Tem suscitado curiosidade desde o dia em que foi anunciada. Sr. Engenheiro, Alegadamente um Musical, que retrata de forma satírica a vida do antigo primeiro-ministro José Sócrates, estreia-se no próximo dia 1 de abril, no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, mas até agora os contornos da peça de teatro da produtora UAU mantinham-se envoltos em muita reserva. Esta terça-feira, em conferência de imprensa, os responsáveis pela produção que custou 600 mil euros levantaram o véu sobre a comédia musical que mistura humor, crítica social e música para revisitar o percurso do ex-primeiro-ministro, da infância na Covilhã até ao julgamento por alegada corrupção.
Eis tudo o que já se sabe sobre o musical sobre a vida de José Sócrates.
Qual é a história?
A história da peça é a vida de José Sócrates, ex-primeiro ministro português. O espetáculo começa com o nascimento de Sócrates “nas Beiras”. “[O engenheiro] acaba de nascer”, revela Rui Melo ao Observador, à margem da conferência. “Depois a peça vai saltando no tempo, vamos ao presente, voltamos ao passado, mas arranca no nascimento e termina no julgamento, no início do julgamento.” Ou seja, a ação deverá atravessar as diferentes fases da ascensão política de Sócrates, até desembocar no momento em que se inicia o julgamento no âmbito da Operação Marquês.
A Operação Marquês será retratada?
Não, uma vez que a peça termina no exato momento que começa o julgamento. “Deixamos aqui em aberto a hipótese de Sócrates Musical parte 2”, disse Henrique Dias, autor do libreto, à comunicação social.
VASCO COELHO/OBSERVADOR
Qual é o elenco?
O elenco é composto pelos atores Alexandre Carvalho, Brienne Keller, Jorge Mourato, Manuel Marques, Marta Andrino, Miguel Raposo, Samuel Alves, Sílvia Filipe, Sissi Martins e Rita Cruz.
Quem faz de José Sócrates?
O ator Manuel Marques. Em conferência de imprensa, Manuel Marques, que está envolvido no projeto desde o princípio, revelou que acabou por ser uma escolha natural da equipa por já ter satirizado o ex-primeiro-ministro em sketches televisivos no programa Donos Disto Tudo (2015, RTP). Ainda assim, o ator diz ter ficado “nervosíssimo”, classificando o papel como “uma grande responsabilidade”.
Quem são as outras personagens?
Os atores do elenco vão multiplicar-se em várias personagens. Questionados pelo Observador, os responsáveis pelo projeto esclarecem que há “um melhor amigo”, políticos, “uma ministra” (interpretada pela atriz Sissi Martins), “uma filha”, “uma ex-mulher”, “algumas namoradas”, “um motorista” e “um rapaz que entrega pizzas”. Quanto à mãe do protagonista, “está presente, mas não enquanto personagem”, esclarecem.
É um espetáculo de comédia?
Sim. “O que nos interessou foi sempre a parte cómica, não temos interesse nenhum em fazer mais nada”, disse Henrique Dias. “Há um julgamento que está a decorrer e isso é para os tribunais. Qualquer juízo criminal não tem a ver connosco, tem a ver com os tribunais. Qualquer juízo moral é feito na cabeça de cada um de nós. O que as pessoas vão ter de fazer quando entram naquela sala é estabelecer um contrato que estão a ver uma peça de ficção e que estão ali para se divertir. Não temos necessidade de fazer julgamento, não é essa a nossa função.”
É um espetáculo político?
“Não pretende ser um espetáculo político. Para quem está à espera de um manifesto político: não é. Isto é um espetáculo de entretenimento, divertido”, diz Rui Melo, encenador. “É um espetáculo sobre ser português. Sobre o que é na sua essência a portugalidade.”
VASCO COELHO/OBSERVADOR
E as canções?
Se a encenação está a cargo de Rui Melo, a música do espetáculo está nas mãos de Artur Guimarães. A peça terá uma banda ao vivo, com Artur Guimarães como maestro e ao piano, acompanhado por Tom Neiva, André Galvão, João Valpaços, Marcelo Cantarinhas e Inês Nunes ou Carlos Domingues, com piano, bateria, baixo, violoncelo, guitarra e viola de arco. Em conferência de imprensa, os responsáveis adiantaram que não há uniformidade em relação ao estilo musical do espetáculo. Tanto terá “baladas” como “rap”.
Qual será a duração do espetáculo?
Os ensaios ainda não começaram, mas, segundo Rui Melo, encenador, a peça “não deverá durar mais do que 1 hora e 40 minutos”.
Quanto custou a produção da peça?
Trata-se de uma “superprodução” com um orçamento de 600 mil euros, de acordo com a produtora UAU, que espera atingir um público “acima das 50 mil pessoas”.
José Sócrates foi consultado?
Não. Henrique Dias, autor do libreto, diz que o texto parte de factos públicos da vida do engenheiro, exacerbados para obter um efeito cómico. “A peça não é uma reconstituição rigorosa do que aconteceu, isso é trabalho dos jornalistas”, disse à imprensa. “É uma sátira, uma farsa que tem como único objetivo fazer o público rir.”
Onde vai ser possível ver o espetáculo?
Sr. Engenheiro, Alegadamente um Musical vai estar em Lisboa, no Teatro Tivoli, BBVA, de 1 de abril a 10 de maio, e depois no Porto, no Coliseu Porto Ageas, de 14 a 17 de maio.
VASCO COELHO/OBSERVADOR
Quanto custam os bilhetes – e já estão à venda?
Os bilhetes já estão à venda desde novembro. Em Lisboa, custam entre 23€ e 37,5€. No Porto, os preços oscilam entre os 20€ e os 37,5€.
José Sócrates já se pronunciou sobre a peça?
Questionado pelo Observador, Henrique Dias diz que até ao momento não teve qualquer contacto com José Sócrates, além da reação do visado no jornal da TVI. “Mostrou-se indignado, mas isso não pode ser uma preocupação”, disse. Os responsáveis dizem que o ex-primeiro-ministro será convidado para a estreia. “Vamos convidá-lo, não sei se virá.”
Os autores têm receio de ser processados?
Questionado sobre o medo de serem alvo de um processo, Henrique Dias contesta:”Não nos passa pela cabeça que isso possa vir a acontecer”. “Os Anjos fizeram-nos perceber que pode acontecer qualquer coisa, mas estamos aqui a exercer duas coisas”, disse referindo-se à “liberdade de expressão” e “liberdade de criação artística”, dois direitos consagrados na constituição. “Se isso acontecer, cá estaremos”, afirmou, reforçando que estão a trabalhar “no campo do humor”.
[Esta é a história de como dezenas de portuguesas se juntaram a mulheres de vários outros países e se tornaram seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Recrutadas numa escola de yoga em Lisboa, muitas acabaram em casas de massagens eróticas ou a serem filmadas em cenas de sexo e orgias. “Os segredos da seita do yoga” é o novo Podcast Plus, do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]