Esta quarta-feira, algumas das figuras mais reconhecidas do panorama musical português juntaram-se na Casa Capitão, em Lisboa, com o propósito de angariar fundos para apoiar as pessoas afetadas pela depressão Kristin na zona Centro. O evento, batizado Amor ao Centro, esgotou a capacidade da sala e angariou mais de 7000 euros.

Começando ao fim da tarde, os concertos estenderam-se pela noite com atuações de artistas e bandas como Ana Lua Caiano, Inês Apenas, Joana Espadinha, Mães Solteiras, Marisa Liz, Mike El Nite, Surma, xtinto e Iolanda, que conversou com o Observador quanto à forma como este evento foi pensado e quais os seus objetivos, procurando ajudar “entregando música, que é aquilo que nós sabemos fazer”.

Sendo também uma das organizadoras do Amor ao Centro, Iolanda conta que a ideia surgiu de “forma muito natural” entre músicos e criativos que se aperceberam rapidamente “que havia esta necessidade de ajudar a zona centro”. A génese deste concerto solidário partiu de uma conversa entre Alberto Hernández, artista e produtor musical que assina com o nome Luar, e o fotógrafo Lucas Coelho, durante um evento a decorrer quando a Kristin chegou a Portugal, na mesma Casa Capitão que acolheu o Amor ao Centro.

“Estavam a sentir que tinham de fazer alguma coisa porque as tempestades tinham acontecido há coisa de horas. Eles falaram com o Quim Albergaria, que também sugeriu este tipo de iniciativa. Depois foi passa a palavra entre amigos e artistas e juntámos uma equipa de 14 pessoas”, afirmou a cantora, sublinhando que também receberam o auxílio de não-artistas para produzir o evento.

O rol de artistas convidados teve em vista dois pressupostos. O primeiro foi “juntar artistas da zona centro que representam as áreas afetadas e que tiveram problemas nas suas casas ou têm amigos que passaram por isso”, conta Iolanda. Foi o caso da artista de 31 anos, residente de Pombal, tal como os de Bia Maria e xtinto (Ourém), de Jüra (Alcobaça), e de Inês Apenas e Surma (Leiria).

Já o segundo foi trazer também músicos de outras proveniências — em particular, Lisboa — para que “pudessem chamar à atenção, para as suas audiências perceberem que este é um problema que existe e que está a acontecer”. Foi por isso que foram arregimentados Ana Lua Caiano, Ana Mariano, Beatriz Pessoa, Jasmim, Joana Espadinha, Lura, Mães Solteiras, Marisa Liz e Mike El Nite, além dos Bateu Matou, que ficaram a cargo dos DJ sets entre atuações.

De acordo com Iolanda, foram vendidos 380 bilhetes para o evento, esgotando a capacidade da Casa Capitão, permitindo arrecadar 7600 euros. Estes vão ser entregues “na íntegra” a duas associações que estão no terreno a ajudar as populações nas áreas afetadas: a Sharing Love e a Atlas — People Like Us.

“O nosso objetivo foi criar um máximo de valor para que estas associações pudessem continuar o seu trabalho”, frisa a cantora. Para tal, a angariação de fundos não se ficou pela bilhética, sendo que a organização do Amor ao Centro está a “fazer uma angariação de voluntários para ambas as associações” e criou merchandising de propósito para juntar mais dinheiro. Além disso, aponta Iolanda, alguns dos artistas envolvidos no evento “doaram merch que também reverte para essa mesma causa”.

Para quem não pôde estar presente neste concerto, Iolanda frisa que ainda há formas de ajudar, nomeadamente ao contribuir para uma página de angariação de fundos na plataforma GoFundMe, que vai estar ativa até à meia-noite de sexta-feira, 13 de fevereiro. Até à data, já foram recolhidos quase cinco mil euros, sendo que o objetivo é chegar aos 10 mil.