Podem duas equipas defrontarem-se no espaço de três dias, no mesmo estádio e em competições diferentes? Sim. É incomum, mas por vezes acontece. Bem mais incomum, especialmente se tivermos em conta os regulamentos que, ao que tudo indica, tendem a proteger mais os jogadores, é uma equipa portuguesa ter três jogos no espaço de cinco dias, como aconteceu com o Sporting ao longo desta semana. Os leões começaram a série em Tondela, no passado domingo (fora, 3-0), prosseguindo-a na terça-feira, cerca de 48 horas depois, diante do Alverca, na Taça da Liga (casa, 5-1). Conquistado o apuramento para a final four de Leiria, o Sporting voltou a concentrar-se no Campeonato Nacional, tendo acolhido mais um jogo frente aos ribatejanos, em novo dia de tempestade na capital portuguesa.
O embate entre o bicampeão nacional e o segundo classificado da última Segunda Liga voltou a contar com os “pesos-pesados” nos respetivos onze iniciais, pelo que o favoritismo estava, uma vez mais, no lado verde e branco. Este encontro marcou ainda o reencontro entre os dois rivais lisboetas no Campeonato, algo que não acontecia há 21 anos. Ainda assim, Rui Borges continuou sem contar com os lesionados Zeno Debast, Daniel Bragança e Nuno Santos, mas pôde dar descanso aos habituais titulares no último jogo, como foi o caso de Morten Hjulmand, Pedro Gonçalves e Francisco Trincão. A vitória colocava os leões em igualdade pontual com o FC Porto no primeiro lugar, passando a pressão para o lado dos dragões, numa jornada em que a equipa de Francesco Farioli vai receber o Sp. Braga.
“É uma partida totalmente diferente. Vão existir mudanças nos dois lados, tanto a nível individual, como coletivo. Não estou a dizer que sejam melhores ou piores, mas vão criar coisas distintas. A motivação e o foco são outros. A dificuldade será maior, não tenho dúvidas disso. Estou confiante na resposta que a equipa dará nesta sexta-feira. Vão existir mudanças relativamente ao último encontro, não sou hipócrita. É impossível não existir um ou outro jogador desgastado. Encontro-me confiante acima de tudo. Conversa com o presidente? Sentei-me à mesa para comer, como bom transmontano. Não me passa pela cabeça [o mercado]. A melhor resposta para esse tópico foi o jogo de terça-feira. Os miúdos estão aqui para ajudar. O Sporting é um dos melhores clubes do mundo em termos de formação e só assim os clubes em Portugal vão poder continuar a crescer. Salvador Blopa? Regressou à equipa B, que é a maior ‘chamada à terra’ que pode existir. Tem um potencial enorme e terá um futuro risonho, apesar de tudo ter acontecido muito depressa. Vejo-o muito equilibrado e focado”, assumiu o treinador leonino na antevisão ao jogo desta sexta-feira.
Ficha de jogo
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Sporting-Alverca, 2-0
10.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio José Alvalade, em Lisboa
Árbitro: António Nobre (AF Leiria)
Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda (Georgios Vagiannidis, 15’), Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Morten Hjulmand, João Simões (Fotis Ioannidis, 59’); Geny Catamo (Geovany Quenda, 59’), Francisco Trincão, Pedro Gonçalves (Alisson Santos, 78’); Luis Suárez (Hidemasa Morita, 78’)
Suplentes não utilizados: João Virgínia; Matheus Reis, Giorgi Kochorashvili e Eduardo Quaresma
Treinador: Rui Borges
Alverca: André Gomes; Naves, Sergi Gómez, Bastien Meupiyou; Nabil Touaizi, Sabit Abdulai (Kauan Gomes, 81’), Alex Amorim, Francisco Chissumba; Lincoln (Davy Gui, 69’), Cédric Nuozzi (Tiago Leite, 81’) e Marezi (Sandro Lima, 60’)
Suplentes não utilizados: Matheus Mendes; Steven Baseya, Gonçalo Esteves, Gian Cabezas e Diogo Martins
Treinador: Custódio Castro
Golos: Ioannidis (68’) e Pote (74’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Amorim (36’) e Vaggianidis (85’)
Os alverquenses chegaram a este jogo sem conhecer o sabor da vitória há três partidas, disputadas em três competições diferentes. A equipa de Custódio Castro foi eliminada pelo União Leiria na Taça de Portugal (fora, 2-2, 2-4 g.p.), seguindo-se o desaire na receção ao Gil Vicente (0-4) e a goleada em Alvalade (1-5). Sem Léo Chú e Chiquinho, Marezi era a principal referência ofensiva dos primodivisionários. “Na minha perspetiva, fazemos o melhor que há que é jogar futebol, por isso, o nosso estado de espírito tem que estar bom e a motivação tem que estar no topo. É mais um jogo para mostrarmos a nossa capacidade e crescimento, até de um jogo para o outro. Vamos defrontar o campeão nacional, bem orientado e com um treinador de qualidade, mas esses são fatores para fazer com que a nossa paixão, organização e forma de estar no jogo possam sobressair ainda mais. São estes desafios que nos fazem crescer”, retorquiu o técnico de 42 anos.
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Em relação ao jogo de terça-feira, Rui Borges mudou toda a equipa e voltou ao onze inicial habitual, com Iván Fresneda no lado direito da defesa, João Simões no meio-campo e Geny Catamo no ataque. Já Custódio Castro fez seis alterações, com André Gomes, Sergi Gómez, Nabil Touaizi, Alex Amorim, Cédric Nuozzi e Marezi a voltarem ao onze, do qual saíram Matheus Mendes, Steven Baseya, Gonçalo Esteves, Davy Gui, Diogo Martins e Tiago Leite.
O jogo começou animado, com o Alverca a encontrar espaço nos flancos e a efetuar dois cruzamentos perigosos para as mãos de Rui Silva nos primeiros três minutos, embora, pelo meio, Luis Suárez tenha aparecido em boa posição dentro da área, servido por Pedro Gonçalves, mas o seu remate cruzado saiu para fora (2′). A partir daí, os leões instalaram-se no meio-campo contrário e passaram a jogar junto à área dos ribatejanos, que baixaram as linhas e procuraram compactar o bloco, com a linha de cinco na defesa. À passagem do primeiro quarto de hora, Borges teve de fazer a primeira alteração, por conta de uma entorse sofrida por Iván Fresneda — que saiu em lágrimas — junto à área do Alverca. Com Georgios Vagiannidis em campo, Suárez entregou em Geny Catamo na direita, moçambicano recebeu, puxou para o pé esquerdo e, com um remate cruzado, acertou em cheio no poste direito da baliza de André Gomes (18′).
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Pouco depois, a equipa forasteira saiu rapidamente para o ataque, com Marezi a receber a meio-campo e a conduzir para a área, desferindo um remate de longe, que saiu ao lado (24′). A partir daí, as equipas voltaram a encaixar-se e os lances de perigo desapareceram, com o Sporting a dominar, mas a precisar de rasgos individuais, ao passo que o Alverca dependia muito do seu ponta de lança para sair para o ataque. Já nos últimos minutos do primeiro tempo, Maxi Araújo tirou um cruzamento prensado da esquerda, Suárez recebeu orientado e, junto à pequena área, desferiu um remate forte, cruzado, para um corte providencial de Bastien Meupiyou, em cima da linha de golo (37′). Antes do intervalo, ainda houve tempo para Trincão combinar com Pote na esquerda e cruzar atrasado para Simões que, na pequena área, tinha tudo para encostar, mas falhou a bola (45′), com o nulo a prevalecer ao intervalo (0-0).
A etapa complementar abriu com o Sporting a chegar ao golo de bola parada, com Pedro Gonçalves a cruzar, João Simões a cabecear e, ao segundo poste, Luis Suárez a desviar para o golo. Contudo, depois de consultar o VAR, o árbitro António Nobre invalidou o lance por fora de jogo do colombiano de… oito centímetros (52′). Rui Borges recorreu ao plano B ainda antes dos 60 minutos, juntando Fotis Ioannidis e Suárez no ataque, com Simões a sair. Para além disso, Geovany Quenda rendeu Geny Catamo no lado direito do ataque, ao passo que Custódio trocou Marezi por Sandro Lima. Com a chuva cada vez mais intensa, o jogo aéreo começou a ser a solução encontrada pelos leões para superarem a defensiva alverquense e, em novo canto, o golo lá acabou por aparecer, com Pote a cruzar para o centro da área, onde Ioannidis cabeceou para o fundo da baliza (68′).
Já com Davy Gui em campo, no lugar do apagado Lincoln, o Sporting resolveu a partida… outra vez por Pedro Gonçalves. O internacional português recebeu de Morten Hjulmand na meia-esquerda, encarou um adversário e, de fora da área, desferiu um remate forte para o golo que assegurou a vitória (74′). A partir daí, as equipas entraram em ritmo de gestão, com Alisson Santos, Hidemasa Morita, Tiago Leite e Kauan Gomes a saírem dos bancos. Na parte final, Alex Amorim desferiu um remate de longe que saiu ao lado da baliza de Rui Silva (88′), ao passo que Alisson arrancou com a bola pelo meio-campo alverquense e, dentro da área, desferiu um remate colocado que saiu a centímetros da baliza (90+2′).