A autora Carla Pais venceu esta quarta-feira o Prémio Leya, no valor de 50 mil euros, com a obra A Sombra das Árvores no Inverno, anunciou o júri do concurso, presidido pelo poeta e ex-deputado Manuel Alegre, numa conferência de imprensa efetuada na sede do grupo editorial, em Alfragide.
O galardão instituído em 2008 premeia romances inéditos escritos em língua portuguesa e no passado já foi atribuído a autores de diversas nacionalidades, como o brasileiro Murilo Carvalho, primeiro vencedor em 2008 com o romance O Rastro do Jaguar, o moçambicano João Paulo Borges Coelho, que venceu com O Olho de Hertzog, em 2009, ou o português Afonso Reis Cabral, em 2014, pela obra O Meu Irmão.
No anúncio da obra vencedora, o presidente do júri, Manuel Alegre, destacou a elegância da escrita, referindo que a autora “traz, ao curso do enredo e ao trajeto íntimo e social das personagens, situações problemáticas e convulsas de candente atualidade na Europa, sobretudo decorrentes da imigração oriunda de África e Próximo Oriente”.
Nascida em 1979, Carla Pais, que reside em Paris, já tem outros romances publicados, o último dos quais, Um cão deitado à fossa, recebeu o prémio Cidade de Almada 2018 e o Prémio SPA para o melhor livro de ficção narrativa 2023.
A esta 18.ª edição do Prémio LeYa apresentaram-se 1.460 originais, mais 337 do que no ano passado, tendo sido a edição mais concorrida de sempre, segundo o grupo editorial.
As candidaturas foram provenientes de 22 países, mais sete do que na edição anterior. O Brasil liderou as candidaturas com 933 originais, seguido de Portugal (416), sendo de Moçambique o terceiro maior número de concorrentes, com 31 originais apresentados. Abaixo das 30 candidaturas seguiram-se Angola, Alemanha, Cabo Verde, França, Bélgica, Espanha e S. Tomé e Príncipe, entre outros.
Além do autor de Praça da Canção, constituíram o júri José Carlos Seabra Pereira, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Isabel Lucas, jornalista e crítica literária, Lourenço do Rosário, ex-reitor da Universidade Politécnica de Maputo, Ana Paula Tavares, poeta e Prémio Camões deste ano, e Josélia Aguiar, jornalista e historiadora.
O Prémio LeYa foi criado em 2008, com “o objetivo de distinguir um romance inédito escrito em língua portuguesa”, com o valor pecuniário de 50 mil euros, sendo o maior prémio literário para romances inéditos.