Não é só na passerelle das Semanas da Moda ou nas red carpets de Hollywood que se fazem statements fashion — Naomi Osaka usou a sua entrada no Open da Austrália 2026 esta terça-feira como um momento de afirmação, ao exibir uma espécie de “exoesqueleto” sobre o vestido desportivo da Nike que usou no court de ténis mais tarde para vencer a croata Antonia Ruzic. A peça verde azulado tie-dye com tecidos fluidos pendurados, que se movimentam como se fossem tentáculos, é apenas uma parte do visual completo — a tenista traz ainda uma minissaia plissada sobre calças de pernas largas com pregas, um chapéu de aba larga e um véu, todos brancos, e um pequeno guarda-sol com inspiração oriental com uma borboleta a repousar no topo. Peças criadas pelo designer de Hong Kong Robert Wun, que já fez figurinos para Beyoncé, Cardi B e Ariana Grande, e é conhecido pelo estilo mais dramático e escultural. “Não estou a entrar apenas como atleta, mas como uma pessoa completa, com uma história, memórias, com uma intenção atrelada a mim mesma“, diz Osaka à Vogue, a propósito do visual.
A ideia surgiu quando Osaka lia para a filha de dois anos, Shai. “Havia uma imagem de uma alforreca, e quando a mostrei ela ficou tão animada”. A tenista levou a inspiração para a equipa da Nike, que incorporou algumas características do animal no visual da jogadora. “A ideia se traduziu lindamente no movimento e na fluidez das camadas transparentes do vestido e da jaqueta. Quando vi durante a prova, lembro-me de ter pensado: ‘Isto é lindo’, mas também de sentir que a história ainda não estava totalmente concluída.”
Foi quando Osaka e o seu stylist, Marty Harper, cruzaram-se com uma imagem de um desfile de Robert Wun. “Fomos instantaneamente absorvidos pelos seus formatos, texturas, e o movimento do seu trabalho“, explica a tenista. “Naomi e Martin vieram ter comigo já com uma grande compreensão de como é o meu mundo. Como fã de ténis, já a compreendia como atleta, mas poder partilhar este momento criativo é muito especial”, disse o designer. Wun, entretanto, trouxe outra camada para o visual: o momento viral em que uma borboleta pousou no rosto de Osaka durante uma partida no Australian Open de 2021, uma espécie de “benção”, como recorda o The Cut. “Um dos visuais da minha coleção de outono de 2024 foi inspirado naquele momento no court”, explica o designer. “Quis revisitar aquela história e juntá-la a este design em colaboração”, destaca Robert Wun. “É o nascimento de algo novo. Simboliza energia, transformação e agitação”, corrobora Osaka.
▲ Depois da entrada, Osaka trocou o véu branco pelo casaco da Nike com o mesmo padrão do vestido
Getty Images
Não é a primeira vez que a tenista japonesa com ascendência haitiana e norte-americana causa sensação com os seus visuais. Em 2024, no regresso ao US Open, Osaka surgiu com vários looks ao estilo “magical girl”, como descreveu a própria, com folhos, laços, pérolas e Labubus customizados. As peças renderam uma coleção da Nike em parceira com o designer japonês Yoon Ahn. Ao mesmo tempo, a atleta de 28 anos foi se aliando a marcas do mundo fashion, desde a Tag Heuer a Louis Vuitton. “Neste momento, sinto-me muito à vontade com o meu estilo. A minha relação com a moda tornou-se muito mais aberta à minha verdadeira expressão. Acostumei-me a ser vista… e, francamente, a ser eu mesma”, conclui Osaka.