Uma exposição da artista brasileira Roberta Goldfarb com uma instalação de fotografias e flores reais, que transforma gestos quotidianos em arquivo poético e afetivo, é inaugurada em dezembro no Museu de História Natural e da Ciência, em Lisboa.
Intitulado “Bem Me Quer”, o projeto a instalar no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC) resulta de um processo de investigação artística e emocional desenvolvido ao longo de 11 anos, a partir das flores oferecidas à artista pelos seus filhos.
A mostra apresenta uma instalação de fotografias em grande formato acompanhadas por exemplares originais, objetos e anotações que documentam o processo de trabalho da artista radicada entre São Paulo e Lisboa.
Ao longo dos anos, as flores foram secas, acondicionadas e catalogadas segundo um método inspirado nos herbários científicos, criando uma ponte simbólica com as coleções do museu, indica a informação divulgada pela entidade.
No total, a artista reuniu 360 flores provenientes de várias regiões de Portugal e do Brasil, transformando um gesto íntimo e quotidiano num “arquivo de memórias partilhadas”.
Com este método, a artista Roberta Goldfarb propõe uma reflexão sobre a relação entre arte, natureza e afeto, e sobre o modo como a prática artística pode preservar o efémero.
“São gestos transformados em memória, numa coleção que se constrói entre o amor e o tempo”, explica Goldfarb, citada no comunicado, acrescentando que “cada flor carrega um momento, uma história, uma emoção preservada” para sublinhar o caráter íntimo do projeto.
Durante o período em que a exposição estará patente, serão realizadas ações que convidam o público a experienciar o Jardim Botânico do MUHNAC, no sentido de explorar a relação com o conteúdo da exposição, e participar em atividades de observação e catalogação de espécies, “reforçando a ligação entre o olhar científico e o poético”.
A exposição “Bem Me Quer” será inaugurada a 10 de dezembro, pelas 18h00, e poderá ser visitada até 18 de janeiro de 2026, com entrada livre.