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Foco no cinema de autor, pensamento em Gaza: San Sebastián começou esta sexta-feira

Este artigo tem mais de 1 ano

Solidária com a Palestina, a 73ª edição traz à concha basca muito cinema europeu, sobretudo espanhol, estrelas de Hollywood — como Angelina Jolie — e filmes portugueses nas secções secundárias.

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▲Aspecto da passadeira vermelha de San Sebastián, em frente ao Hotel Maria Cristina

Getty Images

▲Aspecto da passadeira vermelha de San Sebastián, em frente ao Hotel Maria Cristina

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San Sebastián, o maior evento cinematográfico da Península Ibérica, aquele que, por facilidade, se diz por hábito encerrar a temporada dos grandes festivais “classe A”, está naturalmente atento ao apoio histórico que o país vizinho tem demonstrado pela Palestina nas últimas semanas. É pois esperada uma maré de bandeiras palestinianas ao longo dos próximos dias na Concha e um festival sintonizado aos protestos contra a situação insustentável que se vive no Médio Oriente. O evento decorre até dia 27.

San Sebastián está habituado a escolhas de programação controversas como a de Tardes de Solidão, no ano passado, inesquecível filme de Albert Serra que acabou por levar a Concha de Ouro numa edição que também premiou On Falling, o filme luso-escocês de Laura Carreira. A cineasta portuguesa regressa este ano ao festival na qualidade de jurada. A presidir ao júri estará o cineasta catalão J.A. Bayona, autor de A Sociedade da Neve.

Para lá do argentino 27 Noches, de Daniel Hendler, que abre o festival a concurso, apresentam-se na competição principal nomes de vulto do cinema europeu como Claire Denis (Le cri des Gardes/The Fence, filme francês mas rodado em inglês com Matt Dillon, Isaach de Bankolé, Mia McKenna-Bruce e Vincent Lindon), a também francesa Alice Winocour (Couture, passado no mundo da moda, é um filme de rejuvenescimento para a carreira de Angelina Jolie) e, do mesmo país, Arnaud Desplechin (Deux Pianos). A estes se acrescentam o alemão Edward Berger (Ballad of a Small Player, com Colin Farrell e Tilda Swinton perdidos nas mesas de jogo em Macau) e a polaca Agnieszka Holland (com Franz, um biopic de Franz Kafka).

▲ Angelina Jolie e Louis Garrel em “Couture”, de Alice Winocour

Aos europeus juntam-se a terceira longa-metragem (e a melhor até à data) da argentina Milagros Mumenthaler, Las Corrientes, assim como o novo trabalho do norte-americano James Vanderbilt, Nuremberg, com Russell Crowe em papel a apontar aos Óscares. Note-se que todas estas obras supracitadas transitam directamente de estreias mundiais que ocorreram há escassos dias no Festival de Toronto, garantindo ao certame basco algo que os festivais desta categoria sempre procuram: a presença de vedetas do universo cinematográfico anglo-saxónico.

San Sebastián nunca poderá competir com Cannes e Veneza mas, ainda assim, e independentemente da origem geográfica, são esperados este fim de semana, para além dos já citados, os cineastas Jafar Panahi, Joachim Trier, Richard Linklater, Raoul Peck, Kleber Mendonça Filho e François Ozon, bem como os rostos populares de Juliette Binoche, Paul Dano, Harris Dickinson, Elle Fanning ou Lali Espósito. Jennifer Lawrence receberá o Prémio Donostia, que lhe homenageará a carreira. Nada a dizer da escolha, que causou estranheza: este tipo de galardões costuma reconhecer o trabalho de artistas de longos anos. Mas Jennifer só tem 35 (de idade).

San Sebastián apresenta em primeira mão, no mesmo concurso, novos trabalhos do espanhol José Luis Guerin (Historias del Buen Valle) e do belga Joachim Lafosse (Six jours ce printemps-là), num total de 17 candidatos, sem representação portuguesa que possa este ano atingir a Concha de Ouro. O cinema nacional está, contudo, representado em categorias secundárias, nas secções paralelas, igualmente competitivas. A Zabaltegi-Tabakalera abre este sábado com uma co-produção luso-espanhola (em estreia mundial) que envolve a Terratreme, Una Película de Miedo, do brasileiro Sergio Oksman, interpretado por Daniel Blaufuks e Ana Moreira.

▲ "Sol Menor", de uma graciosidade rara de encontrar, foi a obra vencedora do Curtas – Vila do Conde, em Julho

Duas Vezes João Liberada, primeira longa-metragem de Paula Tomás Marques (e filme estreado em Berlim) compete na mesma secção assim como Sol Menor, de André Silva Santos, na categoria de curtas-metragens. Recorde-se que Sol Menor, que é de uma graciosidade rara de encontrar, foi a obra vencedora do Curtas – Vila do Conde, em Julho.

Na secção Made in Spain, não-competitiva, vão passar duas co-produções luso-espanholas: Uma Quinta Portuguesa, de Avelina Prat, com Maria de Medeiros e Manolo Solo (filme já exibido nas nossas salas após a estreia mundial em Málaga), e San Simón, de Miguel Ángel Delgado. O primeiro teve participação da Som e a Fúria, o segundo da Bando à Parte. Na secção Nest, outra curta portuguesa compete em San Sebastián: A Solidão dos Lagartos, de Inês Nunes, apresentada em maio, em Cannes.

Já exibida em Veneza e Toronto, a cópia recém-restaurada em 4K de Aniki-Bóbó (1942), primeira longa-metragem de Manoel de Oliveira, passará agora em no País Basco. Tantos anos depois, o mais importante cineasta português continua a somar sessões internacionais, novos espectadores e elogios de quem o descobre agora por esse mundo fora.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

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