Na CBS, Jamie Carragher e Micah Richards ficaram em êxtase enquanto Thierry Henry congelou. Na Sky Sports, Paul Merson e companhia tiveram de recorrer à calculadora para perceber o que se tinha passado. Na TNT Sports, Steven Gerrard disse que precisava de se deitar um pouco. Com um salto, um cabeceamento e um golo, Anatoliy Trubin colocou o Benfica no playoff da Liga dos Campeões e tornou-se o protagonista do momento mais memorável da última jornada. 

Ao oitavo minuto de descontos na Luz, quando a equipa técnica do Benfica percebeu que só precisava de marcar mais um golo do Real Madrid para ultrapassar o Marselha e ficar no último lugar que dava acesso a playoff dos oitavos de final, o guarda-redes ucraniano subiu até à área contrária e respondeu da melhor maneira a um livre de Fredrik Aursnes para bater Courtois. Correu, deslizou de joelhos, foi saudado e agarrado por todos os colegas de equipa e a bola nem sequer voltou ao meio-campo — num instante, como se o tempo tivesse parado, o Benfica estava apurado.

Trubin foi congratulado por Courtois ainda no relvado do Estádio da Luz, com o guarda-redes belga a esquecer a derrota sofrida para dar os parabéns ao ucraniano. Mais tarde, já na zona de entrevistas rápidas, o guarda-redes de 24 anos explicou que demorou a perceber que o Benfica só precisava de um golo para chegar ao playoff dos oitavos de final.

“Não percebi. No campo, o Tomás Araújo e o António Silva apontavam para dizer ‘um’, mas eu não percebi. Toda a gente estava a dizer-me para me despachar. Depois fui à área e marquei. Não sei o que dizer. Foi um momento louco. Tive um momento parecido frente ao FC Porto, mas agora fiz mesmo golo. Não sei o que dizer. Não sou o Pavlidis, não estou habituado a marcar. É a primeira vez que faço isto. Inacreditável”, começou por dizer.

Mais à frente, não escondeu que a temporada poderia estar a correr de outra maneira. “Somos o Benfica, jogámos para vencer. Estivemos muito bem. Não tivemos medo e eles têm jogadores incríveis, alguns dos melhores do mundo. Podíamos ter melhores resultados. O Benfica só pensa em ganhar títulos. Foi importante para nós seguir em frente para o ‘playoff’. Temos de estar focados. Podemos celebrar, mas depois há jogo. Todos sabemos em que posição estamos no Campeonato. Temos de nos focar e continuar o nosso caminho”, sublinhou.

Para além de ter sido o primeiro guarda-redes de sempre a marcar um golo pelo Benfica, Trubin tornou-se também o sétimo guarda-redes a marcar um golo na Liga dos Campeões — e apenas o terceiro a fazê-lo sem ser de grande penalidade, juntando-se a Sinan Bolat (2009, pelo Standard Liège e contra o AZ) e Ivan Provedel (2023, pela Lazio e contra o Atl. Madrid).

Já esta quinta-feira, nas redes sociais, Trubin mostrou que ficou com a última bola do jogo, assinada por todos os colegas de equipa, e deixou uma dedicatória especial: “Pela Ucrânia. Por todos aqueles que sabem como lutar até ao fim”. “A minha estreia na Liga dos Campeões foi com um jogo contra o Real Madrid. Passaram cinco anos e cá estamos — novamente o Real. Desta vez, com a camisola do Benfica. E com uma confiança diferente dentro de campo. Há momentos em que o futebol nos oferece mais do que alguma vez sonhámos. Até marcar um golo. Obrigado a todos os que apoiaram e estiveram connosco hoje”, acrescentou, numa mensagem partilhada em português, inglês e ucraniano.