O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, alertou este sábado para a situação dos rios, que continuam a ser a maior preocupação em relação ao mau tempo que se faz sentir no país. Num balanço feito ao fim da tarde, o responsável disse que o plano de cheias no rio Tejo se mantém no nível mais elevado — nível vermelho — e explicou que os rios com maior risco de inundação são o Mondego, o Tejo, o Sorraia e o Sado.

Com risco também de inundação, mas não significativo, continuam os rios Vouga, Águeda, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana. Ou seja, segundo Mário Silvestre, de norte a sul há um potencial elevado de inundações.

O comandante nacional referiu que a maioria das ocorrências registadas até ao momento está relacionada com quedas de árvores, muitas delas sobre vias rodoviárias, viaturas e infraestruturas, o que tem provocado constrangimentos à circulação e exigido intervenções repetidas dos bombeiros.

Falando em situações concretas, Mário Silvestre deu conta de que na vila de Camarate, no concelho de Loures (distrito de Lisboa), um movimento de terras causou danos em várias habitações e admitiu a necessidade de terem de ser retiradas cerca de 70 pessoas.

Na Península de Setúbal, na Costa da Caparica, concelho de Almada, foi registado um movimento de massa que afetou três prédios, tendo já sido efetuada a retirada das pessoas e estando em curso a avaliação dos danos.

No Alentejo Litoral, no concelho de Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, a localidade de Forno da Cal mantém-se isolada, estando o abastecimento às populações a ser assegurado através de embarcações dos bombeiros.

Já no distrito de Santarém, na localidade ribeirinha de Valada, no concelho do Cartaxo, decorrem neste momento trabalhos de reforço no dique, estando a intervenção a ser monitorizada para evitar eventuais falhas na estrutura.

Atualmente, estão ativados sete planos distritais de emergência, 92 planos municipais e encontram-se em vigor 17 situações de alerta, tendo sido registadas já 10.002 ocorrências.

Relativamente a conselhos à população, Mário Silvestre alertou para os riscos da condução noturna, sobretudo em zonas inundáveis, devido à presença de lençóis de água pouco visíveis, e advertiu ainda para os riscos na orla costeira, face à agitação marítima elevada e ao arrastamento de objetos para as vias rodoviárias.

Questionado ainda sobre mensagens nas redes sociais, algumas em páginas sobre clima, sobre a possibilidade de ocorrerem fenómenos como o ‘sting jet’ (forte corrente descendente), o comandante nacional ressalvou não ter qualquer indicação de que tal possa acontecer.

Em paralelo, descartou o reforço de meios operacionais para apoio às eleições presidenciais agendadas para este domingo. “O trabalho que tínhamos para fazer juntamente com a Comissão Nacional de Eleições (CNE) está feito. Não vamos reforçar meios, até porque, em princípio, o dia será de desagravamento das condições meteorológicas”, indicou.

Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.