A escritora Lídia Jorge é a vencedora do Prémio Pessoa de 2025, que anualmente distingue portugueses que se tenham destacado na vida científica, artística ou literária. De acordo com o jornal Expresso, o júri considerou que “a sua escrita criativa e diversificada tem sido capaz de revelar o poder da literatura para ajudar a compreender os grandes desafios do mundo contemporâneo”.
A obra de Lídia Jorge, segundo a ata do júri, “incide sobre um espectro muito amplo de temáticas, desde o impacto de situações vivenciais extremas nos seus personagens à recriação de contextos que evocam momentos históricos decisivos da vida portuguesa do último século, em particular no período pós-25 de Abril, como a descolonização, a transição da ditadura para a democracia, a exclusão social e a emergência de novos fenómenos de discriminação e fratura social”.
“A sua intervenção cívica corajosa tem contribuído decisivamente para enriquecer o debate democrático na sociedade portuguesa”, sublinha-se, também, no documento.
Francisco Pedro Balsemão, presidente do júri da edição deste ano, afirmou que Lídia Jorge se mostrou “contente e até comovida” por receber a distinção.
Natural de Boliqueime, no Algarve, Lídia Jorge licenciou-se em Filologia Românica, na Universidade de Lisboa. Foi professora do Ensino Secundário e chegou a viver em África durante o período final da Guerra Colonial.
O Dia dos Prodígios (1980) foi o primeiro romance da escritora. Seguiram-se obras de ficção, teatro, literatura infantil, ensaio e poesia que foram traduzidas em mais de 20 idiomas. Destacam-se A Costa dos Murmúrios (1988), O Vento Assobiando nas Gruas (2002) e Misericórdia (2022), que recebeu várias distinções, como o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (2022), o Prémio Eduardo Lourenço (2023) e o Prémio de Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues (2023).
Desde 2021 que Lídia Jorge ocupa um lugar no Conselho de Estado e, este ano, presidiu à Comissão Organizadora das Comemorações do 10 de Junho, em Lagos, tendo feito um discurso marcado pelo passado colonial português e a memória da escravatura.
O júri da 39ª edição foi presidido pelo CEO da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, e pelo presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo. Contou com nomes como Ana Pinho, Ana Tostões, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Emílio Rui Vilar, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques.
Como prémio, a vencedora recebe 70 mil euros. O primeiro a receber o galardão foi o historiador José Mattoso, em 1987 e, na última edição, o premiado foi o compositor Luís Tinoco.
O Prémio Pessoa foi instituído pelo jornal Expresso e é patrocinado pelo banco Caixa Geral de Depósitos.