Depois da tempestade que foi o dérbi de Lisboa, chegou a hora da bonança do dragão. O grande confronto do fim de semana, que foi também o que abriu a 13.ª jornada do Campeonato Nacional, acabou por terminar com um resultado favorável ao FC Porto (1-1), que sabia de antemão que o triunfo em Tondela ia dilatar a vantagem para os rivais e o empate deixaria tudo como estava: três pontos a mais que o Sporting e seis que o Benfica. Ainda assim, este jogo revestia-se de tamanha importância depois do que aconteceu na quinta-feira, frente ao V. Guimarães, que venceu no Estádio do Dragão e apurou-se para a final four da Taça da Liga (1-3).
Esse jogo acabou por marcar a primeira derrota dos dragões em provas nacionais e no seu estádio. Para além disso, a lesão sofrida por Gabri Veiga no momento do primeiro golo podia ter consequências, embora Francesco Farioli tenha assumido no sábado que o médio espanhol estava em dúvida para a visita a Tondela. Contudo, apesar de ter perdido a opção de conquistar um troféu, os portistas vão ter agora menos um (ou dois) jogo no mês de janeiro, que será bastante congestionado para as equipas europeias que estão na discussão da Taça da Liga. Na Beira Alta, o FC Porto procurava manter a boa senda no Campeonato, numa altura em que estavam certas as ausências de Luuk de Jong e Nehuen Pérez, os lesionados de longa data.
“O principal foco é sempre em nós, é a nossa jornada e o jogo de amanhã [domingo]. Acreditem ou não, ontem à noite quis ver o jogo, mas foi incrível, tinha o canal 26 e o 28 a dar, mas o 27 não [BTV na NOS]. Quis registar-me para ver o jogo, mas não posso dizer muito mais sobre isto. É importante termos uma reação apropriada. Quando o último jogo acabou, virámos logo a atenção para esta partida da Liga, contra um adversário que mudou recentemente de treinador. Sei que vai ser o primeiro duelo entre treinadores italianos no Campeonato. Eu e o mister Bacci somos da mesma região e fizemos percursos parecidos com várias experiências fora de Itália. Não temos muitas referências do trabalho dele no Tondela, então tivemos que dar mais atenção aos trabalhos passados, nomeadamente no Moreirense. Esperamos uma equipa organizada, montada no 4x4x2, especialmente com bola”, perspetivou Farioli
Ficha de jogo
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Tondela-FC Porto, 0-2
13.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio João Cardoso, em Tondela
Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)
Tondela: Bernardo Fontes; Tiago Manso, Christian Marques, Brayan Medina (João Afonso, 58’), Nor Maviram; Juanse Rodríguez, Yaya Sithole (Hélder Tavares, 69’), Pedro Maranhão (André Ceitil, 58’), Ouattara Moudjatovic (Ivan Cavaleiro, 58’); Hugo Félix (Yefrei Rodríguez, 82’) e Jordy Siebatcheu
Suplentes não utilizados: Lucas Cañizares; Joe Hodge, Rony Lopes e Rémy Vita
Treinador: Cristiano Bacci
FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa (Martim Fernandes, 82’), Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Francisco Moura; Alan Varela, Victor Froholdt, Rodrigo Mora (Pablo Rosario, 63’); William Gomes (Borja Sainz, 63’), Pepê (Ángel Alarcón, 78’) e Samu Aghehowa (Deniz Gül, 78’)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos; Stephen Eustáquio, Gabri Veiga e Dominik Prpic
Treinador: Francesco Farioli
Golos: Samu (48’) e William (49’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Sithole (38’), Manso (60’) e Moura (90+1’)
Como referiu o italiano, este jogo teve o condão de ser o primeiro duelo entre treinadores transalpinos na história da Primeira Liga, já que Cristiano Bacci assumiu recentemente o comando do Tondela, que vivia uma situação conturbada, com apenas uma vitória e dois empates nos seis jogos anteriores à receção ao FC Porto. “Esta semana continuámos a trabalhar os pormenores táticos e técnicos, mas a ideia é sempre dar mais confiança a uma equipa que precisa. O grupo está focado, a treinar forte, a treinar bem e, por isso, temos de continuar assim. Vamos ter a mesma postura contra todas as equipas. Não vamos mudar por ser o FC Porto, o Benfica ou outra equipa. Farioli? Conheço bem. É um bom treinador, com qualidade, com ideias ofensivas vincadas. Gosto de ver o FC Porto quando joga, sem dúvida, e vou dar os parabéns por isso amanhã. São uma equipa rodada nas ideias ofensivas, habituada a jogar para ganhar. Temos de ter respeito pelo nosso adversário”, explicou Bacci.
A nossa casa ????????????#SóTondela #CDTFCP pic.twitter.com/gkxWtDPNpx
— CD Tondela (@CDTondela1933) December 7, 2025
Conhecidos os protagonistas, Francesco Farioli voltou ao onze base, realizando dez alterações face ao jogo com os conquistadores. Alan Varela foi o único jogador que repetiu a titularidade, com as principais novidades a registarem-se no meio-campo e na frente de ataque: Rodrigo Mora foi mesmo o escolhido para acompanhar Victor Froholdt e Alan Varela, com Gabri Veiga, aparentemente condicionado, a começar o jogo no banco; nas alas, o italiano preteriu Borja Sainz e juntou Pepê e William Gomes, com o brasileiro a passar para o lado esquerdo. Deniz Gül, que também tem passado por problemas físicos, sentou-se no banco. Em relação ao último jogo, frente ao Gil Vicente, Cristiano Bacci fez apenas uma alteração, optando por Tiago Manso no lado direito da defesa, em detrimento de Bebeto, que não constou na ficha de jogo.
Como seria de esperar, o FC Porto assumiu as despesas da partida desde o início, frente a um Tondela que alinhou num 4x4x2 sem bola, com Hugo Félix a juntar-se ao ponta de lança Jordy Siebatcheu, Juanse Rodríguez e Yaya Sithole a formarem a dupla do meio-campo e Ouattara Moudjatovic e Pedro Maranhão nas alas, com constantes permutas de corredor, e tentou condicionar as ações de Varela no miolo. Apesar da posse, os dragões demoraram a criar perigo e a primeira ocasião surgiu de um mau corte defensivo de Brayan Medina, que atirou a bola contra Juanse e, não fossem os reflexos de Bernardo Fontes, tinha feito um autogolo (6′). Pouco depois, Pepê lançou Samu Aghehowa dentro da área, o espanhol passou por Christian Marques e, isolado, atirou cruzado para defesa de Fontes, que saiu rapidamente dos postes para fechar o ângulo (13′). Na resposta, Félix cobrou um canto para o primeiro poste e, vindo de trás, Siebatcheu cabeceou forte, mas sem a direção da baliza (19′).
O jogo continuou aberto com o aproximar do intervalo e os auriverdes colecionaram nova ocasião, com Hugo Félix a encontrar Jordy dentro da área, o avançado ganhou no corpo a Jakub Kiwior e, em desequilíbrio, atirou fraco para defesa de Diogo Costa (29′). Na resposta, William recebeu na direita, à entrada da área e, ao contrário do que é habitual, passou por Nor Maviram por fora, desferindo, depois, um remate forte que foi travado pela mão esquerda do guarda-redes brasileiro (30′). No lance seguinte, o FC Porto inaugurou o marcador por Rodrigo Mora, num lance confuso e com vários ressaltos, mas o português estava adiantado — 25 centímetros — quando a bola saiu dos pés do extremo brasileiro, pelo que o lance foi anulado por Luís Godinho (38′). Na última jogada da primeira tempo, Hugo Félix bombeou um livre para a área e, de cabeça, Medina fez o golo, mas tinha agarrado Froholdt antes de chegar à bola e o árbitro voltou a anular (45+2′).
A instantes de Luís Godinho dar início à etapa complementar, o guarda-redes do Tondela viu ser atirado um petardo para junto de si da bancada portista, que o apanhou desprevenido, à semelhança de um dos assistentes, que estava dentro da baliza a verificar as redes. Sem novidades em campo, os dragões tiveram uma entrada forte e, na sequência de um canto conquistado por Alberto Costa, Rodrigo Mora levantou para a área, Jakub Kiwior atirou colocado para grande defesa de Bernardo Fontes e, na recarga, Samu Aghehowa encostou para o primeiro golo (48′). Logo a seguir, Christian Marques atrasou a bola para o guarda-redes que, depois de dominar, tentou driblar William Gomes, mas perdeu e, só com a baliza pela frente, o brasileiro dilatou a vantagem portista, num lance pouco visto de Fontes ao longo da temporada (49′). Após os dois golos sofridos, Cristiano Bacci começou a refrescar a equipa com vista aos próximos confrontos do “seu” campeonato, colocando João Afonso, André Ceitil e Ivan Cavaleiro nos lugares de Brayan Medina, Pedro Maranhão e do lesionado Ouattara Moudjatovic. Do outro lado, Francesco Farioli apostou em Pablo Rosario e Borja Sainz renderam Rodrigo Mora e William Gomes.
Já com Hélder Tavares no lugar de Yaya Sithole, o jogo entrou num ritmo bastante baixo, com as duas equipas a aceitarem o resultado. Depois de um mau corte de Christian Marques, que atirou a bola contra Sainz, Samu voltou a ter nos pés a hipótese de marcar, mas o seu remate saiu ao lado (77′). Seguiram-se as entradas de Ángel Alarcón, Deniz Gül, Martim Fernandes e Yefrei Rodríguez e, após aparecer em zona de perigo, Tavares atirou fraco quando tinha tudo para fazer melhor (88′). Pouco depois, na sequência de um livre, Nor Maviram rematou ao lado desde a entrada da área (90+1′). Com esta vitória, o FC Porto passa a depender só de si na luta pelo título, à 13.ª jornada (0-2).