“O Bolo do Presidente”
Passado no Iraque, nos anos 90, durante o regime de Saddam Hussein, esta fita de Hasan Hadi que representa o país à nomeação ao Óscar de Melhor Filme Internacional, tem como heroína Lamia, de 9 anos, que vive com a avó e é indicada pelo seu professor como tendo de fazer o bolo com que a turma vai comemorar o aniversário do ditador. Mas o Iraque está sob sanções dos EUA, faltam muitos bens essenciais, que são caros no mercado negro, e a avó é pobre. Agarrada ao seu fiel galo e na companhia de um colega e amigo, a menina vai tentar arranjar os ingredientes para o bolo, e enfrentar com candura e teimosia os absurdos, carências e perigos de uma sociedade que vive em ditadura e vai ser invadida em breve. A pequena Baneen Ahmad Nayef conquista-nos no papel de Lamia, num filme que se nota a espaços ter sido (também) pensado para agradar às plateias ocidentais e lhes dar o que esperam de uma produção com esta origem e características.
“A Grande Eleanor”
Scarlett Johansson escolheu a veterana actriz secundária June Squibb para ser a intérprete de A Grande Eleanor, com o qual se estreia na realização de longas-metragens. Eleanor é uma nonagenária muito senhora do seu nariz que vive com a melhor amiga, Bessie, na Florida. Quando esta morre de repente, Eleanor ruma a Nova Iorque, para casa da filha divorciada e do neto, mas além da dor pela morte da amiga e das saudades que tem dela, sente-se indesejada, deslocada e solitária. Um dia, num grupo de um centro de apoio a idosos, e quase sem perceber porquê, ela apropria-se das memórias de Bessie, uma sobrevivente do Holocausto. Essa mentira vai-lhe trazer optimismo e novas amizades, mas também uma situação difícil de manter. June Squibb é, como sempre, muito boa, embora Johansson nunca consiga, nesta pequena produção independente, ir além da mediania diligente, da previsibilidade e das concessões ao sentimentalismo feel good.
“Mata-te, Amor”
Um jovem casal, Grace (Jennifer Lawrence) e Jackson (Robert Pattinson) muda-se para o campo, para a casa de um tio deste, que se suicidou. Grace quer escrever um livro, mas fica grávida e tem que cuidar do bebé e da casa, enquanto o marido (cujo emprego nunca fica bem claro) se ausenta por longos períodos. Um dia, Jackson oferece um cão à mulher para ela se sentir mais acompanhada, mas o presente tem o efeito oposto ao pretendido, porque o animal não pára de ladrar e de fazer disparates e porcarias. E depressa a rapariga começa a dar sinais de desconcerto metal e de desequilíbrio emocional. A britânica Lynne Ramsay assina esta fita baseada num livro da escritora argentina Ariana Harwicz publicado em 2017, e que Lawrence também produz, ao lado de Martin Scorsese. Mata-te, Amor foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.