A abordagem podia ser feita a partir de dois ângulos e ambos sublinhavam a importância do jogo. Por um lado, era um dérbi que era uma meia-final da Supertaça. Por outro lado, era uma meia-final da Supertaça que também era um dérbi. Independentemente das interpretações, algo era certo: esta quinta-feira, tanto Atl. Madrid como Real Madrid queriam ganhar.

Em Jeddah, na Arábia Saudita, os dois rivais procuravam começar o ano da melhor maneira e alimentar temporadas que, tanto no Metropolitano como no Santiago Bernabéu, não a ser fáceis. No Atl. Madrid, Diego Simeone está atualmente no quarto lugar da La Liga e vinha de um empate com a Real Sociedad no País Basco. No Real Madrid, Xabi Alonso está a quatro pontos da liderança do Barcelona e está longe de ser consensual entre os merengues. Ganhar a Supertaça, ainda por cima logo em janeiro, era por tudo isto e muito mais um objetivo claro das duas equipas.

O melhor Barcelona “atropelou” o pior Athl. Bilbao com quatro golos em 16 minutos e volta à final da Supertaça de Espanha

Ainda assim, e até por ser o Real Madrid, pairava a ideia de que a pressão estava sobretudo do lado dos merengues. A equipa de Xabi Alonso foi goleada pelo Atl. Madrid em setembro, ainda não impressionou e passou recentemente por uma fase complexa em que somou duas derrotas e um empate em quatro jogos. Nada que retirasse ambição e vontade ao treinador espanhol, que este fim de semana pode conquistar o primeiro troféu desde que sucedeu a Carlo Ancelotti.

“É uma meia-final, temos de ter uma preparação mental muito boa e competir, cuidar dos detalhes. É sempre um rival exigente. Temos razões para jogar com energia, até porque há um troféu em disputa. Queremos fazer um jogo diferente do do Campeonato. Faltaram-nos coisas e temos isso muito presente porque não queremos cometer os mesmos erros, queremos fazer um jogo de melhor nível. Tenho a certeza de que vamos deixar uma imagem melhor”, sublinhou Xabi Alonso, lembrando que os merengues estão em posição de “lutar por tudo”.

Atl. Madrid e Real Madrid entravam para a meia-final com a certeza de que, independentemente do vencedor, o adversário da final da Supertaça seria o Barcelona, que esta quarta-feira goleou e eliminou o Athl. Bilbao. Assim, Diego Simeone lançava Sorloth e Julián Álvarez no ataque, deixando Griezmann no banco, enquanto que Xabi Alonso apostava em Vinícius e Gonzalo García no setor mais adiantado, com Rodrygo e Jude Bellingham no apoio, e não contava com o lesionado Mbappé.

O jogo começou praticamente com um golo. Logo nos instantes iniciais, na conversão de um livre direto ainda de longe e em posição frontal para a baliza, Fede Valverde rematou com muita força e não deu qualquer hipótese a Oblak (2′), inaugurando desde logo o marcador. O Real Madrid ficou muito perto de aumentar a vantagem já perto da meia-hora, num lance em que Oblak defendeu um pontapé de Rodrygo já na área (29′), e o Atl. Madrid pareceu acordar a partir daí.

No último quarto de hora da primeira parte, os colchoneros acumularam oportunidades para empatar: Courtois defendeu um cabeceamento de Sorloth depois de um canto (34′), o mesmo Sorloth falhou o alvo após uma enorme assistência de Conor Gallagher (36′) e Álex Baena, depois de roubar a bola a Eduardo Camavinga em zona adiantada, atirou para nova defesa do guarda-redes belga (40′). Ao intervalo, contudo, o Real Madrid estava a vencer o Atl. Madrid pela margem mínima.

Diego Simeone mexeu ao intervalo, trocando Conor Gallagher por Le Normand, e a lógica mantinha-se: o Atl. Madrid tinha a bola e estava sempre muito perto da área de Courtois, o Real Madrid limitava-se a defender e não demonstrava capacidade para sair a jogar. Ainda assim, a eficácia continuava a reinar. Na primeira vez em que subiram as linhas, os merengues aumentaram a vantagem por intermédio de Rodrygo, que fugiu à marcação após um passe brilhante de Valverde e atirou rasteiro para bater Oblak (55′).

Desta feita, porém, a reação foi imediata. Escassos minutos depois, Giuliano Simeone desequilibrou na direita e cruzou para a área, onde Sorloth apareceu ao segundo poste a cabecear para reduzir a desvantagem (58′). Simeone fez mais duas substituições, lançando Griezmann e Johnny Cardoso, e Xabi Alonso tirou Raúl Asencio e Rüdiger, os dois centrais, para colocar Fran García e Ferland Mendy, dois laterais.

A última meia-hora foi mais dividida e menos clarividente, com o jogo a partir várias vezes e os lances de perigo meio atabalhoados a surgirem perto das duas balizas. Rodrygo ficou perto de bisar já dentro do derradeiro quarto de hora, com um remate na área que Oblak defendeu (79′), Vinícius ainda se envolveu numa discussão com Diego Simeone quando foi substituído e Griezmann ainda teve tempo para um pontapé acrobático que Courtois defendeu (83′), mas já nada mudou.

O Real Madrid venceu o Atl. Madrid em Jeddah, vingou a goleada sofrida no Campeonato já esta temporada e garantiu a presença na final da Supertaça de Espanha, no próximo domingo e contra o Barcelona (19h), num El Clásico que vai definir o primeiro troféu espanhol do ano.