Imagine-se a reacção da Porsche quando foi surpreendida pela introdução no mercado chinês de um modelo que é uma cópia perfeita do seu Taycan, mas comercializado por valores bem mais acessíveis, com uma redução de 73%. O modelo em causa é a berlina desportiva Z7, bem como a versão shooting break Z7T, fabricados pelo construtor estatal Saic, mas controlado pela Hima (de Harmony Intelligent Mobility Alliance), uma joint venture com a Huawei, que fornece tudo o que é smart technology, soluções de carregamento a 800V, sistemas avançados de ajuda à condução, software, infotainment e marketing.
É bom recordar que a Porsche possui há anos uma enorme exposição ao mercado chinês, depois de vender em 2021 cerca de 100 mil unidades por ano, o que representava cerca de 30% do total das vendas à época, tendo vindo depois a cair continuamente até em 2025 registar apenas 41 mil veículos vendidos, o que equivale a aproximadamente 15% das vendas globais. Explicações para este tropeção nas vendas são várias, incluindo a crise económica que a China atravessa e que tende a afastar os clientes locais dos produtos mais caros, especialmente quando, simultaneamente, os construtores chineses começam a propor modelos similares e substancialmente mais baratos.
A primeira ameaça chinesa ao Taycan foi o Xiaomi SU7, berlina proposta por preços a partir de 229.900 yuans na China (cerca de 29.000€), que oferece uma versão com 1548 cv e que já começou a perseguir os recordes do Porsche em pista, com a berlina chinesa a envergonhar a alemã ao bater o recorde do melhor tempo por volta em casa do rival, ou seja, no mítico traçado de Nürburgring. Para complicar ainda mais a situação da marca germânica, a Saic lançou agora o Z7, pelo que é de prever que se as vendas dos modelos alemães já estavam a cair, vão fazê-lo a um ritmo ainda mais acelerado a partir de agora, com a Porsche a parecer condenada a ser batida por duas empresas que são sobretudo conhecidas como fabricantes de telemóveis.
Berlina mais potente do mundo é o Xiaomi SU7 Ultra com 1548 cv
Os Saic Z7 e Z7T copiam descaradamente os Taycan e Taycan Cross Turismo, uma tradição entre os construtores chineses que infringe tudo o que são regras (e leis) do mercado, mas de que abundam exemplos. As marcas ocidentais são as vítimas mais frequentes da “criatividade” chinesa, da Land Rover à Range Rover, passando pela VW, de quem copiaram o Carocha, para depois o vender na Alemanha e registar como seu.
Segundo a imprensa chinesa, o Saic Z7 usufrui de uma arquitectura a 800V, tal como o Taycan, mas enquanto os alemães tiveram de a adquirir aos croatas da Rimac, o Z7 herdou a tecnologia de um dos seus accionistas, a Huawei, com a berlina chinesa a recarregar energia para percorrer mais 200 km em somente 5 minutos. Paralelamente, o Z7 monta baterias com 80 kWh nas versões mais acessíveis, para as mais potentes instalarem acumuladores com 100 kWh, mais uma vez em sintonia com os Taycan, o que permite ao eléctrico chinês anunciar uma autonomia superior a 700 km.
Na China, o Z7 é proposto por valores que oscilam entre 250.000 e 350.000 yuans, o equivalente a 31.200€ e 43.600€, consoante sejam versões com um ou dois motores e um acumulador com menor ou maior capacidade. Estes valores batem de forma esmagadora os praticados pela Porsche, que exige a partir de 918.000 yuans na China, ou seja, cerca de 114.000€. Em Portugal, o Taycan é proposto entre 108.000€ (Taycan) e 253.000€ (Taycan Turbo GT).