Mais de um mês depois do previsto, foi conhecido o último semifinalista da Taça da Liga. O duelo entre o FC Porto e o V. Guimarães estava previsto para o final do mês de outubro, mas o congestionado calendário dos dois clubes levou o jogo a ser adiado 35 dias, para esta quinta-feira. Assim, o frente a frente entre dragões e conquistadores que, nos últimos anos, se tornou numa espécie de clássico dos tempos modernos, ia revelar a equipa que ia acompanhar Sporting, Benfica e Sp. Braga na final four de Leiria, defrontando o bicampeão nacional nas meias-finais. Na retina estava ainda o duelo da primeira jornada do Campeonato Nacional, que terminou com goleada portista (3-0 no Dragão).

Um Samu ao quadrado no dia em que era preciso jogar por e pelo 2 (a crónica do FC Porto-V. Guimarães)

Em termos internos, o FC Porto chegou a esta partida ainda sem derrotas, embora tenha apresentado um decréscimo coletivo de qualidade nos últimos jogos. Ainda assim, a única “escorregadela” em provas nacionais tinha acontecido no clássico com o Benfica, também no Dragão (0-0). Nos últimos dias, depois da vitória sofrida frente ao Estoril (casa, 1-0), os azuis e brancos voltaram a ver o boletim clínico aumentar, assolando os três pontas de lança, embora de formas distintas. Samu Aghehowa tem acusado o desgaste dos jogos de três em três dias e precisava de descanso, ao passo que Deniz Gül falhou o jogo com os estorilistas por conta de um desconforto físico. O caso mais crítico voltou a envolver Luuk de Jong que, depois de ter regressado de lesão, sofreu um toque que originou “uma lesão parcial no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo” e pode ter o resto da época em risco. Por outro lado, João Costa era apontado à baliza por conta do que Francesco Farioli disse na conferência de imprensa de antevisão ao jogo.

“Os últimos quatro jogos foram para diferentes competições. O desejo é o de fazer o melhor possível em todas as competições. Temos de perceber o momento, onde estamos, o momentum da equipa, mas o desejo de fazermos o nosso melhor é claro. Esta é a 19.ª edição da Taça da Liga e só vencemos uma vez. Vamos tentar fazer diferente. Temos de fazer uma avaliação do plantel. Saímos dos últimos jogos com alguns jogadores com problemas físicos. É uma situação que tem de ser avaliada no momento de decidirmos o onze. Temos de preservar a integridade dos jogadores e a saúde deles mas, claro, temos a outra parte que é querer ganhar o jogo. Estamos a trabalhar no duro e a tentar recuperar os jogadores para o jogo de amanhã [quinta-feira]. Talvez o puzzle seja mais difícil que o habitual, mas quem entrar em campo vai aproveitar a oportunidade, provar o seu valor e colocar a equipa na próxima fase”, explicou o italiano.

Ficha de jogo

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FC Porto-V. Guimarães, 1-3

Quartos de final da Taça da Liga 2025/26

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Hélder Carvalho (AF Santarém)

FC Porto: Cláudio Ramos; Martim Fernandes (Alberto Costa 76’), Pablo Rosario, Dominik Prpic, Zaidu Sanusi; Alan Varela (Pepê, 64’), Stephen Eustáquio, Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 46’); Ángel Alarcón, Borja Sainz (William Gomes, 64’) e Yann Karamoh (Samu Aghehowa, 46’)

Suplentes não utilizados: João Costa; Jakub Kiwior, Jan Bednarek e Tomás Pérez

Treinador: Francesco Farioli

V. Guimarães: Juan Castillo; Tony Strata, Óscar Rivas, Rodrigo Abascal, João Mendes (Orest Lebedenko, 88’); Matija Mitrovic (Diogo Sousa, 88’), Beni Mukendi; Telmo Arcanjo (Noah Saviolo, 70’), Samu Silva (Gonçalo Nogueira, 70’), Oumar Camara; Nélson Oliveira (Alioune Ndoye, 58’)

Suplentes não utilizados: Charles Silva; Miguel Maga, Fabio Blanco e Thiago Balieiro

Treinador: Luís Pinto

Golos: Veiga (8’), Nélson Oliveira (g.p., 38’), Samu Silva (53’,) e Camara (g.p., 79’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Sainz (22’), Nélson Oliveira (22’), Lino Godinho (adjunto do FC Porto, 24’), Veiga (25’), Karamoh (31’), Rosario (37’), Abascal (44’), Rivas (45+4’), Luís Pinto (65’), Prpic (79’), Nogueira (81’), Ndoye (85’), Mora (86’) e William (90+6’), vermelho a Henrique Monteiro (delegado do FC Porto, 54’), Pedro Nogueira (fisioterapeuta do V. Guimarães, 74’) e Bruno Monteiro (adjunto do V. Guimarães, 90+3’)

O V. Guimarães chegou à cidade Invicta depois de uma vitória folgada e galvanizadora frente ao AVS (casa, 4-0), num jogo em que Luís Pinto mudou a forma de jogar da sua equipa, optando por um 4x4x2. Ainda assim, na deslocação ao Dragão, perspetivava-se o regresso ao 4x2x3x1. “É um desafio. É um bom teste para percebermos o que esta equipa é capaz de fazer, para percebermos a nossa capacidade de sermos consistentes e o crescimento continuado que queremos ter. Será um bom teste para a nossa capacidade atual e um bom desafio para nos colocar à prova perante problemas diferentes daqueles que temos vivido nos últimos jogos. FC Porto a perder gás? Não concordo. É uma equipa que começou a época de uma forma muito forte e continua assim. Só perdeu um jogo e não foi para a Primeira Liga. É um FC Porto extremamente forte e capaz. Só assim se pode ter um golo sofrido no Dragão nas competições nacionais. Nem é necessário estar a referir a competência do adversário”, explicou o treinador de 36 anos.

Em relação à receção ao Estoril, Francesco Farioli manteve no onze inicial apenas Pablo Rosario, que baixou para central, e Borja Sainz e, ao contrário do previsto, optou por conceder a titularidade a Cláudio Ramos. Desta forma, Martim Fernandes, Dominik Prpic e Zaidu Sanusi juntaram-se ao dominicano no setor mais recuado, com Alan Varela, Stephen Eustáquio e Gabri Veiga no meio-campo. No ataque, Yann Karamoh e Ángel Alarcón foram as grandes novidades, juntando-se ao extremo espanhol. Nos vimaranenses, Luís Pinto fez três alterações: Tony Strata rendeu Miguel Maga no lado direito da defesa, Matija Mitrovic atuou no meio-campo por troca com Gonçalo Nogueira e, no ataque, Samu Silva foi opção, saindo Noah Saviolo.

Com o apito inicial de Hélder Carvalho, confirmou-se que o corredor central ficou a cargo de Karamoh, com Farioli a testar o francês face à lesão de De Jong. Alarcón surgiu na direita, com Sainz na esquerda, como habitual. Nos conquistadores, Samu atuou no apoio a Nélson Oliveira, entrelinhas, com bola, fazendo de terceiro elemento do meio-campo sem bola. Nos instantes iniciais, Rosario desferiu um grande passe para o ataque, pelo ar, Gabri Veiga fogiu aos centrais, isolou-se e, perante a saída de Juan Castillo, fez um chapéu ao guarda-redes para o golo inaugural (8′). Na sequência do lance, o espanhol colocou mal o pé no relvado e ficou queixoso, mas acabou por recuperar. Pouco depois, Carvalho assinalou penálti de João Mendes num lance com Eustáquio, mas a decisão acabou por ser revertida com recurso às imagens, por falta de Varela sobre Samu no início da jogada (24′).

Quando os dragões estavam por cima e o V. Guimarães ainda não tinha chegado à baliza de Ramos, um erro clamoroso de Pablo Rosario, que não conteve a pressão de Oumar Camara, acabou por originar um penálti para os vimaranenses, com o central a derrubar o extremo dentro da área. Na conversão, Nélson Oliveira enganou o compatriota e empatou o jogo (38′). Até ao intervalo, o jogo entrou numa fase com muitas faltas e amarelos, pelo que o empate não foi desfeito (1-1).

Ao intervalo, Francesco Farioli retirou Gabri Veiga e colocou Rodrigo Mora, com Yann Karamoh também a abandonar o relvado, para a entrada de Samu Aghehowa. A primeira tentativa saiu de um lançamento na esquerda, com Zaidu Sanusi a cruzar para o desvio de cabeça do avançado espanhol para o segundo poste, onde Ángel Alarcón apareceu completamente sozinho a rematar de primeira para fora (49′). Na resposta, o FC Porto voltou a vacilar na defesa, num lance em que até dispôs de um canto no lado esquerdo. A bola viajou para trás, Alan Varela perdeu-a a meio-campo para Samu Silva, o médio conduziu para a área isolado e, perante a saída de Cláudio Ramos, atirou colocado para o fundo da baliza portista (53′).

Com a reviravolta consumada, os dragões partiram em busca do empate e, depois de um cruzamento de Alarcón na direita, Samu ganhou a frente do lance, mas falhou a baliza (56′). Já com Alioune Ndoye no ataque, o V. Guimarães voltou a criar perigo por Samu que, com um remate forte, obrigou Cláudio Ramos a uma grande defesa (60′). No canto, Samu Silva bisou num lance de insistência, mas o golo acabou anulado por Ndoye ter agarrado a Pablo Rosario (64′). Farioli respondeu com William Gomes e Pepê nos lugares de Borja Sainz e Alan Varela, mas o jogo entrou numa toada faltosa, com Hélder Carvalho a disparar nos cartões, dentro e fora de campo. Já com Gonçalo Nogueira e Noah Saviolo, e Alberto Costa em campo, uma entrada tardia de Stephen Eustáquio originou novo penálti, que Oumar Camara converteu com precisão (79′). Até ao fim, os dragões ainda tentaram marcar, mas despedem-se precocemente da Taça da Liga. Já o V. Guimarães vai enfrentar o Sporting na meia-final (1-3).