O trabalho de hoje é a luta de amanhã. Tem sido esta a abordagem empregada pelo FC Porto nas redes sociais. A escolha da frase, a par do mote desta temporada, “seguimos juntos”, não foi em vão e a equipa de Francesco Farioli continua a mostrar que está mais unida do que nunca. A chegada do treinador italiano deu um novo alento às hostes portistas que, até esta sexta-feira, tinha vencido todos os jogos da presente temporada, e só com um golo sofrido (em Alvalade, num autogolo de Nehuen Pérez). Ainda assim, o jogo contra o Nacional acabou por trazer à tona alguns problemas nos dragões que, fruto das diversas lesões que assolam o plantel, tiveram de adaptar Pablo Rosario ao lado direito da defesa e, mais tarde Nehuen, que se lesionou com gravidade nessa partida. A vitória ficou-se pela margem mínima, mas pecou por escassa (1-0).

Samu, o pronuncio do Norte que desmontou o autocarro e encontrou o atribulado caminho do Dragão (a crónica do FC Porto-Nacional)

Com a lesão de Nehuen Pérez, que sofreu uma rotura no tendão de aquiles e não deverá voltar a jogar na presente temporada, o boletim clínico azul e branco aumentou para cinco, com o argentino a juntar-se a Alberto Costa, Martim Fernandes, William Gomes e Luuk de Jong. Ainda assim, o lateral português e o extremo brasileiro evoluíram ao longo da semana e já estiveram integrados no treino de Farioli, embora com condicionamentos físicos. Fora dos relvados, o treinador de 36 anos acrescentou mais um elemento à sua equipa técnica: André Castro, que estava na equipa B e vai tratar da integração de jovens na equipa principal. Por outro lado, a lesão de Nehuen permitiu a inscrição de Ángel Alarcón na Liga Europa e Yann Karamoh chegou à Invicta para reforçar o FC Porto a custo zero, fruto das lesões no e a procura falhada por um extremo na janela de transferências.

Ficha de jogo

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Rio Ave-FC Porto, 0-3

6.ª jornada da Primeira Liga 2025/26

Estádio do Rio Ave FC, em Vila do Conde

Árbitro: Anzhony Rodrigues (AF Madeira)

Rio Ave: Cezary Miszta; Andreas Ntoi (Tamás Nikitscher, 73’), Jakub Brabec, Nelson Abbey; Georgios Liavas (Ole Pohlmann, 57’), Brandon Aguilera, Marious Vrousai, Nikos Athanasiou (Omar Richards, 57’); André Luiz, Dario Spikic (Eric Moreira, 65’) e Clayton Silva (Marc Gual, 65’)

Suplentes não utilizados: Kevin Chamorro; Jonathan Panzo, Antonis Papakanellos e João Graça

Treinador: Sotiris Sylaidopoulos

FC Porto: Diogo Costa; Pablo Rosario (Stephen Eustáquio, 57’), Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Francisco Moura; Alan Varela (Zaidu Sanusi, 46’), Victor Froholdt, Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 57’); Pepê (Ángel Alarcón, 76’), Borja Sainz e Samu Aghehowa (Deniz Gül, 70’)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos; Dominik Prpic, Pedro Lima e William Gomes

Treinador: Francesco Farioli

Golos: Rosario (4’), Samu (13’) e Gabri Veiga (52’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rosario (25’), Brabec (33’) e André Luiz (45’)

“Tiveram três empates consecutivos e são uma equipa difícil de ultrapassar. A mudança na direção tornou-os ainda mais ambiciosos. Querem melhorar a cada dia. Mudaram de treinador e contrataram o Sotiris Sylaidopoulos, que conquistou a Youth League. Têm ferramentas para criar problemas e tentámos preparar o jogo da melhor forma possível. Ida ao mercado? O clube e o presidente têm trabalhado nisso nos últimos dias. Quem chegar tem de preencher determinados requisitos. Não vamos fazer uma transferência de pânico. Temos a oportunidade de recuperar alguns jogadores [Martim e Alberto] para encontrar a solução certa. O Gabriel Brás esteve connosco na pré-época. Tem a mentalidade certa e aprende rápido. O André Miranda e o Alarcón são dois jogadores com características diferentes. Ambos precisam de perceber melhor as necessidades da equipa principal. O Ángel está a fazer de tudo para melhorar, vai ser inscrito na lista da UEFA e é uma boa oportunidade para ficar mais próximo de nós”, partilhou Farioli na antevisão à visita ao Estádios dos Arcos.

Apesar de contar com o fator casa, a tarefa do Rio Ave não se perspetivava fácil, já que a equipa de Sylaidopoulos ainda não sabia o que era ganhar no Campeonato Nacional, depois de ter somado três empates consecutivos e de ter caído em casa do Moreirense na jornada anterior (3-1). “É um grande desafio defrontar estes grandes treinadores. Farioli mostrou a sua qualidade e talento em ambientes difíceis, como no Ajax e agora no FC Porto. Este ano já parece mais o verdadeiro FC Porto, mas o Rio Ave, especialmente em casa, é muito forte. Podemos competir com qualquer equipa e é isso que queremos fazer. É um bom teste para mostrarmos a atitude frente a um grande adversário, como o FC Porto. Todos os jogos começam 0-0 e 11 contra 11. A resposta da equipa no treino foi excelente e acredito que vamos mostrar a nossa melhor faceta. Temos as nossas armas. Não é sobre parar o FC Porto, é sobre o que podemos fazer. Temos ferramentas e armas para ferir o FC Porto”, assumiu o treinador grego.

No dia em que Diogo Costa completou o seu 26.º aniversário, Pablo Rosario voltou a ser a aposta de Francesco Farioli para o lado direito da defesa. A única novidade prendeu-se com o meio-campo, com Gabri Veiga a reentrar no onze inicial depois ter estado lesionado. Em sentido inverso, o “menino” Rodrigo Mora voltou a sentar-se no banco de suplentes. Do outro lado, em relação à última partida, Sotiris Sylaidopoulos apresentou três novidades no onze inicial do Rio Ave, com Andreas Ntoi e Jakub Brabec a juntarem-se a Nelson Abbey no centro da defesa, por troca com Pancho Petrasso e Jonathan Panzo. No meio-campo, Brandon Aguilera entrou para o lugar que foi de Ole Pohlmann.

A história da partida começou a ser escrita logo ao quarto minuto de jogo, com o FC Porto a beneficiar de um canto na esquerda, prontamente cobrado por Veiga, que levantou para a zona do primeiro poste, onde Rosario apareceu a completar de cabeça para o golo inaugural (4′). Com o golo precoce, os dragões conseguiram traduzir em golos o seu domínio e superioridade e, pouco depois, Samu Aghehowa quase dilatou a vantagem, mas o seu remate cruzado saiu ao lado (6′). Contudo, pouco depois, o internacional espanhol chegou mesmo ao golo… em mais um canto na esquerda, que Veiga cobrou para o segundo poste, com Samu a cabecear quase sem oposição e em cima da baliza (13′). Os vila-condenses começaram a soltar-se das amarras defensivas a partir do minuto 25, à procura de uma reação diante de uma turma portista em ritmo de gestão e controlo. Ainda assim, Gabri esteve perto de fazer mais um golo, mas o seu remate de longe saiu por cima (38′). Na sua melhor ocasião, a equipa da casa trabalhou bem na direita, Victor Froholdt teve um corte incompleto e, à entrada da área, Aguilera desferiu um remate forte, com Jan Bednarek a travar com o corpo (42′).

Ao intervalo, Farioli retirou Alan Varela, que estava amarelado, e colocou Zaidu Sanusi, que entrou para o lado direito da defesa e “obrigou” Pablo Rosario a passar para a sua posição de origem. Pouco depois, Pepê recebeu na direita, deambulou para o meio, deixou o opositor direto para trás e, à entrada da área, fez um passe fantástico, picado, para Gabri Veiga que, depois de dominar, atirou ao ângulo superior direito da baliza de Cezary Miszta. Os azuis e brancos continuaram por cima e, num lance rápido, Samu tentou finalizar à boca da baliza, mas o guarda-redes polaco defendeu junto ao relvado. Na sequência do lance, Froholdt cruzou para Borja Sainz que, dentro da área, atirou forte e com estrondo ao poste esquerdo da baliza do Rio Ave (56′). Já com Olinho, Omar Richards, Stephen Eustáquio e Mora em campo, o jovem português recebeu na esquerda, puxou para dentro e, de pé direito, desferiu um remate cruzado que passou perto do poste (62′).

Pouco depois, Sylaidopoulos operou mais uma dupla substituição, com Eric Moreira e Marc Gual a entrarem para os lugares de Clayton Silva e Dario Spikic, com Farioli a dar mais 20 minutos de jogo a Deniz Gül, que rendeu Samu, seguindo-se a entrada de Tamás Nikitscher e a estreia do jovem Ángel Alarcón. Pelo meio, Francisco Moura teve espaço na esquerda e arrancou para a área, servindo depois Pepê que, à entrada da área, deixou para Zaidu, só que o remate colocado do lateral saiu ao lado (76′). Já na reta final da partida, Mora isolou Sainz com um passe espectacular pelo chão, o espanhol entrou na área e desferiu um remate cruzado, mas Miszta aguentou a posição e defendeu (82′). Até ao apito final, a toada do jogo manteve-se, com o FC Porto a sair de Vila do Conde com 18 pontos em 18 possíveis.