O sindicato canadiano LiUNA Local 183 atribuiu, na quinta-feira à noite, 129 bolsas de estudo no valor total de 1,032 milhões de dólares canadianos (705 mil euros), que beneficia também lusodescendentes, e anunciou a criação de uma bolsa internacional.

Jack Oliveira, gestor regional (Business Manager) do sindicato, destacou a importância de investir na educação e na juventude: “A educação é muito importante. Temos a obrigação de ajudar os filhos e netos dos nossos sócios a seguir os seus estudos e garantir-lhes um futuro melhor”.

O programa, criado em 2006, apoia descendentes de membros e reformados do sindicato, promovendo o acesso ao ensino pós-secundário e sublinhando o papel da educação na construção de comunidades mais fortes e inclusivas.

Desde a sua fundação, o sindicato já concedeu mais de 10,7 milhões de dólares canadianos (aproximadamente 7,3 milhões de euros) a mais de 1.100 estudantes.

“No próximo ano, vamos anunciar uma bolsa especial para um MBA na Europa, destinada a estudantes que concluíram quatro anos de estudos com apoio da LiUNA. Vai ser uma grande oportunidade e esperamos que seja a primeira de muitas”, acrescentou Oliveira.

O responsável recordou ainda que o processo de seleção é independente, conduzido por avaliadores externos com base em três critérios: médias escolares, envolvimento comunitário e redação pessoal.

“Este ano recebemos mais de 200 candidaturas e foram selecionados 129 estudantes, o que mostra a competitividade e o mérito deste programa”, disse.

Com cerca de 70 mil membros, muitos deles de origem portuguesa, a LiUNA Local 183 é uma das estruturas sindicais mais representativas da América do Norte.

Oliveira sublinhou o crescimento da organização, com centros de formação em Barrie, Guelph, Kingston e Cambridge.

Joe Mancinelli, vice-presidente internacional e diretor regional da LiUNA para o Canadá Central e Oriental, salientou que o investimento na educação é também uma forma de honrar o legado das gerações anteriores.

“O nosso país precisa de líderes fortes, e esses líderes podem muito bem estar entre os filhos dos nossos membros”, disse.

“Os pais e avós trabalharam arduamente, muitas vezes em condições difíceis. Hoje celebramos não apenas o presente e o futuro, mas também o sacrifício de quem construiu esta organização”, acrescentou.

Mancinelli, que lidera o programa de bolsas desde 1988, lembrou que o fundo começou com uma contribuição simbólica de cinco cêntimos por hora de trabalho e atualmente mobiliza milhões de dólares em apoios anuais.

A cerimónia, realizada no Members Hall da nova sede da LiUNA Local 183, contou com a presença da cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, que elogiou o compromisso da organização com a educação.

“A LiUNA tem o extraordinário mérito de apostar há muito tempo na formação dos filhos dos seus afiliados. A educação é um instrumento de mobilidade social, de cidadania e de democracia — valores que, hoje mais do que nunca, precisam de ser defendidos”, declarou à Lusa.

Entre os estudantes lusodescendentes premiados, Julia Melo (engenharia, Universidade McMaster) afirmou que a bolsa “vai ajudar muito a aliviar a pressão financeira dos estudos”.

Ethan DiGiorgio (Geomática, Universidade de Waterloo) referiu que o apoio “motiva a fazer melhor e a honrar o esforço de quem contribui para este fundo”.

Já Selina Rego (Humanidades, McMaster) destacou o impacto motivador da distinção, referindo que esta bolsa incentiva “a estudar mais e a valorizar o papel da união na comunidade”.

O evento reuniu centenas de convidados, desde dirigentes sindicais, famílias e representantes consulares, num tributo à educação, ao trabalho e à solidariedade entre gerações.