A Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB) vai apoiar este ano a edição no Brasil de 23 obras de autores lusófonos com cerca de 40 mil euros, o que representa praticamente metade do apoio concedido em 2024.

A Linha de Apoio à Edição no Brasil vai beneficiar este ano oito editoras, menos sete do que no ano passado, abrangendo um total de 23 obras, quando em 2024 foram 45, com um investimento financeiro que é também praticamente metade dos 75 mil euros concedidos no ano anterior.

Ao todo, são 20 os autores portugueses e africanos contemplados, cujas obras passarão a estar disponíveis para o público brasileiro.

Estes incentivos financeiros, concedidos anualmente, têm como objetivo proporcionar aos editores brasileiros apoio financeiro para a publicação de obras literárias de autores portugueses, permitindo uma presença atualizada e diversificada da literatura portuguesa, bem como da literatura africana de língua portuguesa, no Brasil.

Estes últimos, em particular, têm suscitado um interesse crescente no Brasil, pelo que serão publicados este ano nove livros de autores moçambicanos, angolanos e cabo-verdianos.

De Pepetela, vão ser editados “Tudo está ligado” e “Maiombe”, de Joaquim Arena “Debaixo da nossa pele”, de Ungulani Ba Ka Khosa “Assim não, senhor presidente!”, de Jofredino Faife “Filha de um deus menor”, de Dom Mido das Dores “A bíblia dos pretos”, da Deusa d’África “Cães à estrada e poetas à morgue”, de Adelino Timóteo “Regresso ao sagrado Macurungo”, e de Ondjaki “Quantas madrugadas tem a noite?”.

No campo da narrativa portuguesa, os editores brasileiros continuam a acompanhar, de forma próxima, o trabalho de autores contemporâneos como Filipa Fonseca e Silva, e o seu “E se eu morrer amanhã?”, Catarina Gomes, com “Terrinhas”, ou Frederico Lourenço, com “Pode um desejo imenso”.

A DGLAB destaca que no âmbito da comemoração dos 25 anos da primeira edição de “Morreste-me”, de José Luís Peixoto, a editora Dublinense, de Porto Alegre, vai publicar uma edição comemorativa deste livro com o qual iniciou, há dez anos, a Coleção Gira, inteiramente dedicada à literatura portuguesa.

Outros escritores portugueses que vão ter obras editadas no Brasil são Marta Pais Oliveira (“Faina”), Luis Filipe Thomaz (“Drama de Magalhães”), José Emílio-Nelson (“Antão ou a prótese de nazareno” e “O amor repugnante”), e Ricardo Araújo Pereira (“Coisa que não edifica nem destrói”).

Na literatura infantojuvenil, sairão os volumes 13.º e 14.º da série de Maria Inês Almeida (“Diário de uma garota como tu: estou sonhando?” e “Diário de uma garota como tu: quase a chegar!”), que a editora Telos publica no Brasil, desde o primeiro número, sob o título “Diário de uma garota como você”.

Abrangidos estão também autores clássicos, como é o caso de Luís de Camões, de quem será editado “Os Lusíadas”, anotado por António José Saraiva, e Fernando Pessoa, de quem serão publicadas “Cartas de amor”, bem como a “Obra completa” do seu heterónimo Ricardo Reis.

Através desta linha de apoio financeiro com mais de vinte anos de realização ininterrupta, a DGLAB concede apoio financeiro aos editores brasileiros, contribuindo para a proximidade dos leitores daquele país com a narrativa, a poesia e a literatura infantojuvenil de outros autores lusófonos.

As propostas de edição, no âmbito da linha de apoio, surgem por iniciativa dos editores brasileiros, na sua maioria editoras independentes de média e pequena escala, com um trabalho gráfico e editorial cuidado e de qualidade.