Foi uma vitória, é certo, mas foi uma vitória tirada a muitos ferros. Há 24 anos que o Sporting não disputava um prolongamento na Taça de Portugal contra uma equipa de escalão inferior, desde que os leões de José Peseiro foram à meia-hora extra contra o Nacional, mas o último prolongamento na competição tinha sido há cerca de um ano e contra o Santa Clara, nos oitavos de final.

Um jogo com demasiadas alucinações para quem não gosta de histórias alucinantes (a crónica do P. Ferreira-Sporting)

Certo é que, ainda assim, o Sporting leva agora três prolongamentos consecutivos que acabaram em vitória, entre Santa Clara, Benfica (na final do Jamor) e P. Ferreira. Os leões eliminaram os pacenses, sendo que estiveram a perder em duas ocasiões na Capital do Móvel, e seguiram para a quarta ronda da Taça de Portugal — onde já sabem que vão defrontar Anadia ou Marinhense, que só jogam este domingo.

Depois do jogo, Rui Borges garantiu que sabia que o encontro “ia ser difícil”. “São jogos de Taça. Sei bem porque vim de escalões inferiores e sei qual é a motivação. Uma equipa difícil de ser batida, muito bem organizada, comprometida. Tiveram a sorte, e nós a infelicidade, de criar o 1-0 cedo. Conseguimos reagir rapidamente. Fomos criando situações. Sabíamos o que íamos encontrar. A malta do Paços sempre muito comprometida, nós acionávamos corredores mas eles criavam sempre superioridade defensivamente. Fomos sempre acreditando, criando situações de possível golo. Às vezes, por desinspiração nossa ou até por inspiração do guarda-redes adversário, foram conseguindo adiar o que queríamos. Corremos muito atrás. São mais 30 minutos de desgaste, mas isso não servirá de desculpa para quarta-feira”, começou por dizer.

“Somos uma equipa que tem muita gente no processo ofensivo. E é normal haver perdas de bola e não fomos conseguindo sempre reagir da melhor forma. Mas senti a equipa com boa atitude competitiva, reação à perda, boa transição, e o Paços acaba por fazer golo numa infelicidade nossa, numa escorregadela do Edu. Não posso criticar a equipa, tiveram um compromisso muito bom. O Paços tem duas situações de golo e faz dois golos. Melhorámos com as substituições. O Iván [Fresneda] foi muito bom na dinâmica, dá-nos outra capacidade na construção. Fomos acrescentando e melhorando. E, dentro do que criámos, acho que foi mais do que merecido. Infelizmente fomos ao prolongamento, mas é o que é. Dar os parabéns ao Paços”, acrescentou.

Mais à frente, o treinador leonino explicou que teve de lançar jogadores que tinha poupado e deixado no banco de suplentes. “Notou-se que o Luis [Suárez] estava amarrado e depois teve de levar com o prolongamento. Sabíamos que o desgaste na seleção foi enorme, o Geny igual. Tirando isso, a malta esteve muito bem, comprometida, dinâmica. O Iván entrou muito bem, o Quenda quando passou para falso lateral-esquerdo teve um compromisso enorme. Não podia pedir mais à equipa. Bateu-se bem por um adversário que também se bateu bem e mereceu ir a prolongamento”, indicou, reconhecendo que Diomande ainda não está “no seu melhor” depois de ter regressado de lesão”.

“Eles sabiam que havia o aviso, até pelos resultados. O Santa Clara foi a penáltis com uma equipa da distrital… Sei muito bem da motivação de uma equipa que vem de baixo. Este é um campo onde é difícil de jogar. Bolas longas criaram sempre problemas e foi esse um bocadinho o jogo do Paços. Adaptámo-nos a isso e a equipa foi comprometida”, terminou.

Já Alisson, que foi titular, explicou que a dificuldade dos leões foi “mais mental do que outra coisa”. “Temos tempo para recuperar e o próximo jogo é muito importante. Fico feliz pelo nosso apuramento e pela titularidade. Acho que foi um mau jogo da nossa parte, mas conseguimos reverter o ‘placard’. Estou a fazer o meu trabalho, o mister é que decide quem põe a titular”, atirou o brasileiro, que ainda revelou que teve uma conversa com Filipe Cândido, treinador que o contratou quando estava na União de Leiria.