Lô Borges, cantor e compositor brasileiro, morreu na noite de domingo aos 73 anos na cidade mineira de Belo Horizonte, confirmou a família na rede social Instagram. Borges foi uma das peças fundamentais do disco Clube da Esquina, de que foi coautor com o cantor e compositor Milton Nascimento e que se tornou um dos álbuns mais aclamados pela crítica da história da música popular brasileira.
Estava internado nos cuidados intensivos do hospital da capital do estado de Minas Gerais desde 17 de outubro devido a uma intoxicação por medicamentos, tendo morrido devido a uma falência múltipla de órgãos, confirmou a família ao G1.
Dentro do Clube da Esquina, Borges, com apenas 20 anos na altura do seu lançamento em 1972, deu a voz a duas faixas icónicas do disco: Um girassol da cor do seu cabelo e O trem azul, esta última a ser cantada e a dar um nome ao segundo disco póstumo da cantora Elis Regina.
Em 2024, o disco, marcado pela fusão do rock ao estilo Beatles com a bossa nova e com elementos da música clássica, foi classificado em quarto lugar na lista dos “300 melhores álbuns de sempre” da Paste Magazine. Já a edição brasileira da revista Rolling Stone colocou-o em sétimo na sua lista de “100 maiores discos da música brasileira” em 2007.
Há 50 anos, Milton Nascimento quis fugir do mundo e criou o “Clube da Esquina”
No Instagram, a equipa de Milton Nascimento escreveu uma homenagem a Lô Borges. “Foram décadas e mais décadas de uma amizade e cumplicidade lindas, que resultaram em um dos álbuns mais reconhecidos da música no mundo: o Clube da Esquina”, lê-se ainda. “Lô nos deixará um vazio e uma saudade enormes, e o Brasil perde um de seus artistas mais geniais, inventivos e únicos“.
Apesar de emblemático na sua carreira, o Clube da Esquina foi apenas o primeiro de uma longa carreira de mais de 50 anos, marcada por sete anos de pausa após o lançamento do seu primeiro disco a solo, Lô Borges, em 1972.
Ainda este ano, Borges lançou aquele que seria o seu último álbum, Céu de giz, composto por faixas escritas pelo músico Zeca Baleiro, que chamou ao seu último parceiro “um génio, um farol, um cânone da música brasileira”. “Artista único, eterno, inimitável. Deixa um vazio impossível de preencher”, concluiu.