Eis o reencontro entre dois grandes no início de um ciclo infernal. Sporting e Marselha mediram forças esta quarta-feira em Alvalade, na terceira jornada da fase de liga da Liga dos Campeões, competição que tinha recebido, precisamente, o último jogo entre as duas equipas. Na altura, em 2022, os franceses gelaram a capital portuguesa e deixaram os leões em situação complicada na prova milionária, ao vencerem por 0-2 e depois de terem goleado em França (4-1). No final, o cenário até se inverteu no Grupo D, com o Marselha a terminar na última posição e o Sporting a seguir para a Liga Europa. Agora, as equipas viviam situações distintas, tendo crescido nas últimas temporadas. De um lado estava o bicampeão português, do outro o líder isolado do Campeonato francês.
Os verde e brancos chegaram ao confronto com os olympiens depois de terem ido a prolongamento frente ao Paços de Ferreira, na terceira eliminatória da Taça de Portugal (fora, 3-2). Apesar do susto, a equipa de Rui Borges carimbou o apuramento para a próxima fase da competição em que defende o título, mas não se livrou de mais 30 minutos de jogo, numa altura em que o calendário começa a apertar… e de que maneira. Depois do Marselha, o fim de semana marca o regresso ao Campeonato, onde o Sporting vai deslocar-se a casa do Tondela, numa partida que está marcada para domingo (18 horas). Contudo, cerca de 48 horas depois do apito final, os leões têm a receção ao Alverca, na Taça da Liga (20h15), num cenário pouco visto no futebol português. Segue-se novo embate com os ribatejanos, na sexta-feira, a contar para a Primeira Liga, pelo que, nos próximos nove dias, o campeão nacional vai ter… nove jogos, três deles disputados em Alvalade.
Ficha de jogo
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Sporting-Marselha, 2-1
3.ª jornada da fase de liga da Liga dos Campeões 2025/26
Estádio José Alvalade, em Lisboa
Árbitro: Rade Obrenovic (Eslovénia)
Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda (Alisson Santos, 80’), Zeno Debast (Ousmane Diomande, 80’), Gonçalo Inácio, Maxi Araújo (Matheus Reis, 90+3’); Morten Hjulmand, João Simões (Fotis Ioannidis, 64’); Geovany Quenda (Geny Catamo, 64’), Francisco Trincão, Pedro Gonçalves; Luis Suárez
Suplentes não utilizados: João Virgínia; Hidemasa Morita, Giorgos Vagiannidis, Giorgi Kochorashvili, Rodrigo Ribeiro, Eduardo Quaresma e Ricardo Mangas
Treinador: Rui Borges
Marselha: Gerónimo Rulli; Benjamin Pavard, Nayef Aguerd, Leonardo Balerdi; Timothy Weah (Ulisses Garcia, 67’), Arthur Vermeeren (Matt O’Riley, 46’), Pierre Hojbjerg, Emerson Palmieri; Mason Greenwood (Michael Murillo, 46’), Igor Paixão (Angel Gomes, 67’) e Pierre-Emerick Aubameyang (Robinio Vaz, 82’)
Suplentes não utilizados: Jeffrey de Lange, Jelle van Neck; CJ Egan-Riley e Bilal Nadir
Treinador: Roberto de Zerbi
Golos: Igor Paixão (14’), Catamo (69’) e Alisson (86’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Balerdi (3’), De Zerbi (37’), Emerson (39’ e 45+2’), Maxi (90’), Pavard (90’) e Pote (90+5’), vermelho a Emerson (45+2’)
“Tem de nos motivar. Se queremos estar nesta competição, queremos defrontar os melhores e nas melhores fases. Vamos vendo muitas coisas para adaptar a nossa postura. Estão numa boa fase da época, vão em primeiro no campeonato. Percebe-se bem a qualidade que está daquele lado. Gostam de ter bola. É uma equipa com muita capacidade para fazer golo. Parece que o meu sorriso faz cócegas a muita gente. Hoje [terça-feira] ri no treino e isso fez cócegas a muita gente. Ainda não entendi bem isso da má fase. Tivemos um jogo menos conseguido contra o Sp. Braga e meia parte diante do Estoril. Para trás ninguém falou da má fase. Diziam que o Sporting tinha boa qualidade de jogo. Estamos em segundo e não em sétimo, a três pontos do primeiro. Passámos na Taça, com dificuldades. Para mim a má fase não existe. A equipa sabe o que tem de fazer e isso viu-se mesmo até quando perdemos o troféu [Supertaça] para o Benfica e quando perdemos com o FC Porto. Foi bem explicita a dinâmica e qualidade da equipa. Não existe má fase”, justificou o treinador de 44 anos na conferência de imprensa de antevisão à partida.
Foi assim que o Sporting procurou quebrar o enguiço frente ao Marselha, que chegava a Portugal a viver uma das suas melhores fases nos últimos anos. Com Roberto de Zerbi ao leme, os franceses assumiram a liderança isolada da Ligue 1 na última semana, depois de terem goleado o Le Havre (casa, 6-2), num jogo em que Mason Greenwood apontou um póquer e apresentava-se como a principal referência ofensiva. “É uma partida importante. O Sporting é uma grande equipa e temos de ter personalidade, mostrar o mesmo que temos vindo a mostrar e fazer o mesmo que fizemos em Madrid e contra o Ajax. É um teste muito importante. Temos de fazer um jogo perfeito, senão não iremos conseguir ganhar. Temos de jogar com humildade. Pensar que vamos ganhar sempre é perigoso, temos de ser humildes e ter coragem de fazer o nosso jogo, sem receios. Isso é muito importante e uma característica das grandes equipas”, explanou o italiano.
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Com as cartas lançadas, Rui Borges voltou a conceder a titularidade a João Simões, que rendeu Hidemasa Morita e juntou-se a Morten Hjulmand no meio-campo, lançando Iván Fresneda e Maxi Araújo nas laterais e Zeno Debast ao lado de Gonçalo Inácio no centro da defesa. Ousmane Diomande recuperou de lesão, mas começou por se sentar no banco. Na equipa forasteira, Roberto de Zerbi procedeu a uma alteração tática, apostando num 3x4x3, com Angel Gomes a ceder o seu lugar a Timothy Weah, que fez toda a ala direita. Com Geovany Quenda mais baixo do que o habitual, a alinhar com os quatro defesas, os primeiros minutos foram de expectativa, embora a primeira ocasião tenha pertencido aos leões, com Francisco Trincão a atirar por cima na cobrança de um livre frontal, à entrada da área (4′). Na resposta, Igor Paixão aproveitou o espaço entre Fresneda e Quenda, rompeu para o meio e, com um remate colocado, ficou a centímetros de inaugurar o marcador (11′).
Depois do aviso, o Marselha acabou mesmo por concretizar, com Pierre-Emerick Aubameyang a variar o jogo da direita para a esquerda, onde Paixão recebeu, puxou para o pé direito e colocou a bola no poste mais distante (14′). Logo a seguir ao golo, a defesa leonina continuou aos papéis e Mason Greenwood quase aproveitou, mas o seu remate rasteiro saiu ao lado (16′). Com os franceses cada vez mais instalados no meio-campo português, um erro de Gerónimo Rulli deixou a bola nos pés de Pedro Gonçalves que, na concretização da jogada, atirou ao lado (25′). Na resposta, os olympiens voltaram a acelerar com perigo, com a bola a acabar nos pés de Greenwood que, com um remate fraco, obrigou Rui Silva a esticar-se para impedir o golo (28′). Os leões acabaram por voltar a chegar à baliza adversária na reta final do primeiro tempo, com Trincão a atirar de longe para as mãos de Rulli (35′). Pouco depois, os marselheses voltaram a perder a bola e permitiu a Suárez isolar-se, mas o avançado atirou contra a mancha do argentino (38′). Antes do intervalo, Emerson Palmieri simulou um penálti perante Maxi e, depois de reverter a decisão inicial, o árbitro expulsou o lateral, que já tinha visto o amarelo (0-1).
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Segundo cartão amarelo e Emerson é expulso ????#sporttvportugal #CHAMPIONSnaSPORTTV #UEFAChampionsLeague #SportingCP #Marselha pic.twitter.com/6142IUis79
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Ao intervalo, De Zerbi reforçou a defesa e manteve-se com três médios, com Michael Murillo e Matt O’Riley a entrarem para os lugares de Greenwood e Arthur Vermeeren. Como seria de esperar, o Sporting instalou-se de imediato no seu meio-campo ofensivo, mas o jogo tornou-se mais lateral, com o Marselha a fechar bem o corredor central. Na primeira ocasião de perigo, Geovany Quenda rompeu da direita para o meio, passou por Murillo e, com pouco ângulo, atirou para uma grande defesa de Gerónimo Rulli, com a bola a desviar no poste antes de sair (58′). No lance seguinte, Morten Hjulmand subiu para roubar a bola aos franceses e lançou Luis Suárez na esquerda, o colombiano recebeu, simulou o remate e, de pé direito, atirou para fora (60′). Logo a seguir foi a vez de João Simões receber orientado à entrada da área e desferir um remate forte e rasteiro para nova defesa do guardião argentino (62′). Com Geny Catamo e Fotis Ioannidis em campo, por trocas com Simões e Quenda, Pote baixou para o meio-campo e a turma de Alvalade passou a jogar com dois pontas de lanças.
De Zerbi respondeu com Ulisses Garcia e Angel Gomes mas, numa jogada rápida pelo meio, Pedro Gonçalves isolou Geny com um toque primoroso e, perante a saída de Rulli, o extremo empatou a partida com um remate colocado (69′). Inicialmente, o lance acabou anulado pelo árbitro auxiliar, mas viria a ser confirmado pelo VAR. À entrada para os últimos dez minutos, Debast lesionou-se no joelho e teve de ser substituído por Diomande, com Borges a aproveitar para colocar Alisson Santos no lugar de Fresneda, e o homólogo italiano a colocar o guineense Robinio Vaz na frente de ataque. Com os leões com a equipa partida, o Marselha voltou a chegar com mais facilidade à frente, mas, num lance individual de Alisson, chegou ao golo da vitória. O extremo recebeu na esquerda, cavalgou para dentro e atirou para a baliza, a bola desviou em Benjamin Pavard e traiu Rulli (86′). Até ao apito final, Rade Obrenovic voltou a errar e expulsou Maxi por alegada a agressão a Pavard, mas o VAR interveio e o árbitro ficou-se pelo amarelo a ambos. Ainda houve tempo para Matheus Reis sair do banco, mas a vitória leonina estava mesmo sentenciada (2-1).
Genyyyyy! ????
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