O compositor Luís Tinoco venceu o Prémio Pessoa 2024, anunciou esta quinta-feira o júri, numa conferência de imprensa no Palácio de Seteais, em Sintra. É a terceira vez que o galardão é atribuído a uma figura da área da música, depois da pianista Maria João Pires (1989) e do compositor Emmanuel Nunes (2000).

O Prémio Pessoa é uma iniciativa do semanário Expresso e da Caixa Geral de Depósitos que “visa reconhecer a atividade de pessoas portuguesas com papel significativo na vida cultural e científica do país”, lê-se em comunicado enviado às redações. O valor do prémio subiu este ano de 60 mil para 70 mil euros. A instituição bancária anunciou ainda que renovou o patrocínio até 2026.

A obra de Luís Tinoco “revela um sólido domínio da forma e da instrumentação, bem como a linguagem eminentemente pessoal que privilegia a comunicação afetiva com o público, sem nunca comprometer o rigor da escrita”, justificou em comunicado o júri do prémio, este ano composto por Ana Pinho, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, Emílio Rui Vilar, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques, com Francisco Pedro Balsemão a presidir e Paulo Macedo como vice-presidente.

Licenciado pela Escola Superior de Música de Lisboa, mestre pela Royal Academy of Music e doutor em Composição pela Universidade de York, Luís Tinoco é autor de uma vasta obra que se distribui pela ópera e música teatral, pelo repertório de câmara e sinfónico e pelo bailado. As suas composições têm sido interpretadas pelas principais orquestras portuguesas (Sinfónica Portuguesa, Gulbenkian, Metropolitana e da Casa da Música), bem como por agrupamentos internacionais de referência como a Orquestra Filarmónica de Londres, a Orquestra Sinfónica de Seattle, a Orquestra Sinfónica Brasileira e a Orquestra Sinfónica do Estado de São Paulo, ou ainda o Ensemble Lontano, o Quarteto Arditti, o Galliard Ensemble ou o Nouvel Ensemble Moderne.

“Imensamente feliz e surpreendido”

O compositor, em declarações à Lusa, ficou “imensamente feliz e surpreendido” por saber que o seu nome mereceu a preferência do júri este ano, num país que, “entre a área das Artes, das Ciências e das Letras está recheado de pessoas que merecem este prémio”.

“É um voto de confiança enorme. Deixa-me muito feliz, não só a título pessoal, mas também a título daquilo que é a área profissional em que me movo, que é a área da Música, da música clássica, da música erudita”, afirmou.

Luís Tinoco lembrou que a área da Música “tem estado muito pouco presente” no Prémio Pessoa. “Além da alegria pessoa que sinto, espero que esta seja também uma forma de colocar a música e os músicos portugueses no mapa dos interesses das pessoas. E que isso contribua para revitalizar e fortalecer esta área profissional em que me movo”, afirmou.

O anúncio do Prémio Pessoa 2024 aconteceu na véspera de ser estreada uma nova peça do compositor. “Amanhã [sexta-feira] no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, [os pianistas] Pedro Burmester e Mário Laginha estreiam uma peça minha para dois pianos”, revelou Luís Tinoco, que em 2025 estará concentrado sobretudo em dois projetos.

Em março estreia nos Estados Unidos da América a música que está a criar para um ensemble de câmara. Já para o final do ano, em dezembro, tem prevista a estreia de um bailado, da companhia Paulo Ribeiro, para o qual irá escrever uma peça orquestral. A estreia irá acontecer no festival de Cannes, em França.

O vencedor do Prémio Pessoa 2024 recebe 70 mil euros. Luís Tinoco ainda não pensou no destino que irá dar ao dinheiro, mas “seguramente haverá muita maneira de o fazer desaparecer depressa”.

Desde a sua primeira edição, em 1987, o Prémio Pessoa foi atribuído a 40 personalidades (em duas edições com dois premiados em simultâneo), com papel significativo na vida cultural e científica do país. Em 2023, o prémio distinguiu o cardeal e poeta José Tolentino de Mendonça.

Apenas sete mulheres receberam o Prémio Pessoa desde a sua fundação: a pianista Maria João Pires, em 1989, a artista plástica Menez (nome de Maria Inês da Silva Carmona Ribeiro da Fonseca), em 1990, a investigadora Hanna Damásio (partilhando o prémio com António Damásio), em 1992, a historiadora Irene Flunser Pimentel, em 2007, a investigadora Maria do Carmo Fonseca, em 2010, a investigadora Maria Manuel Mota, em 2013, e a cientista Elvira Fortunato, em 2020.