Os estragos provocados pelo comboio de tempestades que atingiu o litoral de Portugal no início deste ano deverão custar cerca de 84 milhões de euros, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que identificou 147 zonas afetadas e contabilizou 570 ocorrências ao longo de toda a costa. Entre os principais danos estão a destruição de arribas, passadiços e apoios de praia.
De acordo com a agência, citada pelo Diário de Notícias, “o processo de recuperação morfológica das praias será lento e gradual“. As intervenções decorrem sob pressão e estão condicionadas pelas condições marítimas típicas do inverno e pelo financiamento. Algumas operações, como a reposição de areia, só avançam entre maio e junho, o que significa que nem todas as praias estarão totalmente recuperadas a 1 de junho, data em que a época balnear tem oficialmente início. Além disso, dos 84 milhões de euros estimados, apenas 15 milhões serão aplicados em obras urgentes a concluir até ao final de maio, enquanto outros 12 milhões têm execução prevista até ao final do ano.
Os impactos mais visíveis incluem o recuo do areal e danos em estruturas de apoio e passadiços, com destaque para o litoral alentejano, onde 28 praias foram afetadas, sobretudo no concelho de Odemira. Ainda assim, a APA considera que a destruição das arribas representa o problema mais grave, devido aos riscos associados à segurança.
Das intervenções urgentes, concluídas até ao final de maio, estão as praias situadas em Caminha, Esposende e Espinho. A praia de Ourigo (Porto) também será alvo de atenção mais imediata, assim como as praias da Maceda, do Furadouro, em Ovar, do Teimoso, na Figueira da Foz, e da Vagueira, em Vagos. A APA destaca também a intervenção nas praias dos concelhos de Alcobaça, Mafra, Sintra, Cascais, Lourinhã, Peniche, Torres Vedras e Caldas da Rainha. Já no Alentejo, a Praia do Malhão, em Odemira, e a Praia dos Galapos, em Setúbal, também poderão ter as obras concluídas antes de junho. No Algarve, irão realizar-se trabalhos em quase todos os concelhos.
Os prejuízos têm ainda reflexos diretos na economia, nomeadamente nas atividades de restauração e lazer que dependem das praias. O instituto alerta que o turismo, um setor-chave para o país e determinante em muitos concelhos costeiros, poderá ser afetado.