Um novo livro de poesia de Manuel Alegre, várias estreias nacionais e internacionais, romances premiados, um clássico de Lamartine e o regresso de José Gardeazabal, László Krasznahorkai, Osamu Dazai e Rosa Montero são algumas das novidades editoriais de fevereiro.
Na poesia, destaca-se Balada do corsário dos sete mares, de Manuel Alegre, um novo livro de inéditos, publicado quando o autor se aproxima dos 90 anos, que reúne poemas de de temática variada — da atualidade internacional à reflexão sobre a própria escrita —, terminando com quatro baladas em redondilha maior.
Na mesma chancela, vai sair também Os sete sentidos e outros lugares, do escritor e jornalista José Carlos de Vasconcelos, o seu primeiro livro de poesia em mais de uma década, num regresso marcado por memórias, política, natureza e meditação sobre o tempo e a escrita.
Na literatura traduzida, a editora recupera O vento que arrasa, romance vencedor do First Book Award no Festival Internacional do Livro de Edimburgo, que em 2012 assinalou a estreia da argentina Selva Almada, prosseguindo assim a publicação da sua obra em Portugal, depois de Raparigas mortas e Não é um rio.
A história passa-se num cenário rural sufocante do norte da Argentina, onde um encontro inesperado entre adultos e adolescentes obriga cada personagem a confrontar crenças, silêncios e passados.
Outra novidade é a saída de Orquestra, do autor catalão Miqui Otero, um romance coral, que narra uma noite de verão através da música e dos segredos de uma comunidade.
Chega ainda Quem diz e quem cala, primeiro romance da italiana Chiara Valerio publicado em Portugal, uma obra “original” que cruza policial, retrato de uma pequena comunidade e narrativa psicológica, segundo a descrição da editora.
Entre as novidades previstas está também Furor botânico, da espanhola Laura Agustí, um livro ilustrado que combina autobiografia, natureza, arte e saberes botânicos, celebrando a relação entre mulheres, plantas e cuidado do mundo natural.
A Alfaguara publica neste mês Tudo na natureza apenas continua, um livro de memórias da escritora chinesa Yiyun Li, que se estreia em Portugal.
Autora premiada e finalista do National Book Award, Yiyun Li escreve sobre o luto e a sobrevivência após o suicídio dos dois filhos, numa obra que a editora diz ser de grande intensidade autobiográfica.
Pela Companhia das Letras, chega Horas azuis, estreia em Portugal da brasileira Bruna Dantas Lobato, um romance autobiográfico sobre migração, distância e relações familiares, aclamado pela crítica internacional.
Na mesma chancela, José Gardeazabal publica Mulher no espaço, um livro de intervenção política e social.
A Cavalo de Ferro reedita O tango de Satanás, de László Krasznahorkai, romance de estreia do Nobel da Literatura 2025 há muito esgotado em Portugal, que consolidou a sua reputação como um dos grandes nomes da literatura contemporânea.
Pela Elsinore, destaca-se a estreia em Portugal da argentina Gabriela Cabezón Câmara com As meninas do laranjal, romance multipremiado, incluindo o National Book Award 2025, e a publicação de Tito Andrónico, de William Shakespeare.
Na chancela Penguin, chegam Esse lugar, da galega Berta Dávila, uma reflexão literária sobre a maternidade, e Terra Estreita, de Mafalda Santos, um romance distópico que imagina uma sociedade reorganizada em torno da distância física.
Para fevereiro, a Antígona tem duas propostas: Na área da ficção, lançará Autobiografia de um polvo, da filósofa e etóloga Vinciane Despret, que cruza ficção especulativa e reflexão científica; na não-ficção, sairá Marcas de batom, de Greil Marcus, ensaio de crítica cultural que traça as ligações improváveis entre o movimento ‘punk’, a música popular e correntes artísticas e políticas do século XX, como o dadaísmo e o situacionismo.
Na Relógio d’Água, o mês traz novos livros da escritora madeirense Ana Teresa Pereira, Aquela que esquece, e de Maria Filomena Mónica, A Universidade, bem como a publicação de Onde Queremos Viver, de Djaimilia Pereira de Almeida e Humberto Brito.
Na literatura traduzida, as novidades são O Céu em desordem, de Slavoj Zizek, um ensaio filosófico e político que reflete sobre a instabilidade do mundo contemporâneo, propondo repensar a ação política num mundo marcado pela desordem e pela incerteza; e Espanto, de Zeruya Shalev, romance que acompanha o encontro entre duas mulheres cujas vidas se cruzam com memórias de lutas clandestinas antes da criação do Estado de Israel.
Na Presença, o destaque vai para Como a laranjeira amarga, de Milena Palminteri, romance vencedor do Prémio Bancarella 2025 e fenómeno editorial italiano, uma saga feminina siciliana sobre identidade, sacrifício e conquista da liberdade através das gerações.
Entre as novidades da editora, contam-se ainda Autorretratos, de Osamu Dazai, inédito em Portugal, que reúne contos e textos autobiográficos que revelam com humor negro e melancolia a fragilidade humana e a alienação do autor japonês; e O caso da estação de Kamata, do também japonês Seicho Matsumoto, clássico policial, em que cada detalhe e silêncio contam na investigação.
O grupo Almedina propõe-se publicar, através das Edições 70, A Invenção do Ocidente. Portugal, Espanha e o Nascimento de uma Cultura, de Alessandro Vanoli, uma reflexão histórica sobre o papel ibérico na transformação do Ocidente; e Genocídio. Uma História Política e Cultural, de Paolo Fonzi, que analisa o genocídio como um campo de disputa política, jurídica e memorial.
Na chancela Minotauro, será publicado Toda a beleza do mundo: O Museu Metropolitano de Arte e eu, de Patrick Bringley, que narra a experiência do autor como vigilante naquele museu de Nova Iorque após a morte do irmão, refletindo sobre arte, luto, beleza e o impacto transformador da arte na vida quotidiana.
Inédita em Portugal, esta obra foi destacada internacionalmente como Livro do Ano pela New York Public Library, Financial Times, Book Riot e The Sunday Times.
Igualmente editado pela Minotauro, chega um clássico do século XIX, Graziella, de Alphonse de Lamartine, romance autobiográfico do romantismo francês que narra o amor entre um jovem francês e uma jovem italiana, explorando temas como o amor idealizado, a natureza, a melancolia e a efemeridade da vida, combinando sentimentos pessoais com a apreciação da paisagem e da cultura italiana.
A Porto Editora traz em fevereiro várias estreias, como é o caso da portuguesa Rute Lourenço, com Telhados de vidro, um retrato do lado oculto da vida de um casal famoso.
Rosa Montero fecha a série de Bruna Husky, com Animais difíceis, explorando uma Inteligência Artificial (IA) que se torna uma ameaça para a humanidade, e Rui Zink publica Olga salva o mundo, um romance também sobre IA, desinformação e justiça popular.
Outra estreia em destaque na editora é a da escritora britânica Florence Knapp, com Os nomes, sobre as diferentes vidas que uma simples escolha de nome pode criar.
A Livros do Brasil publica As noites frias da infância, original de 1980, de Tezer Özlü, primeiro romance da autora turca, que constitui um mosaico de memórias e reflexão sobre opressão feminina e sociedade pós-guerra.
A Assírio & Alvim apresenta em fevereiro Crepúsculo de Outono, de Georg Trakl, Dáfnis e Cloé, de Longo, e Diários de viagem, de Batsuo Bashô.
Entre as publicações da Bertrand para o mês, incluem-se A lenda das marés mansas, de Irene Vallejo, e Jesus e o Império Romano, de James Lacey.
Na Quetzal vão sair O olhar imóvel, ensaio de Mario Vargas Llosa sobre o escritor espanhol Pérez Galdós, a partir da análise dos seus romances, crónicas e peças de teatro; Fragmentos de Apocalipse, de Gonzalo Torrente Ballester, e a reedição daquele que é considerado um dos maiores romances do século XX, A piada infinita, de David Foster-Wallace.
A Tinta-da-China também tem uma autora portuguesa em estreia, Inês Bernardo, de quem publica Agarrar a faca pelo gume, um romance sobre o que é ser mulher num mundo agreste, sobre corpos e olhares, desejo e luto, família e reinvenção.
A mesma editora publica também Sobre os sentimentos, do filósofo António de Castro Caeiro, e reedita, em formato de bolso, o romance O desfufador, de Valério Romão.