E se tivesse a oportunidade de entrar no closet da Rainha Isabel II? Em 2026 será (quase) possível. O Palácio de Buckingham prepara-se para inaugurar a maior exposição de sempre sobre a moda da monarca, criada para assinalar o centenário do seu nascimento. Com peças que vão desde o nascimento até a vida adulta, passando tanto pelo período de princesa assim como as décadas como Rainha, dos estilos informais aos banquetes de Estado, são aproximadamente 200 artigos que contam a história de Isabel II, sendo que metade deles nunca esteve exposto antes.
▲ Vestido de dama de honra criado por Edward Molyneux, o qual a então princesa Isabel usou em 1934.
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Um destes artigos “inéditos” é também uma das peças mais antigas do seu guarda-roupa: um vestido de daminha de honor desenhado por Edward Molyneux, usado quando Isabel II tinha oito anos, em 1934, para o casamento do tio, o duque de Kent, com a princesa Marina da Grécia. O público vai poder ver também exemplos de peças usadas pela Rainha em situações quotidianas, fora de eventos oficiais, como os casacos com corte clássico, saias tartan e lenços de seda. Exibidos pela primeira vez, da mesma forma, estão três peças fluidas, vibrantes e estampadas de Ian Thomas, desenhadas na década de 1970 e que refletem a evolução das tendências e do estilo pessoal da monarca, que passou a usar cada vez mais cor.
A cor, aliás, é um ponto marcante nas escolhas fashion de Isabel II. A exposição vai explorar o diplomatic dressing da Rainha, que usava cores e símbolos sigificativos para as viagens ao estrangeiro. Um exemplo é um vestido branco usado em 1961 para um banquete de Estado em Karachi, no qual o designer incorporou uma espécie de cauda verde esmeralda na parte de trás, a cor nacional do Paquistão. Uma peça desenhada por Norman Hartnell, costureiro britânico que ganhou proeminência na década de 1940, e foi o responsável por vestidos histórico, como o do casamento e o da coroação. Peças com saias em crinolina, bordados ricos e tecidos estruturados, que transpareciam o status da realeza e a posição da ainda jovem Isabel na altura. A exposição terá alguns dos artigos criados por Hartnell, reflexo das três décadas de trabalho ao lado da monarca.
▲ Isabel II usava chapéus e cores fortes em eventos oficiais, mas preferia os tons de castanho e lenços para situações informais.
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O arquivo de moda da Rainha Isabel II é, de acordo com o Royal Collection Trust, um dos maiores do século XX. Fazem parte do acervo peças de roupas, joias, chapéus, sapatos e acessórios, mas também itens que revelam os bastidores das criações e o envolvimento da monarca, como desenhos, amostras de tecidos e correspondências escritas à mão. “Ao longo do longo e marcante reinado, o estilo distinto de Isabel II tornou-se instantaneamente reconhecível em todo o mundo, fomentando a indústria da moda britânica e influenciado gerações de designers e costureiros. Entretanto, apenas agora os arquivos da Rainha chegam aos cuidados da Royal Collection Trust, para que possamos contar a sua história de vida através das escolhas de estilo cuidadas — desde o seu papel ativo nas criações, a compreensão do soft power por trás das suas roupas até o trabalho de artesanato excecional em cada peça”, assinala Caroline de Guitaut, a curadora da exposição e pesquisadora no The King’s Works of Art, em comunicado.
Fruto da investigação, Guitaut escreveu também o livro Queen Elizabeth II: Fashion and Style, que será lançado juntamente com a exposição. A obra terá contribuições de especialistas em moda e designers e vai explorar o arquivo da Rainha assim como a sua contribuição ao longo de toda a vida para a indústria fashion. Queen Elizabeth II: Her Life in Style abre na primavera de 2026 na The King’s Gallery, no Palácio de Buckingham Palace, e permanece visitável até o outono. Em novembro o Royal Collection Trust deve divulgar as datas oficiais e as informações sobre a venda de bilhetes.