O futebol deixa uma imagem sólida de que conseguiu fazer esquecer o ano zero na era pós-Sérgio Conceição que foi coincidente com a primeira época com André Villas-Boas na liderança, a formação continua a formar talento com potencial de equipa A, as modalidades não começaram da melhor forma a presente temporada mas mantêm os grandes objetivos intactos, o associativismo mantém sinais de retoma, a parte financeira vai ficando mais desanuviada depois de um período de maior asfixia. Para alguns podem ser apenas sinais, para muitos são os sinais que todos esperavam. E foi com base nesses mesmos sinais que o presidente portista deu o mote no arranque da Gala dos Dragões de Ouro, no Dragão Arena, que junta a família azul e branca.

“Tomámos decisões exigentes e difíceis. Confiámos a liderança técnica a Francesco Farioli, um treinador jovem mas com um percurso já sólido, que representa bem o equilíbrio que queremos, o respeito absoluto pelo nosso ADN competitivo e, ao mesmo tempo, uma abordagem moderna ao treino, ao jogo e à gestão do balneário. Fomos ao mercado com rigor. Investimos mais de 100 milhões num plantel que combina experiência e juventude, talento e carácter, jogadores que sabem que, aqui, não basta jogar bem: é preciso ter uma relação de compromisso com o clube e com os nossos adeptos”, apontou Villas-Boas no seu discurso.

“Os sinais dados até agora são encorajadores. Todos sentimos, dentro do balneário e fora dele, que temos condições para lutar até ao fim pelo lugar a que o FC Porto pertence. O sonho de sermos campeões está presente em cada treino, em cada reunião, em cada decisão que tomamos. E esse sonho só faz sentido porque é partilhado por todos: Direção, equipa técnica, jogadores, sócios e adeptos. Sonhamos e queremos este título para que o possamos dedicar a quem tanto deu por nós e pelo FC Porto”, reforçou, antes de passar para muitas outras áreas extra futebol que funcionam como “alicerces sólidos fora das quatro linhas”.

“Em poucos meses, conseguimos dar passos muito importantes no plano financeiro. Alcançámos um resultado líquido consolidado histórico, reduzimos de forma significativa os custos operacionais da SAD, melhorámos os capitais próprios e, ao mesmo tempo, concretizámos o maior investimento dos últimos anos na equipa principal. Estas conquistas estão intimamente relacionadas com o crescimento associativo, onde a resposta dos portistas tem sido extraordinária. Lançámos o novo cartão de sócio, o Portal do Sócio e o Portal da Bilhética e, em cinco meses, o número de associados cresceu em mais de 15.000 novos sócios”, apontou, falando também de outros pontos como o pilar que são as Casas do FC Porto, a Fundação FC Porto, o Centro de Alto Rendimento do Olival e um novo pavilhão multidesportivo que será construído na Campanhã.

“Quando olhamos para a época de 2024/2025, sabemos que foi um ano duro. Tivemos conquistas importantes, lançámos projetos estruturantes, mas não conseguimos o título nacional em futebol que todos desejávamos. Houve momentos de frustração e houve erros, não temos qualquer problema em assumi-lo. O mais importante é que o clube não se escondeu e, por isso, não foi um ano perdido. Iniciámos a época com a conquista da Supertaça de futebol, fomos bicampeões em hóquei em patins, conquistámos a Supertaça e a Taça em basquetebol e celebrámos inúmeras vitórias e títulos na natação e no desporto adaptado. Estes resultados mostram que o espírito portista, competitivo e vencedor, está presente em todas as frentes, honrando o símbolo que representamos e elevando o nome do FC Porto em cada modalidade”, assumiu.

“Em duas épocas desportivas vimos os lugares anuais esgotar num tempo recorde, vemos os estádios cheios em casa e fora, vemos milhares de portistas acompanharem a equipa em deslocações longas e vemos a energia com que nos defendem num sentido de unidade que nos é próprio. É por causa dessa força que o FC Porto continua a incomodar tanta gente. É por causa dessa força que, mesmo quando o caminho parece inclinado, sabemos que não estamos sozinhos. O clube é vosso. A direção que lidero é responsável pela passagem de um património material e imaterial que se quer mais rico nas próximas gerações. O que nos distingue é esta capacidade de nos renovarmos com a mesma vontade de lutar, com realismo, mas sem medo, por um FC Porto maior, mais competitivo e mais fiel à sua identidade”, destacou também André Villas-Boas, que começara o discurso na cerimónia recordando as figuras do clube que partiram nos últimos meses.

“Partiu Pinto da Costa, o presidente dos presidentes, o homem que transformou este clube numa referência mundial, que acreditou sempre que o FC Porto podia ser muito maior e que nos guiou em décadas de conquistas, à data de hoje, as mais importantes do futebol português. Jorge Nuno Pinto da Costa foi o maior dirigente desportivo do futebol mundial e o maior presidente da história do FC Porto. Partiu também o nosso querido Jorge Costa, o nosso Bicho, capitão e dirigente, exemplo de coragem, de lealdade e de paixão pelo emblema; de um amor profundo pelo seu clube, pelas tradições do Porto e do FC Porto. Formado na casa, jogador da casa e veículo transmissor de energia, de nobreza e de alegria. Se há alguém que nos inspira como ninguém, és tu, meu querido amigo Jorge. Perdemos ainda dois jovens que levaram o nome do FC Porto muito longe: Diogo Jota e André Silva, talentos que partiram demasiado cedo, mas que deixaram um rasto de orgulho em todos nós”, relembrou o líder da formação azul e branca.

“São perdas que doem. Tocam-nos como portistas e como pessoas mas obrigam-nos a olhar para o legado que deixaram e a transformá-lo em responsabilidade. Sem memória, não há história. Sem memória, não há futuro. Se queremos um FC Porto forte, moderno e preparado para os desafios da próxima década, temos de ser capazes de parar, lembrar, refletir e agradecer. Cada vez que uma das nossas equipas entra em campo, em qualquer modalidade e escalão, traz consigo um pedaço da história que estas pessoas escreveram. E cada criança que veste pela primeira vez a nossa camisola herda, talvez sem o saber, uma responsabilidade que vem de longe e que se prolonga no tempo graças a estes grandes homens”, salientou André Villas-Boas.

Os vencedores dos Dragões de Ouro de 2025

  • Seccionista: Mário Lopes (Veteranos e FCP Vintage)

  • Projeto do Ano: Portal do Sócio

  • Funcionário: Mafalda Magalhães (diretora do Museu)

  • Dedicação: Vítor Santos

  • Casa: Casa do FC Porto de Ponte da Barca

  • Parceiro: Revigrés

  • Modalidades Amadoras: Ana Filipa Castro (natação adaptada)

  • Modalidades de Pavilhão: Rafa (hóquei em patins)

  • Revelação: Bernardo Lima (campeão europeu e mundial Sub-17)

  • Treinador: Daniel Chaves (futebol feminino)

  • Atleta: Xavi Malián (hóquei em patins)

  • Equipa: Futebol feminino

  • Vintage: António Frasco

  • Futebolista: Rodrigo Mora

  • Sócio: Luís Bacelar (sócio número 4)

  • Carreira: João Pinto

  • Recordação: Jorge Costa

  • Dragão de Honra: Jorge Nuno Pinto da Costa