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"Tinha que estar no lugar certo, na hora certa". Dos anos 90 para as redes sociais com a supermodelo Alessandra Ambrosio

Este artigo tem mais de 1 ano

Em Lisboa a convite da marca de relógios Omega, a supermodelo fala sobre as mudanças que as redes sociais trouxeram, os valores que passa aos filhos e a rotina com meditação, ioga e banhos frios.

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FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVA

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVA

Não foi caso de parar o trânsito mas a passagem relâmpago de Alessandra Ambrosio pela Avenida da Liberdade definitivamente causou alguma impressão. Esta quarta-feira, a posar em frente à boutique da Omega, marca de relógios com a qual colabora desde 2016, e que trouxe a supermodelo para um evento a propósito do lançamento de uma nova coleção do modelo Aqua Terra, os olhares dos turistas foram logo arrebatados. Alguns tiraram o telemóvel para registar, outros só pararam para admirar o aparato que misturou fotógrafos, executivos de fato e gravata, e seguranças — todos em seu redor, a brasileira de 43 anos que tem mais de 25 de carreira no mundo da moda internacional, sendo o rosto de marcas como Armani ou Givenchy, e um dos anjos da Victoria’s Secret mais marcados em todo o mundo.

A estrutura formada para receber a modelo, que chegou quase uma hora depois do horário combinado, contrasta com a forma descontraída como conversa. A anfitriã à porta da boutique foi Cláudia Vieira, atriz que é embaixadora amiga da marca de relógios em Portugal. As duas trocaram cumprimentos e passaram logo à conversa sobre a experiência de Alessandra na capital portuguesa. A modelo conta, por exemplo, que foi ao Canalha, restaurante do chef João Rodrigues, que esteve 13 anos à frente do estrelado Feitoria. Mais tarde, numa mesa redonda com alguns órgãos de comunicação social, assume que está “amando Portugal. Cada vez que venho gosto mais e mais. Estou me apaixonando por este país“, diz a manequim, que às vezes mistura palavras em inglês com sotaque típico do sul do Brasil — Alessandra nasceu em Erechim, no Rio Grande do Sul, o mesmo estado de Gisele Bundchen, mas a sua morada no país é Florianópolis, ilha a cerca de 500 quilómetros da cidade natal.

▲ Cláudia Vieira recebeu Alessandra Ambrosio à porta da loja. Nos arredores, um aparato de fotógrafos, executivos da marca e seguranças

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVA

De Lisboa, a modelo elogia também a “vivacidade dos restaurantes”. Cita como exemplo um dos preferidos dos famosos, o JNcQUOI. “Já conhecia o Avenida, ontem fui no asiático. Achei muito legal a pegada deles, além de asiático é meio indiano, árabe… Amei essa mistura, essa versatilidade”, diz. “Os meus amigos todos ficam loucos! Tem uma energia muito gostosa, essa cidade.” Há cerca de um mês Alessandra já tinha estado em Portugal, dessa vez no Algarve, a fotografar uma campanha. Viajou na companhia da filha, Anja, de 17 anos, e recorda que provaram um “catering caseiro” durante um momento de trabalho. “A minha filha olhou para mim e falou: ‘Mãe, esta é a melhor comida que eu já comi na minha vida’. Eu falei: ‘Eu sei, minha filha. Tudo é muito gostoso aqui, a qualidade é muito importante“.

Mas não foi só pelo estômago que Portugal conquistou Alessandra Ambrosio. Em 2024 a modelo fez um editorial de moda na Ilha de São Miguel, nos Açores, onde esteve mais ligada à natureza. “Foi lindo demais, porque eles têm aquela água que é healing. Meu Deus, eu fiquei um tempo lá naquele lago”, recorda, sobre a experiência nas piscinas termais. Já em Lisboa, prefere perder-se pelas ruas da Baixa. “Gosto de viajar pelos países e pegar algo único do lugar, dar uma explorada nas lojinhas. Não nas lojas que todo mundo sabe que existem, mas entrar nos cantinhos e ver coisas únicas da cultura de cada lugar. A última vez que eu estive aqui, eu e o meu namorado, a gente foi dar uma explorada nas ruazinhas também. Tinham lojinhas lindas, com coisas até diferentes, que nem são daqui, mas gostei do mix”, conta, empolgada, confessando também estar feliz por poder “falar a nossa língua”.

Isto porque Alessandra é embaixadora global da Omega e viaja mundo fora, desdobrando-se em eventos de relojoaria. “Já fui em muitos países na Ásia. Já fui para Shanghai. A minha primeira campanha com a Omega foi na Espanha, em Ibiza. A gente fotografou num barco lindo, o Seamaster, que foi uma das minhas campanhas favoritas“, recorda a modelo, que começou a parceria com a marca ainda no Brasil, na altura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. “Estavam com uma casa linda do lado do hotel onde eu estava ficando e eles me convidaram para conhecer a casa Omega. E eu fui lá, conheci o Raynald (Aeschlimann, CEO da marca), que é um amor. Ele me explicou tudo sobre os relógios. E eu já era muito fã da marca, porque sempre via as campanhas com as mulheres mais lindas, Cindy (Crawford), Nicole (Kidman). Então, assim, sempre foi um sonho fazer parte.” Para Alessandra Ambrosio, um relógio “às vezes, é o único acessório que a gente precisa para se sentir bem, para se sentir mais elegante e confiante”.

▲ Alessandra Ambrosio assume-se apaixonada por Lisboa e por Portugal: fala na comida do Algarve, nas lojinhas da Baixa e nas águas que curam dos Açores

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVA

Das passarelles dos anos 1990 para a moda nas redes sociais

Confiança é um estado de espírito que Alessandra Ambrosio teve que aprender a construir ainda muito nova. Aos 12 anos foi descoberta numa escola de modelos e aos 14 fez a primeira capa de revista — a Capricho, título brasileiro destinado a adolescentes — depois de vencer um concurso da agência Elite. De São Paulo foi para o Japão e depois para Nova Iorque, onde foi recebida pela já na altura experiente Bundchen. Era o início da carreira internacional. Passou pelas lentes de Mario Testino, foi uma Guess Girl, desfilou para nomes como Dior, Dolce & Gabbana e Versace, e, com 19 anos, tornou-se um anjo da Victoria’s Secret, por onde também passaram referências da moda como Adriana Lima, Tyra Banks e Kate Moss. “Naquela época era muito difícil entrar no mundo da moda. Para você conhecer o melhor fotógrafo ou os melhores clientes, as maiores campanhas, você tinha que estar no lugar certo, na hora certa. Então era muito difícil porque você vai para Nova York, vai para Paris e talvez ninguém vá te ver”, considera a modelo, que traça um paralelo com os dias de hoje, em que a moda se faz cada vez mais nos feeds das redes sociais. “Hoje em dia todo mundo te vê, só que é muita gente que eles estão vendo. Então eu acho que os dois têm os prós e os contras. Hoje é com mais pessoas que você está concorrendo, e naquela época era um pouco mais difícil de você ser encontrada.”

Passados 23 anos desde que foi escolhida como rosto da marca de lingerie a modelo continua relevante. Há um ano, quando a Victoria’s Secret retomou os tradicionais desfiles, com um leque de modelos mais diverso, Alessandra Ambrosio voltou à passarelle da qual “se despediu” em 2018. “Acho que o mais importante é a gente amar o que a gente faz. E autenticidade, você sempre ser você, não tentar ser outra pessoa. Tanto naquele tempo como agora, com as redes sociais, para mim os meus valores nunca mudaram. É sempre assim, eu vou sempre ser eu e amo o que eu faço. Estou sempre com um sorriso no rosto, feliz e agradecida de estar fazendo o que eu sempre amei.” Num evento sobre relógios, a passagem do tempo ganha destaque — e Alessandra foi bem sucedida na transição da era das supermodelos dos anos 1990 para o boom das influencers e do Instagram, com os seus 12 milhões de seguidores. “Na minha carreira eu sempre tive os meus valores, coisas que eu sempre falei que eu ia fazer e coisas que eu nunca iria fazer. Eu acho que isso, os valores, são a tradição. E a inovação é com o tempo. É sempre estar estudando, estar sempre antenada.”

É com os filhos, Anja e Noah, de 17 e 13 anos, que Alessandra se sintoniza com as diferenças geracionais. “Espelho-me muito nos meus filhos. Vejo como é que é a moda para eles, o que sentem da moda“, conta a modelo. “A minha filha tem um estilo próprio. Gosta de coisas antigas e misturar com o novo”, diz a modelo, que relata os assaltos de Anja ao closet da mãe. “Pega uma carteira que eu usava há 20 anos. Acho legal, até porque hoje a gente está vendo muito isso nas red carpets, as pessoas usarem vestidos que já foram criados há muito tempo”. De Cannes a Veneza, Ambrosio é uma das celebridades presentes em passadeiras vermelhas de festivais de cinema ou figura frequente na primeira fila dos principais desfiles das Semanas da Moda internacionais. Mas lá em casa, os filhos são as estrelas. “Sou a fã número um dos meus filhos, o que eles fizerem, eu estou sempre ali de cheerleader deles”, confessa Alessandra. “Acho que às vezes eles se cobram bastante também, a minha filha principalmente por esse negócio de eu ser modelo por muito tempo, mas eu acho que cada um é único, cada um tem a sua beleza. A gente tem de encontrar a nossa beleza e nunca se comparar com outras pessoas. Falo para a minha filha que ela tem muito mais dons do que eu tenho. Eu acho que cada um tem que sempre procurar o melhor em si, e não procurar fora”.

Meditação, ioga e banhos frios

Num mundo em que a beleza está tão em foco e no qual é preciso estar sempre conectado, os momentos de paz da modelo são para olhar para dentro. “Eu, especialmente, não gosto muito de usar eletrónicos junto do meu corpo o tempo inteiro. Por causa das ondas magnéticas. Então, para mim, o relógio clássico faz muito mais sentido”, respondeu a modelo, ao ser questionada sobre se usava smartwatches. “Hoje, por exemplo, acordei e fiz a minha meditação, a minha ioga. E deu. Esse foi o meu momento reservado para isso. Eu não fico contando quantos passos eu estou dando por dia“, diz a modelo, que ao longo da conversa revela seguir algumas das práticas de lifestyle e longevidade, que se tornam cada vez mais tendência entre as figuras públicas. “Ter tempo para dormir é muito importante, porque tem gente que não se preocupa em dormir. Quando eu era mais nova, eu também não queria. Pensava: ‘Ah não, vou dormir quando eu morrer, não é? É para viver!’ Eu sou ariana (do signo de Carneiro), então acho que a cada segundo estou aproveitando muito”, diz a modelo, que tem rituais dedicados ao bem-estar. “Gosto de acordar todo dia de manhã, fazer uma meditação e às vezes eu gosto de escrever no meu diário. Eu faço uns 15 ou 20 minutos de ioga para acordar o corpo e depois o meu dia começa”, explica, revelando ainda um hábito mais recente: “No banho comecei a fazer uns 30 segundos de água bem gelada”.

▲ Já no final da visita de Alessandra Ambrosio à boutique da Omega, a modelo posou para fotografias com Ricardo Pereira e Cláudia Vieira

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVA

Já a sair da boutique da Omega, Alessandra Ambrosio parou para mais fotografias. Posou sozinha, ao lado dos executivos da marca, da atriz portuguesa que mediou a conversa um pouco antes e também de outro embaixador nacional, o ator Ricardo Pereira. Na calçada que dá para a fachada da loja, quem passa é obrigado a atravessar a rua para se desviar da pool de fotógrafos. Alguns aproveitam para espreitar um pouco do glamour do mundo dos famosos, outros mostram alguma curiosidade por perceber o que se passa. Em inglês escutam-se interrogações sobre quem será a estrela, enquanto outras têm o nome da modelo brasileira na ponta da língua. Para duas portuguesas de passagem, a proximidade é o mais reconhecível. “O que é isto?”, pergunta uma delas. “Ah, é a Cláudia Vieira”, responde a outra.

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