A obra “Lusitana Música. Clássicos da Discografia Portuguesa de Música Erudita”, de Tiago Manuel da Hora, a editar no próximo dia 09, apresenta “uma visão global das raízes e da evolução da música erudita”.

A afirmação é do musicólogo Rui Vieira Nery, no prefácio, que refere ainda a “análise mais aprofundada de algumas séries editoriais que marcaram de forma mais intensa esse historial”.

“A síntese histórica assim proposta é um instrumento de referência utilíssimo para a compreensão do fenómeno, não só do disco dito ‘clássico’ em Portugal, como do processo mais geral da gravação fonográfica no nosso país, nos seus sucessivos suportes tecnológicos, desde os alvores do século XX”, prossegue Vieira Nery.

Nery realça que a obra, editada pelo Movimento Patrimonial da Música Portuguesa (MPMP) vem colmatar uma falta na bibliografia musical portuguesa – um ensaio “que conjugue a exigência de rigor da investigação fundamental, mas procure chegar a um leque significativo de leitores interessados, fora do âmbito estritamente universitário”.

O musicólogo realça o “resgate” que Tiago da Hora faz de nomes “cuja memória bem merecia […], porque dificilmente temos hoje uma ideia de quanto tiveram de lutar” por “projetos artísticos fundamentais na história da discografia erudita portuguesa”.

Neste contexto, o musicólogo lembra os maestros Pedro de Freitas Branco e Joaquim da Silva Pereira, as pianistas Nella Maissa e Olga Prats, o regente, tangedor de alaúde e musicólogo Manuel Morais e o organista e investigador Joaquim Simões da Hora, além de “todos os cantores, instrumentistas, regentes, musicólogos, produtores e técnicos de som que souberam — e ousaram — trazer para o universo da nossa vivência musical atual tantos documentos centrais do legado criativo da história da música portuguesa”.

A obra “Lusitana Música. Clássicos da Discografia Portuguesa de Música Erudita” é apresentada no próximo dia 09 de abril, às 18h30, na FNAC NorteShopping, em Matosinhos, pelo autor e por Rui Vieira Nery.

Tiago da Hora, com um “percurso académico, científico e profissional, claramente atípico, numa perspetiva tradicional”, mas que inclui “sólidas provas dadas na esfera estrita da formação e da investigação”, é doutorado em Ciências Musicais, pela Universidade Nova de Lisboa (UNL) e mestre em Musicologia Histórica desde 2010, também pela UNL. Desempenha atualmente as funções de investigador colaborador do Centro de Estudos em Música, da UNL.

Anteriormente, entre outros títulos, Tiago da Hora publicou “Espólio Manuel Ivo Cruz: Música Manuscrita Portuguesa e Brasileira” (2013), e foi coautor de “A Sociedade Orpheon Portuense (1881-2008): Tradição e Inovação (2014)”.