Depois do êxito de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, na edição passada, o cinema brasileiro segue em alta nos Platino, que elegem o melhor cinema ibero-americano do ano. O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, triunfou em toda a linha na 13.ª edição do evento, vencendo nas categorias de Melhor Filme, Realização, Argumento e Actor, além de três prémios técnicos. Wagner Moura venceu ainda o Prémio do Público atribuído a uma personalidade pela sua interpretação na mesma obra.

“O Agente Secreto” não é um filme sobre a memória. “Talvez seja sobre a amnésia”, diz o realizador Kleber Mendonça Filho

“Em um momento de mentiras, o mundo do cinema é um instrumento poderoso com histórias cheias de poesia e de aventura, histórias fantásticas com a verdade do drama humano”, disse Kleber Mendonça Filho antes de dedicar a vitória a Emilie Lesclaux, “companheira de vida e produtora, primeira leitora de meus roteiros”, assim como a Wagner Moura, “um grande amigo, grande colaborador e grande actor”, e a toda a equipa que tornou possível “esta grande aventura.”

A língua portuguesa, minoritária na iniciativa, tem tido menor relevo desde a criação destes prémios. Recorde-se que os Platino, organizados em Madrid pela EGEDA (Entidade de Gestão de Direitos dos Produtores Audiovisuais) e pela FIPCA (Federação Ibero-Americana de Produtores Cinematográficos e Audiovisuais), celebram as cinematografias de 23 países, juntando a Península Ibérica a toda a América Latina. Contudo, este foi o segundo ano consecutivo em que a língua portuguesa se impôs ao domínio castelhano. A cerimónia decorreu este sábado, no Teatro Gran Tlachco do Parque Xcaret, Riviera Maya, no México.

Na categoria de interpretação feminina venceu a jovem Blanca Soroa pelo seu óptimo desempenho em Os Domingos, novo filme de Alauda Ruiz de Azúa.

Em “Os Domingos”, Ainara decide ser freira: “Sobre Deus, o meu filme não confirma nem desmente”, diz Alauda Ruiz de Azúa

O país vizinho apostava todas as fichas no vencedor de San Sebastián e dos Goya. Os Domingos traz a  história de Ainara, uma rapariga de 17 anos que decide querer tornar-se freira de clausura nos dias que correm. La Cena, do também espanhol Manuel Gómez Pereira, foi eleito a Melhor Comédia e Surda, de Eva Libertad, a Melhor Primeira Obra.

O que “Surda” não ouve, deixa ver

A série argentina O Eternauta, criada por Bruno Stagnaro, saiu vitoriosa na categoria de Melhor Mini-Série ou Tele-Série Cinematográfica, conquistando também os prémios de Melhor Criador e Melhor Interpretação Masculina.

Portugal esteve representado pelas nomeações de Manas, de Marianna Brennand Fortes, uma co-produção Brasil/Portugal indicada para três categorias. Os multipremiados Tardes de Solidão, de Albert Serra (documentário) e Decorado, de Alberto Vázquez (animação), co-produções entre Espanha e Portugal, estavam também nomeados assim como Nuno Esteves e Teresa Dias, finalistas da categoria de Melhor Maquilhagem e Cabelos em As Meninas Exemplares, de João Botelho.

Nos documentários, venceu Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa (Brasil), e a Melhor Animação foi Olivia & las Nubes, escrito e realizado por Tomás Pichardo-Espaillat (República Dominicana).

O autor escreve segundo a antiga ortografia.