“Lumière! A Aventura Continua”

Depois dos 100 filmes dos irmãos Lumière apresentados em Lumière!, em 2016, Thierry Frémaux revela e comenta aqui outro lote, agora mais de uma centena, de novo imaculadamente restaurados, rodados em França e um pouco por todo o mundo por Louis e Auguste Lumière e pelos seus vários operadores, todos creditados na ficha técnica final. Através deles, Frémaux detalha a história da invenção do cinema e a sua afirmação como a arte por excelência do século XX, continuando a mostrar como os Lumière e os seus colaboradores, à medida que, avida e meticulosamente, filmavam tudo em seu redor e davam a ver o mundo ao próprio mundo, foram criando a gramática do cinema e elaborando a sua estética específica. Fiquem mesmo até ao final de Lumière! A Aventura Continua para verem Francis Ford Coppola rodar uma nova saída da fábrica dos Lumière em Lyon utilizando uma máquina da época, e com uma rápida participação do falecido Bertrand Tavernier.

“Lavagante”

Novela curta de José Cardoso Pires escrita no início dos anos 60, O Lavagante, Encontro Desabitado,  ficou inédito em livro até 2008, quando Nelson de Matos a publicou na Dom Quixote. A sua adaptação ao cinema por António-Pedro Vasconcelos ficou inacabada quando da morte deste, e o produtor Paulo Branco entregou o projeto a Mário Barroso, amigo de Cardoso Pires e que foi o director do último filme de Vasconcelos, Km224. Passado durante o antigo regime e rodado a preto e branco por Barroso, Lavagante põe em cena Daniel (Francisco Froes), um jovem médico oposicionista, e Cecília (Júlia Palha), uma rapariga de boas famílias e estudante de Arquitetura, que se envolvem num romance. Depois de várias peripécias, Cecília acabará por entregar o seu amante à polícia política. No elenco de Lavagante, que se estreia no dia em que se assinalam os 100 anos do nascimento de José Cardoso Pires, constam também Diogo Infante, Nuno Lopes e Leonor Alecrim.

“Honey Don’t!”

Segundo título, após Bonecas em Fuga (2024), de uma “trilogia de filmes lésbicos policiais de série B” planeados por Ethan Coen, um dos irmãos Coen, e pela sua mulher, Tricia Cooke, Honey Don’t! passa-se numa cidadezinha da Califórnia e tem Margaret Qualley no papel de Honey Donahue, uma detetive privada lésbica. Após a morte suspeita de uma possível cliente num desastre de automóvel, Honey começa uma investigação que a conduz a uma seita religiosa liderada por um pastor sexualmente voraz (Chris Evans) e que a usa como uma fachada para traficar droga. Entretanto, Honey envolve-se com MG (Aubrey Plaza), uma mulher-polícia. Além de escrever a fita com o marido, Cooke também a realizou, mas não a pôde assinar por não ser membro da Director’s Guild of America). Honey Don’t! foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.