A culpa é da corrente de jato polar extremamente forte e de um NAO (sigla em inglês para Oscilação do Atlântico Norte) positivo ao longo de vários dias consecutivos. A combinação de ambos permite que uma enorme massa de ar quente e seco chegue a Portugal já esta terça-feira, colocando as temperaturas máximas entre 8º a 10ºC acima da média para esta altura do ano, podendo atingir entre os 35ºC e os 40ºC nas regiões do Norte e Centro, vale do Tejo e Alentejo. Mas também nas mínimas se vai sentir uma subida, com noites tropicais, acima dos 20ºC, no Algarve, Alentejo e zona Centro. Antes da explicação técnica, uma nota importante: este tempo quente e anormal para meio de setembro durará pouco e tudo se vai inverter no fim de semana: esperam-se massas de ar frio e um descida abrupta das temperaturas.

De adiantar também que o IPMA colocou esta quarta-feira sob aviso amarelo para calor 11 distritos (Beja, Évora, Setúbal, Lisboa, Santarém, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu e Vila Real), além da costa sul e das zonas madeirenses. E que se prolongam, para já, também para quinta-feira. A acompanhar esta subida nos termómetros, haverá uma sensação térmica de maior calor devido a um enfraquecimento generalizado do vento. Contudo, em alguns locais do Norte e Centro, há que contar com um aumento de nebulosidade e, junto à costa, a temperatura permanecerá mais baixa.

Para os Açores, os avisos são amarelos e laranja (Grupo Central e Grupo Ocidental), mas para chuva.

Assim, Lisboa, por exemplo, estará com 34º e 35ª de máximas entre quarta e sexta-feira (21ºC na noite de sexta); Santarém chegará aos 38ºC nestes dias, tal como Beja; Évora variará entre os 38º e os 40ºC; e Portalegre voltará a ter noites tórridas acima dos 25ºC.

É graças ao anticiclone localizado a nordeste do arquipélago dos Açores, que agora se estende em crista até ao Golfo da Biscaia (ali, na ligação entre Espanha e França, onde terminam os Pirinéus), e que nos próximos dias se deslocará gradualmente para leste, que esta massa de ar quente e seco aproveitará para se deslocar até Portugal. Mas tudo acontece porque o jet stream, a corrente de jato polar (ventos extremamente fortes, 7 a 12 km acima do nível do mar), tem estado muito constante, sem oscilações, e a rodar entre as ilhas britânicas e a Península Ibérica, mantendo assim as frentes frias e as depressões pelo norte da Europa. Este fluxo polar constante acontece também porque o nível de pressão entre a depressão da Islândia e o anticiclone dos Açores estão muito intensos, causando uma pressão forte que estabiliza o jato que divide o tempo da Europa em dois: mais frio e chuva a norte; calor a sul.

Ora a partir de sábado esta pressão diminui, haverá movimentações do anticiclone dos Açores que pode mesmo causar um bloqueio, e o jato polar vai começar a ondular. O mais certo é que uma dessa ondulações permita a entrada de massas de ar frio ou de depressões vindas do mar do Norte para as nossas latitudes, podendo uma delas tornar-se mesmo numa gota fria de grande instabilidade atmosférica. As previsões apontam para já para uma descida de 8 a 10ºC nas temperaturas máximas a partir de sábado (voltaremos à média dos últimos dias, com descidas mais acentuadas em alguns locais), vento norte e regresso pontual de chuva no fim de semana.