Antes do jogo, na habitual conferência de imprensa, José Mourinho não teve dúvidas em falar sobre a equipa que iria iniciar o encontro frente ao Estoril – era a melhor. Porque não havia margem de erro, porque o adversário provara com Sporting, FC Porto e Sp. Braga que podia trazer dificuldades, porque ainda não atingiu o ponto de estabilidade para rodar vários jogadores e manter o mesmo nível de jogo. No entanto, havia mais para contar e as alterações realizadas frente aos canarinhos estavam todas “pensadas” à exceção de Tomás Araújo, que teve de ir a jogo depois de uma questão física de António Silva no habitual período de aquecimento. Ou seja, e com alguns problemas sofridos nos últimos treinos, Enzo Barrenechea estava de fora e Aursnes começava no banco. Ainda assim, Pavlidis foi solução para tudo no triunfo com o Estoril.

As costas curvas que carregam a cura para todas as tragédias (a crónica do Benfica-Estoril)

Depois do empate em Braga e toda a polémica que se seguiu, o Benfica conseguiu regressar aos triunfos na Liga, reduzindo à condição a distância para o líder FC Porto para sete pontos (os dragões jogam apenas este domingo nos Açores com o Santa Clara) e ficando a três pontos do segundo lugar do Sporting, que não foi além de um empate em Barcelos frente ao Gil Vicente. Com isso, os encarnados igualaram a melhor série de triunfos consecutivos na Luz na presente temporada e, dois meses depois, conseguiram marcar três ou mais golos jogando em casa, algo que aconteceu pela quarta vez esta temporada.

Pavlidis, com o terceiro hat-trick em 2025/26 que o recolocou na liderança isolada da lista dos melhores marcadores do Campeonato com mais dois golos do que Luis Suárez, do Sporting, materializou um triunfo muito marcado pela eficácia: pela segunda vez esta época os encarnados marcaram em todos os remates enquadrados feitos à baliza do Estoril, algo que até agora só tinha acontecido na deslocação a Alverca. Com isso, e pela primeira vez na história, o Benfica fechou a primeira volta sem qualquer derrota mas em terceiro, a sete pontos do FC Porto (que podem aumentar) e a três do Sporting tendo mais um ponto do que em 2024/25 entre 11 vitórias e seis empates e um registo de golos quase idêntico (36-11/38-11).

“Foi uma vitória difícil mas merecida. Já estávamos à espera de um adversário difícil, portanto não foi novidade para nós. Estávamos preparados para isso, para também nos momentos em que poderiam pressionar-nos alto, porque são uma equipa boa nesses momentos e decidimos esperar um bocadinho mais. Não se pode sofrer aquele golo, pelo desenho do golo, não se pode. Uma coisa é ir para o intervalo com um 2-0, outra é ir com um 2-1. A minha preocupação ao intervalo foi tentar que a equipa não sentisse demasiado aquele golo porque a equipa estava frustrada, em vez de estar contente por estar a ganhar, estava zangada. Depois do intervalo, estávamos à espera que o Estoril fosse mais ofensivo mas honestamente não houve um único momento em que suspirássemos de alívio com uma defesa do Trubin ou com uma bola muito perigosa”, começou por analisar José Mourinho na BTV, antes de “desvendar” mais problemas físicos.

“Depois, na parte final do jogo, tive de me benzer para pôr o Aursnes em campo porque era um risco enorme, mas senti que a equipa precisava da sua tranquilidade mas também da explosão que o Sidny pudesse dar. Havia sempre aquele receiozinho de como iria reagir no primeiro jogo na Luz. A primeira coisa que faz é boa, depois tem a personalidade de tirar um pontapé de canto com qualidade e depois faz a assistência do terceiro golo que acaba com o jogo. São três pontos merecidos, mas três pontos difíceis, frente a uma equipa difícil”, assumiu o técnico dos encarnados, que falou depois da situação de Enzo Barrenechea.

“Pela maneira como eles pressionam, se não interpretas bem é complicado. Têm jogadores mais ofensivos que tentam pressionar os centrais, depois tentam pressionar com o quadrado e por isso tentámos sair mais pelo Dahl, que está mais jogador e está com mais confiança. A situação do Aursnes é preocupante, a lesão do Enzo… vamos ver quantas semanas são. Tudo isso em janeiro significa quantos jogos são de fora. Depois o António, que sentiu também no aquecimento. É uma altura em que precisamos de todos. Entrámos nesta fase dificilíssima com menos armas”, assumiu, antes de abordar o regresso a Leiria para a Final Four da Taça da Liga, de onde acabou por sair em 2002 para o FC Porto. “Não penso muito nisso, obviamente que foi uma fase importante. Foram poucos meses mas foram meses que me puseram na montra dos maiores clubes portugueses. Como sabe, uns meses antes tinha estado no Benfica. Homenagem? Nunca tive a oportunidade de ver mas vou com o Benfica para jogar, não para visitar Leiria ou o União”, salientou Mourinho.

Também Vangelis Pavlidis destacou a importância da vitória, assumindo a felicidade não só pelo hat-trick mas também pela qualidade do segundo golo. “A primeira parte foi um pouco difícil para nós. Depois marcámos os dois golos e tornámos o nosso trabalho mais fácil. Houve um momento em que errámos e o 2-1 foi um pouco como acordar novamente. Na segunda parte gerimos bem o jogo, tivemos boas oportunidades e sim, depois do 3-1, o jogo quase que terminou. Chapéu? Foi um ótimo momento… Sim, é bom. É sempre bom marcar um golo. E se é um golo bonito, então é um pouco melhor, mas continua a contar como um. Não faz a diferença. Só quero continuar e ajudar a equipa”, salientou o avançado grego à BTV.