A peça de teatro “Retroceder” e a performance “Duas Ratas” são duas das cinco estreias absolutas da programação da 24.ª edição do Festival Temps d’Images que decorrerá entre maio e outubro, em Lisboa, anunciou esta quinta-feira a organização.

Na programação deste encontro entre artes performativas, cinema e vídeo que cruza memória, intimidade e imagem, estão 14 obras divididas entre dois momentos, de 21 de maio a 7 de junho e de 8 a 31 de outubro, ocupando casas privadas, teatros, galerias, o Planetário de Marinha e o Cinema Ideal.

A abrir o programa, a 21 de maio, a performance “Quando os Anjos Falam de Amor”, de Henrique Furtado Vieira, Catarina Vieira, Leonor Mendes e Sérgio Diogo Matias, decorrerá em casas privadas, com inscrições prévias, propondo uma experiência performativa para pequenos grupos, centrada na escuta e na partilha de memórias íntimas, segundo a programação divulgada pela DuplaCena/Horta Seca.

Entre as estreias absolutas será apresentada a peça de teatro “Retroceder”, do coletivo Urso Pardo, a 30 e 31 de maio, no Centro de Artes de Lisboa (CAL), que reflete sobre o próprio trajeto do grupo e sobre a construção de uma ideia de teatro para explorar novas possibilidades de caminho futuro.

Antes, na primeira semana do certame, Rafa Jacinto e Carolina Cunha e Costa estreiam a performance “Duas Ratas” na Rua das Gaivotas 6, uma obra inspirada em fragmentos de diários, memórias e registos em vídeo que evoca a arte japonesa do ‘kintsugi’ para “reparar noções de casa e identidade e questionar papéis de género e restrições impostas às mulheres”.

Ainda na Rua das Gaivotas 6, Bibi Dória apresentará o solo “Cão de sete patas”, inspirado no filme “Copacabana Mon Amour”, cruzando ficção e documental, e o coletivo Retorno Contínuo apresenta “Ao longe, o fim do mundo” no Teatro Ibérico, para questionar os limites da ciência e das crenças contemporâneas.

Também em diálogo com o passado, Tiago Cadete apresentará, no mesmo teatro, “Souvenir”, obra em que investiga a história da migração da sua família paterna para França, na segunda metade do século passado.

“Como estará o passado no futuro?” é a pergunta que faz “Pele Nómada”, um road movie realizado pelo coreógrafo João Fiadeiro e Aline Belfort, acompanhando o percurso do criador pelos espaços que a sua companhia de dança REAL ocupou, registando rituais de despedida e reencontro a caminho do arquivo do seu espólio depositado em Serralves.

O filme será reposto em Lisboa em sessão única a 25 de maio, no Cinema Ideal, segundo a programação do Temps d’Images.

No Planetário de Marinha, depois de ter estreado no Porto, Alex Cassal apresenta “Hotel Paradoxo”, uma criação que cruza teatro, cinema e astrofísica, conduzindo o público numa viagem temporal guiada pelo ator Marco Mendonça, contracenando com projeções astronómicas de estrelas e galáxias.

Em outubro, regressam os Estaleiros — uma secção do certame multidisciplinar que promove encontros criativos entre artistas de diferentes linguagens — nesta edição com a atriz Andreia Farinha e a realizadora Leonor Teles na Duplacena77, a 8 e 9 de outubro, e a performer Joana Manuel e o realizador João Nicolau a 14 e 15 de outubro, no espaço cultural Appleton.

A encerrar o Temps d’Images, a 30 e 31 de outubro, estreia-se na sala Valentim de Barros — Jardins do Bombarda a instalação “Through the chiral veil” de Filipe Baptista e Sara Abrantes que cria “paisagens sinestésicas, onde quatro visitantes por sessão podem estabelecer uma relação íntima com um lugar sonhado, num diálogo entre o universo virtual e a matéria física do espaço“.

Festival multidisciplinar com mais de duas décadas de atividade, o Temps d’Images é uma produção da DuplaCena/Horta Seca financiado pela Direção-Geral das Artes e pela Câmara Municipal de Lisboa.

De acordo com a organização, desde que o certame surgiu, em 2003, apresentou mais de 400 peças, muitas delas inéditas, de autores portugueses e estrangeiros, em diversos formatos e géneros artísticos, incluindo dança, fotografia e música.