM) e 22% em gestão, administração e direito. É uma situação que difere do conjunto dos países da OCDE, onde a maior parte dos estudantes licenciados preferiu a área STEM ou de gestão, administração e direito (23% em cada um dos campos).