A primeira livraria sem livros foi inaugurada pela Audible, referência do comércio de audiobooks e sucursal da Amazon, na passada sexta-feira nos Estados Unidos da América (EUA).
Quem passear por Nova Iorque, entre o frémito dos carros e rostos anónimos, na 260 Bowery, no sul de Manhattan, será surpreendido por uma grande abertura quadrada feita de vidro alaranjado, recortada pela solidez do betão do edifício, com o nome Audible Story House. No website oficial, lê-se que se trata de um “centro comunitário e sala de audição onde a narrativa sonora ganha vida e a imaginação não tem limites.”
Esta foi uma ideia um pouco “louca” e que exigiu “bastante imaginação”, explicou o CEO da Audible, Bob Carrigan, durante uma apresentação do projeto, citado pela France24. Visto de fora, o espaço parece amplo, mas também estranhamente convidativo e lúdico.
Avançando pelo primeiro andar, podemos escolher cartuchos com a narração de cerca de 300 obras, em prateleiras separadas por géneros, como numa livraria normal, diz um comunicado da Audible. É possível encontrar uma intimidade semelhante à de folhear as páginas de um livro, escolhendo headphones à disposição num corredor para o efeito. Mas há uma outra forma de apreciar a leitura escutada.
Segundo o CEO, procurou trazer-se esta experiência num mesmo lugar em que cada pessoa se encontre com outras “que se interessam por grandes narrativas”. Assim, além do encontro entre os que vão passeando pela loja, há também cabines partilhadas para ouvir audiobooks. Contudo, só se pode ouvir obras completas mediante a utilização da aplicação móvel da Audible, onde tanto se podem comprar obras como aceder a outras de acesso gratuito.
Abaixo do piso térreo, há uma sala escura, um lounge com colunas de tipo Dolby Atmos, com som de alta fidelidade. Depois de se tirarem os sapatos, é possível ouvir excertos de narrações imersivas de que se pode desfrutar ao máximo, num confortável chão almofadado. Aqui é possível escutar trechos de 15 minutos de leituras premiadas, por vezes com vozes e efeitos sonoros a reunirem-se num mesmo conjunto harmonioso.
No segundo andar, junto a um bar com bebidas locais, está um segundo balcão: o listening bar. Aqui, o apoio de funcionários reais — os story tenders — dão sugestões segundo os “gostos e interesses” pessoais de cada um, “possibilitando a curadoria e a descoberta conduzidas por humanos”, explica a Audible.
Durante o seu primeiro mês, a Story House deverá também contar com vários eventos que procuram o “engajamento do público”, diz a empresa responsável, em particular mesas-redondas e encontros com autores e narradores.
No fundo, o coração da iniciativa reside em explorar “a nostalgia e o sentido de comunidade da cultura dos livros, trazendo-os completamente para o presente,” acrescenta a empresa.
O estabelecimento está aberto de quarta-feira a sexta-feira, das 11h00 até às 19h00.
Texto editado por Dulce Neto