48 horas. É este o tempo que separa o final da partida do Sporting em Tondela e o início do jogo frente ao Alverca. Pelo meio, os leões terão de cumprimentar os habituais compromissos regulamentares, como a presença na flash-interview e as conferências de imprensa, bem como fazer o trajeto de regresso a Lisboa, com partida daquela cidade do distrito de Viseu. Apesar de a equipa de Rui Borges viver uma série infernal de jogos, o objetivo era só um: ganhar aos auriverdes no embate entre os campeões da Primeira e Segunda Ligas e pressionar o FC Porto. O jogo com os ribatejanos, a contar para a Taça da Liga, passaria, depois, para segundo plano, com o técnico leonino a aproveitar essa partida para dar oportunidade aos jogadores menos utilizados ao longo da época. A garantia foi dada pelo próprio.

Só um leão ferido de Paixão é capaz de mostrar o sorriso que faz cócegas e quebra enguiços (a crónica do Sporting-Marselha)

Durante a semana, o Sporting recebeu o Marselha em mais uma jornada da fase de liga da Liga dos Campeões e aproveitou para dar um pontapé na hipotética crise que se criou em torno da equipa de Borges (2-1). Na partida frente aos franceses, os leões até começaram a perder, mas o treinador mexeu bem na equipa, com Geny Catamo e Alisson Santos, que saíram do banco, a apontarem os golos da reviravolta portuguesa. Em Tondela, com a eventual rotação em cima da mesa, a única certeza para Rui Borges era a ausência de Zeno Debast, que se juntou a Nuno Santos e Daniel Bragança no boletim clínico. Em sentido inverso, o recuperado Ousmane Diomande deveria voltar a ser titular.

“Jogam na sua casa, a estrear um relvado novo e com casa cheia. Vão estar super motivados por defrontarem os atuais campeões nacionais. É uma equipa que gosta de ter bola, até pela ideia do treinador. Na maioria dos jogos até tiveram mais posse que os adversários. É a quarta equipa que mais cria e a segunda que mais falha, só atrás do Sporting. Criam muitas situações de finalização. Estão muito motivados e serem o pior ataque e a terceira pior defesa pode ser enganador. Temos que estar em alerta e ligados. Sinto a equipa feliz. Gostam de se divertir. Sabemos das dificuldades. Essa mudança de chip é sempre muito difícil porque a confiança vai estar sempre em alta frente aos melhores. É ligá-los exatamente da mesma forma. Estes jogos temos de ganhar mesmo. Aqui e ali pode entrar o facilitismo”, explicou o treinador leonino na antevisão.

Ficha de jogo

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Tondela-Sporting, 0-3

9.ª jornada da Primeira Liga 2025/26

Estádio João Cardoso, em Tondela

Árbitro: José Bessa (AF Porto)

Tondela: Bernardo Fontes; Bebeto, Christian Marques, Brayan Medina, Nor Maviram; Cícero Alves (Juan Rodríguez, 70’), Yaya Sithole (Hugo Félix, 84’); Pedro Maranhão, Rony Lopes (Yefrei Rodríguez, 46’), Ivan Cavaleiro (Tiago Manso, 46’); Jordan Siebatcheu (Yarlen Augusto, 70’)

Suplentes não utilizados: Lucas Cañizares; João Afonso, Hélder Tavares e Rémy Vita

Treinador: Ivo Vieira

Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda, Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo (Matheus Reis, 84’); Morten Hjulmand, João Simões (Giorgi Kochorashvili, 89’); Geny Catamo (Geovany Quenda, 73’), Francisco Trincão, Pedro Gonçalves (Alisson Santos, 84’); Luis Suárez (Fotis Ioannidis, 73’)

Suplentes não utilizados: João Virgínia; Georgios Vagiannidis, Eduardo Quaresma e Ricardo Mangas

Treinador: Rui Borges

Golos: Suárez (18’), Pote (59’) e Quenda (90+2’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Cavaleiro (20’), Maranhão (31’), Cícero (55’) e Fresneda (72’)

Com um relvado novo e um Estádio João Cardoso lotado, o Tondela recebeu o Sporting depois de ter goleado o Vila Real na Taça de Portugal (fora, 5-1) e a precisar de pontuar para sair do penúltimo lugar do Campeonato Nacional, em que só conseguiu uma vitória (2-1 em casa do Santa Clara). “Vamos procurar sempre discutir o jogo, procurar a baliza do adversário, procurar somar pontos, sabendo que a tarefa é difícil. É uma equipa competitiva, bem orientada, bem organizada, com excelentes intervenientes na tomada de decisão, no último terço e na primeira fase de construção. É mais difícil motivá-los contra uma equipa do Campeonato de Portugal do que contra um Sporting, porque acho que a motivação já existe de forma natural. Aqui temos que trabalhar mais o equilíbrio emocional dos atletas para perceber aquilo que têm de fazer em campo da melhor forma possível”, sublinhou Ivo Vieira.

Antes do pontapé de saída em Tondela, confirmou-se que Ousmane Diomande era o substituto de Zeno Debast, com Rui Borges a mexer ainda no lado direito do ataque, onde Geny Catamo substituiu Geovany Quenda. Desta forma, Iván Fresneda continuou no lado direito da defesa, ao passo que João Simões voltou a ser titular. Em relação ao último jogo do Campeonato, Ivo Vieira mexeu na defesa e optou por Nor Maviram no lado esquerdo, em detrimento de Tiago Manso. No meio-campo, Cícero Alves jogou na posição que foi de Juan Rodríguez, ao lado de Yaya Sithole, com o ataque a ser o mesmo que atuou em Vila do Conde.

O Sporting entrou forte na partida e, logo no segundo minuto, ficou perto de faturar, com Pedro Gonçalves a ganhar espaço no corredor central, a combinar com Luis Suárez e, isolado, a rematar rasteiro para grande defesa de Bernardo Fontes, que saiu rapidamente da baliza (2′). Pouco depois, Gonçalo Inácio descobriu Maxi Araújo solto na esquerda, o lateral cruzou atrasado e, depois de ninguém conseguir desviar, a bola sobrou para Geny, que chegou primeiro que Ivan Cavaleiro, desferir um remate forte para nova defesa do guarda-redes de 23 anos (7′). Ainda dentro dos primeiros 20 minutos, os tondelenses tentaram sair a jogar com uma bola longa para o ataque, mas Inácio recuperou e deixou para Morten Hjulmand, que colocou de imediato em Pote. O português ganhou espaço e serviu Suárez que, dentro da área, fez um par de simulações com o corpo e atirou rasteiro e cruzado para o golo inaugural (18′).

O cafetero continuou com a corda toda e, depois de um belo passar de Geny, voltou a isolar-se, mas rematou de primeira para nova intervenção de Bernardo (25′). No canto, cobrado por Pote, Hjulmand colocou a bola na zona do segundo poste e, à entrada da pequena área, o goleador cabeceou por cima com tudo para fazer bem melhor (26′). O Tondela continuou com dificuldades em segurar a bola e, em sentido, o Sporting continuou tranquilo, com uma superioridade praticamente imaculada. Depois de nova recuperação alta, de Hjulmand, Suárez recebeu dentro da área e serviu Pedro Gonçalves que, com um toque de calcanhar, finalizou para nova intervenção de Fontes, com a ponta dos dedos (33′). Até ao intervalo, Bernardo Fontes continuou em grande plano e negou o segundo golo em três ocasiões seguidas, de Trincão e Suárez (36′). No lance seguinte, o colombiano recebeu dentro da área, rodou e atirou forte para nova defesa do protagonista da primeira parte (38′). Na melhor ocasião, os beirões desferiram um remate forte por Pedro Maranhão, que Rui Silva parou (42′).

Para a segunda metade, Ivo Vieira colocou de imediato Tiago Manso e Yefrei Rodríguez para os lugares de Ivan Cavaleiro e Rony Lopes, mas a toada manteve-se, com Bernardo Fontes a travar as iniciativas iniciais de Pedro Gonçalves (47′) e Geny Catamo (49′). Pouco depois, Iván Fresneda arrancou pela direita e cruzou para Luis Suárez que, dentro da área, passou a bola por cima de Brayan Medina e, isolado, atirou para nova defesa de Bernardo com o pé (58′). Na jogada seguinte, os leões saíram rapidamente para o ataque, Pote recebeu na esquerda, driblou dois defesa e, já dentro da área, desferiu um remate forte e colocado para o 0-2 (59′). Já com Juan Rodríguez, Jordan Siebatcheu, Geovany Quenda e Fotis Ioannidis em campo, o jogo continuou a ritmo baixo e controlado pelos leões, que ainda lançaram em campo Matheus Reis e Alisson Santos, com Hugo Félix a saltar do outro banco. Ainda houve tempo para Bernardo travar mais um remate de Trincão (89′) e Giorgi Kochorashvili sair do banco (90′). Depois de nova arrancada de Alisson, Matheus cruzou para o segundo poste, onde Quenda fechou as contas de cabeça (90+2′).