A coordenadora do Braga 25 – Capital Portuguesa da Cultura (CPC) fez neste domingo um balanço “muito positivo” da iniciativa, destacando os mais de 1,5 milhões de espectadores que passaram pelas 1.155 atividades levadas a cabo do longo do ano.

Para a também administradora executiva da empresa municipal Faz Cultura, Joana Meneses Fernandes, que falava na cerimónia de passagem do testemunho de CPC a Ponta Delgada, aqueles números demonstram a capacidade de mobilização que a CPC teve.

“O balanço é, naturalmente, muito positivo”, referiu, vincando ainda que a CPC permitiu a Braga “alcançar uma maior notoriedade a nível nacional naquilo que é a atividade e a dinâmica cultural”, tornando a cidade numa “referência incontornável”.

Joana Meneses Fernandes sublinhou também “o legado que fica de tudo isto” e que se consubstancia “nas oportunidades que se geraram para capacitar os agentes locais para trabalharem em parceria, para se relacionarem com agentes nacionais e internacionais”. “E isso, naturalmente, ficará para além deste fecho e para além daquilo que foi este título”, sustentou.

Joana Meneses Fernandes assegurou que Braga vai continuar a ser uma “capital de cultura”.

“Há muitas raízes que ficam a partir daqui. Acho que, através daquilo que foi a nossa programação, trabalhámos muito intensamente em parceria com instituições nacionais, como o Teatro Nacional de São Carlos, Teatro Nacional São João, Teatro Nacional Dona Maria, Companhia Nacional de Bailado, e atingimos um patamar de referência, sobretudo a este nível destas parcerias, e agora será impossível retroceder nisto que alcançámos conjuntamente”, rematou.

Uma ideia partilhada pela ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, que sublinhou que o objetivo da CPC é que o legado de cada capital perdure ao longo dos anos. No entanto, a governante escusou-se a revelar se o projeto das capitais portuguesas de cultura vai continuar para lá de 2027. “Neste momento, não lhe vou dizer nem que sim nem que não, porque ficará para o momento a seguir e, se eu estivesse a responder essa pergunta, seria esse o destaque e eu quero que o destaque de hoje seja o sucesso que foi o projeto de Braga”, justificou.

Em 2026, o título de Capital Portuguesa da Cultura será ostentado por Ponta Delgada, estando a sessão de abertura marcada para 29 de janeiro, no Coliseu Micaelense.

Aveiro foi a primeira cidade com o título de Capital Portuguesa da Cultura, retomado por iniciativa do Ministério da Cultura em 2024, cerca de 20 anos depois de Coimbra e Faro terem sido capitais nacionais da Cultura, em 2003 e 2005, respetivamente.

As três primeiras edições da nova iniciativa cabem às finalistas vencidas da candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027 (Aveiro, Braga e Ponta Delgada, respetivamente), até que Évora assuma o seu título.

Braga quer criar “central cultural” para produção e consumo de todas as artes

O presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, anunciou neste domingo que vai criar uma “central cultural”, um espaço que a cidade “sinta como seu” e onde se possa produzir e consumir todos os tipos de artes.

Em declarações aos jornalistas à margem da sessão de encerramento da Braga 25 — Capital Portuguesa da Cultura (CPC), João Rodrigues disse esperar que aquela central seja uma realidade durante o atual mandato,

“No fundo, temos a cidade muito bem apetrechada de equipamentos um pouco espalhados pelas diversas freguesias do concelho, que são muitas, são 37, e queríamos criar, não numa lógica centralizadora, mas numa lógica de maximizar aquilo que podemos ter, essa central cultural. Queremos que seja central e que seja um sítio onde se produz, onde se consome, um sítio que está disponível para a população produzir, consumir, procurar a cultura”, apontou.

O autarca sublinhou que ainda não sabe onde é que o equipamento irá nascer, mas admitiu que já tem uma ideia: “Tenho, mas ainda não posso revelar. Não é por razão nenhuma especial, é por uma razão prática. Quando se faz um negócio, é melhor estarmos calados um bocado até ele estar feito e é isso que estou à procura de fazer”.

Braga passou, neste domingo, o testemunho de CPC a Ponta Delgada, mas João Rodrigues referiu que este foi “um dia de fecho, mas não um dia de fim”.

“Tivemos um ano atípico, no bom sentido, foi um ano de muita produção, com muitos espetadores, com muitos espetáculos, e é muito importante garantir que, voltando à normalidade, não nos apequenamos, não deixamos de ter essa produção, não deixamos de ter essa atenção à cultura, não deixamos de ter essa atenção aos criadores, não deixamos de ter atenção ao público e, sobretudo, que há espaço e tempo para que se continue a produzir cultura e a consumir cultura em Braga”, referiu.

Segundo João Rodrigues, o executivo a que preside vai assegurar que o legado da CPC perdurará no tempo e que a cultura será sempre uma prioridade.

“Braga vai tratar a cultura como uma prioridade política, e não como mera decoração”, afirmou. A aposta na criação de públicos, a proteção e valorização dos criadores locais e a manutenção e reforço das redes nacionais e internacionais são outros dos compromissos. João Rodrigues quer que Braga se assuma como “exportadora” de cultura.

A empresa municipal de Cultura de Braga gere, atualmente, o Theatro Circo, o espaço gnration e a Braga Media Arts, que estará sediada no antigo Cineteatro São Geraldo.

Em 2026, a CPC será Ponta Delgada, estando a sessão de abertura marcada para 29 de janeiro, no Coliseu Micaelense.