Era uma espécie de déjà vu quase imediato em que a repetição do momento original aparecia escassos dias depois. O Barcelona recebia o Atl. Madrid na primeira mão dos quartos de final da Liga dos Campeões menos de uma semana depois de o ter visitado na La Liga — e era impossível não olhar para o jogo de sábado e fazer uma espécie de futurologia para o jogo desta quarta-feira.

No fim de semana, no Metropolitano, o Atl. Madrid começou a ganhar, viu Nico González ser expulso nos descontos da primeira parte e o Barcelona deu a volta com um golo de Lewandowski já perto do fim. Resultado? Os catalães ficaram ainda mais no primeiro lugar, aproveitando a derrota do Real Madrid em Maiorca, e os colchoneros falharam o assalto à terceira posição do Villarreal — numa espécie de vingança pelas meias-finais da Taça do Rei, em que o Atl. Madrid eliminou o Barcelona no conjunto de duas mãos. Na Liga dos Campeões, porém, não há pontos, matemática ou revanches.

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“Temos de jogar à nossa maneira. Se não o fizermos, se não pressionarmos, será fácil atacarem-nos o espaço. Toda a gente tem de estar comprometida com a defesa, temos de ser compactos, estar bem posicionados e ter entreajuda. Temos de atacar e defender em conjunto. Os nossos adeptos serão muito importantes”, disse Hansi Flick na antevisão, vincando ainda que não irá tolerar “discussões” com árbitros ou adversários, já que Lamine Yamal, Fermín López, Marc Casadó e Gerard Martín estavam todos em risco de suspensão por acumulação de cartões amarelos.

“Não importa quem está à nossa frente na eliminatória, temos de avançar até à final. Sabemos o tipo de jogo que vamos enfrentar em Barcelona, conhecemos as capacidades do nosso adversário. Estamos aqui para competir e para levar o Barça até um nível em que possamos causar danos. Eles são uma daquelas equipas que ataca melhor do que defende, têm a capacidade de marcar muitos golos. Nós estamos a entrar nesse processo, de atacar melhor do que defendemos”, explicou Diego Simeone, que aproveitou para se despedir de forma emocionada de Antoine Griezmann, que no fim da temporada vai rumar ao Orlando City dos EUA.

Assim, em Camp Nou e sem contar com os lesionados Raphinha, Marc Bernal e De Jong, Hansi Flick lançava Lamine Yamal, Dani Olmo e Rashford no apoio a Lewandowski, com João Cancelo a ser titular na esquerda da defesa. Já Diego Simeone, que continuava sem o guarda-redes Jan Oblak também por lesão, mantinha Juan Musso na baliza e apostava em Julián Álvarez e Griezmann no ataque, com Lookman e Giuliano Simeone nos corredores.

Numa primeira parte animada e agitada, o Barcelona começou melhor e podia ter inaugurado o marcador ainda nos instantes iniciais — e muito graças ao bom entendimento entre João Cancelo e Rashford na esquerda. O avançado inglês rematou de fora de área para Juan Musso defender (2′), fez exatamente o mesmo já dentro de área logo a seguir (4′) e ainda atirou ao lado (14′), enquanto que o português teve a possibilidade de marcar com um pontapé, descaído na esquerda, que Musso também afastou (10′).

Rashford marcou mesmo ainda dentro dos primeiros 20 minutos, com o lance a ser prontamente anulado por fora de jogo de Yamal na altura da assistência (17′), e Diego Simeone teve de fazer a primeira substituição por lesão de David Hancko, rendido por Marc Pubill. Os colchoneros foram conquistando algum equilíbrio à medida que o relógio foi avançando e, numa altura em que os catalães até pareciam estar com vontade de voltar a assentar arraiais no meio-campo contrário, o universo trouxe um minuto de pesadelo para a equipa de Hansi Flick.

Pau Cubarsí travou Giuliano Simeone quando já não existia mais ninguém até Joan García, o árbitro começou por dar cartão amarelo, mas foi chamado ao VAR para alterar a decisão e expulsar o central com cartão vermelho direto. Na conversão do livre, Julián Álvarez agradeceu um ligeiro desvio da barreira e surpreendeu o guarda-redes, inaugurando o marcador (45′). Ao intervalo, o Atl. Madrid estava a vencer o Barcelona em Camp Nou.

Hansi Flick mexeu logo no início da segunda parte e lançou Fermín López e Gavi, abdicando de Pedri e Lewandowski. A lógica mantinha-se e era o Barcelona a ditar os tempos e as dinâmicas do jogo, com Rashford e Fermín López a falharem ambos o alvo no espaço de poucos minutos e o Atl. Madrid a preparar-se para a gestão e a parcimónia — apesar de estar em superioridade numérica.

Simeone lançou Sorloth e Koke à passagem da hora de jogo e a partida foi ficando cada vez mais quezilenta, com muitas interrupções e pequenas faltas que não permitiam que as equipas fluíssem e desenvolvessem as suas ideias. A pouco mais de 20 minutos do fim, porém, a eficácia dos colchoneros voltou a aparecer: jogada muito rápida, cruzamento de Matteo Ruggeri na esquerda e Sorloth, na área e de primeira, desviou para aumentar a vantagem (70′).

Hansi Flick fez mais duas substituições, colocando Ronald Araújo e Ferran Torres, e os catalães mantiveram a insistência e o quase inglório ascendente no jogo, com João Cancelo a acertar no poste (78′) e Lamine Yamal a obrigar Juan Musso a uma defesa com um remate já na área (79′). Simeone esgotou as alterações com Thiago Almada e Nico González, Yamal levou a equipa às costas e liderou o forcing final praticamente sozinho, mas já nada mudou.

No fim, o Atl. Madrid venceu o Barcelona em Camp Nou e resgatou uma importante vantagem nos quartos de final da Liga dos Campeões, já que na próxima semana recebe os catalães no Metropolitano — e tudo graças a uma enorme eficácia dos colchoneros que contrariou o espírito de nunca desistir da equipa de Hansi Flick.