Os protestos estudantis contra o Governo albanês em Tirana, a capital do país, continuam pelo terceiro dia consecutivo. Imagens das ruas e de atos de vandalismo estão a ser transmitidas pelas televisões. Os manifestantes, que exigem melhores condições no Ensino Superior e perspetivas de emprego, já tinham esta quarta-feira incendiado o Ministério da Educação.
O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, garantiu que não se vai demitir. “Quanto aos apelos à minha demissão, os governos mudam-se em eleições democráticas. Tivemos eleições no ano passado, não uma revolução”, afirmou Rama por escrito à agência Reuters.
A polícia recorreu a gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes que marchavam por várias das principais artérias de Tirana, enquanto os protestos se alastravam a outras cidades do país. Os manifestantes exigem a demissão de Rama e um maior apoio aos estudantes albaneses, apontando como motivos as más condições das universidades e as elevadas propinas.
“A minha responsabilidade é ouvir, dar resposta a preocupações legítimas e manter a Albânia no rumo do progresso. A alternativa seria uma traição aos albaneses que me deram um mandato forte para concluir as negociações de adesão à União Europeia”, disse Rama, declarando-se disponível para discutir o aumento dos custos da educação, mas alertando: “Atacar instituições, destruir património público e ameaçar a segurança pública nada têm a ver com as reivindicações legítimas dos estudantes.”
Segundo a polícia albanesa, 51 agentes ficaram feridos durante os protestos de quarta-feira e 65 pessoas foram detidas por suspeita de “ataque a agentes policiais, instituições e património público e privado”. Já sobre o número de manifestantes feridos, as autoridades não avançaram dados, mas o hospital público de Tirana revelou que pelo menos “sete manifestantes [que ficaram] feridos nos confrontos violentos recorreram a cuidados médicos”, escreve o The Guardian.
O protesto destes dias insere-se num movimento de contestação mais alargado que assola o país desde o final de maio, designado como “protestos Flamingo”, e que exige a demissão do primeiro-ministro, Edi Rama. O nome provém dos flamingos cor-de-rosa cuja existência pode estar ameaçada pelo empreendimento turístico de luxo que Jared Kushner, genro de Donald Trump, quer construir na costa sul da Albânia. O projeto, cuja construção implicaria a destruição de uma zona natural, tem sido alvo de contestações judiciais e desencadeou críticas à alegada corrupção e à falta de transparência do Executivo albanês.