Depois do histórico Campeonato da Europa, o regresso à “normalidade” com mais um grande clássico. Na semana passada, Portugal despediu-se de Herning, na Dinamarca, com um histórico quinto lugar no Europeu de andebol. Agora, depois de várias semanas de interrupção nas provas nacionais, o regresso não podia ser melhor, já que o sorteio colocou FC Porto e Sporting frente a frente nos oitavos de final da Taça de Portugal. Os dragões chegaram ao clássico quase na máxima força, exceção feita aos lesionados Diogo Rêma e Miguel Oliveira. Por outro lados, os leões tinham o favoritismo do seu lado, contando com o grande momento dos irmãos Francisco e Martim Costa e de Salvador Salvador para continuarem a perseguir um troféu que não lhes foge desde 2022.

E a partir de agora, Heróis do Mar? “O céu é mesmo o limite”: o que fica da participação histórica no Europeu de andebol

“A equipa está bem. Para os jogadores que ficaram, é sempre mais complicado, pois o último jogo que fizemos foi no dia 20 de dezembro. Só agora é que vamos voltar a ter um jogo oficial, mas estamos bem fisicamente, pois aproveitámos este tempo para trabalhar esse aspeto. Também deu para recuperar alguns jogadores que tinham algumas mazelas. É sempre bom ter amigáveis, mas são jogos difíceis de jogar, pois estávamos privados de alguns jogadores e fomos com vários jovens. É bom para manter o ritmo e até podíamos ter tido mais jogos de preparação. O que é melhor do que voltar com um jogo destes? Estamos entusiasmados e temos trabalhado bem. Pessoalmente, estou confiante que vamos conseguir um resultado positivo. A realidade é que o Sporting tem estado muito forte, tem dominado e tem ganhado praticamente todas as competições nacionais”, perspetivou Daymaro Salina.

“Queremos muito ganhar, passar à fase seguinte e voltar a conquistar a Taça de Portugal para chegar aos nove títulos seguidos. Não tivemos muito tempo de preparação mas, acima de tudo, temos de ter muita fome de ganhar e acredito que assim, fazendo o que temos de fazer e entrando com muita vontade, vamos conseguir ganhar o jogo. A motivação tem de estar em alta e sobrepor-se à parte tática. Não sei se estamos nas mesmas condições [que o FC Porto]. Só tivemos três jogadores a treinar [em janeiro], mas isso não importa. Temos muita qualidade nesta equipa, jogamos juntos há muitos anos e isso não pode servir de desculpa. Sabemos como temos de jogar e queremos ganhar”, antecipou Martim.

Com Ante Grbavac em estreia na baliza portista, o duelo entre os finalistas de três das últimas quatro edições da prova, foi pautado pelo equilíbrio na primeira parte, que terminou empatada (18-18), após 36 golos em 30 minutos e sucessivas alternâncias no marcador. O FC Porto entrou melhor e marcou primeiro, por Vasco Costa, mas o Sporting respondeu de imediato, com Francisco Costa em evidência, mantendo sempre ligeiro ascendente no resultado, apesar da réplica portista, impulsionada também pela entrada do guarda-redes Ante Grbavac. No segundo tempo, a equipa orientada por Ricardo Costa entrou mais eficaz e conseguiu cavar diferenças curtas, ampliadas depois para três golos (25-28).

Apesar da expulsão direta de Christian Moga e das tentativas de reação dos dragões, com Diocou e Daymaro Salina em destaque, o Sporting manteve o controlo do jogo. A vantagem consolidou-se nos minutos finais, com Martim Costa a assumir protagonismo e a ampliar a diferença para seis golos (32-38), sentenciando praticamente a eliminatória, poucos dias depois de ter sido um dos artífices da melhor classificação de sempre da Seleção portuguesa num Europeu. Os leões, recordistas de troféus da prova (19), acabaram por gerir o resultado até ao final (35-40), garantindo a passagem aos quartos de final e mantendo viva a ambição de conquistar a Taça de Portugal pela quinta época consecutiva.