A história do Jornal do Fundão, que dá voz à região do interior e foi símbolo de resistência no Estado Novo, é recordada num documentário do realizador Manuel Mozos a estrear-se ainda este ano.

A Voz de Todos — Jornal do Fundão, apresentado nos Encontros do Cinema Português, em Lisboa, é uma produção da The Stone and The Plot e resulta de um trabalho de pesquisa nos arquivos deste jornal, fundado há 80 anos no distrito de Castelo Branco.

Na apresentação do projeto, o produtor Daniel Pereira disse que o filme está em pós-produção e deverá ter estreia ainda este ano no circuito alternativo de cineclubes e auditórios municipais, “com foco claro na Beira Alta e Beira Baixa”, com sessões acompanhadas de conversas sobre jornalismo.

A intenção de o ter disponível ainda este ano é para se associar igualmente aos 80 anos da fundação do semanário, embora não tenha sido esse o mote para a produção do filme.

“É para quem quiser matar saudades de um jornalismo empenhado e de uma língua portuguesa que já não se pratica assim tanto”, disse o produtor Daniel Pereira, da The Stone and The Plot.

Este é um filme de arquivo, de prática documental à semelhança de obras anteriores de Manuel Mozos, construindo uma narrativa visual a partir de notícias, reportagens, entrevistas e enquadrada com imagens de atualidade da região do Fundão.

“Julgo que se fica com uma noção do que é e foi o jornal, a sua história, o seu empenho com a região, o combate ao regime e à censura, a ligação aos intelectuais, a criação de suplementos, etc”, explicou Manuel Mozos à agência Lusa.

O Jornal do Fundão foi fundado em 1946 por António Paulouro e tornou-se num símbolo e resistência durante o Estado Novo, atraindo o interesse de vários intelectuais, como José Saramago, José Cardoso Pires e Mário Cesariny, que escreveram para este semanário.

Atualmente, o jornal é detido pela Jornal do Fundão Editora, com a sociedade Vereda das Letras, Maria Augusta Morão e Joana Morão a deterem mais de 10% da empresa.