O Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, anunciou esta quinta-feira a aquisição de um desenho maneirista de Fernão Gomes (1548-1612), uma miniatura inglesa do século XVIII e uma vista da Praça do Comércio atribuída a Charles Percier (1764-1838).
De acordo com o museu, uma das incorporações irá para o núcleo de desenho maneirista, “A Disputa dos Doutores”, de Fernão Gomes, datado de cerca de 1590 pelo pintor nascido em Espanha que se fixou em Lisboa, onde desenvolveu a maior parte da sua carreira, sendo considerado um dos maiores expoentes do Maneirismo em Portugal.
Executado a pena com tinta castanha, aguadas castanhas e realces a guache branco, o desenho mede 25,8 por 20 centímetros e foi adquirido em Paris, “contribuindo para consolidar o conhecimento da sua obra gráfica pelas suas características expressivas e estilizadas”, indica um comunicado do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA).
Outra incorporação considerada relevante para a coleção de desenho do museu é a “Vista da Praça do Comércio”, atribuída ao arquiteto francês Charles Percier, assinada e datada “Percier 1796”.
Executado a pena, nanquim e aguada cinza sobre papel, o desenho mede 20,5 por 42,8 centímetros e foi também adquirido em leilão em Paris, podendo a autoria vir a ser confirmada por investigações futuras sobre o conceituado arquiteto e decorador francês, indica o MNAA.
“Este desenho assume uma extraordinária relevância como documento visual por ser único e registar uma fase adiantada da construção da Praça do Comércio. Nele se vê que, para além dos três corpos que circundam a praça, também o torreão do lado nascente já se encontra construído, embora sem o remate que atualmente ostenta. Ao invés, o torreão do lado poente encontra-se ainda no início da construção, assim como o corpo adjacente com as arcadas”, descreve.
Esta vista panorâmica “é da maior importância para os estudiosos do urbanismo da cidade, e muito particularmente para aqueles que se dedicam ao estudo desta importante praça de Lisboa, moldada no espírito do Iluminismo europeu”, salienta o museu.
O acervo do MNAA recebeu também um “Retrato de figura feminina”, miniatura inglesa de cerca de 1795, em aguarela e guache sobre marfim, com 7,8 por 6,6 centímetros, reforçando “de modo significativo” o núcleo de produção britânica do museu.
“A jovem retratada enverga uma indumentária característica do final do século XVIII, um vestido branco inspirado no ‘robe en chemise’ e um penteado com uma faixa que sustém o cabelo empoado”, descreve sobre o retrato oval.
A peça apresenta ainda no reverso uma grinalda de flores executadas em cabelo, envolvendo uma urna ao centro, elemento iconográfico característico do repertório funerário neoclássico.
O MNAA encerrou em 29 de setembro de 2025 para obras no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sem data exata de reabertura, mas que a direção prevê para o segundo semestre deste ano.
As intervenções de conservação e requalificação em curso contemplam o património integrado da Capela das Albertas, as coberturas e fachadas do museu e a renovação museográfica do piso intermédio do Edifício Rebelo de Andrade.
Durante o encerramento, o museu — com cerca de 40.000 peças à sua guarda — tem estado a realizar atividades fora de portas com o projeto “O MNAA está Aqui”, com o objetivo de dar a conhecer as peças do seu acervo depositadas em várias instituições museológicas de norte a sul do país, e nos Açores e Madeira.