O Dragão Arena vestia-se de gala para um duelo de “tudo ou nada” que podia sentenciar as meias-finais do Campeonato Nacional de hóquei em patins. O Sporting entrava no reduto azul e branco com uma vantagem confortável de 2-0 na eliminatória, estando a apenas um triunfo de garantir o lugar na final. Para o FC Porto, atual campeão europeu, a margem de erro tinha-se esgotado: apenas a vitória interessava para forçar o quarto jogo e manter viva a esperança de revalidar o título, contando com um pavilhão de lotação esgotada para empurrar a equipa. O peso da pressão terá ajudado o Sporting a gerir este jogo e a levar de vencido o FC Porto por 1-4, no Dragão Arena, na noite desta quarta-feira.
A equipa comandada por Edo Bosch chegava ao Porto num momento de clara ascensão, depois de ter vencido 12 dos últimos 15 clássicos disputados. Após a goleada por 7-3 no primeiro jogo no Dragão e a vitória sólida por 2-0 no Pavilhão João Rocha, os leões demonstravam uma eficácia defensiva assinalável, personificada nas exibições de Xano Edo, que tinha mantido a baliza a zeros no encontro anterior. O Sporting procurava agora repetir a proeza de vencer consecutivamente em casa de um rival que vinha sentindo dificuldades em bater a organização defensiva leonina.
Do lado azul e branco, o mote era a união entre equipa e adeptos para conquistar “uma vida extra na eliminatória”. Paulo Freitas voltava a contar com Hélder Nunes, que tinha regressado no jogo 2 após ausência por lesão, sendo uma peça fundamental para tentar quebrar o jejum de golos que já durava há 74 minutos. O guardião Xavi Malián tinha reforçado a confiança do grupo, garantindo que os dragões iriam “deixar tudo dentro de campo” para contrariar o favoritismo recente do adversário e fazer valer o fator casa.
Os detalhes prometiam ser, uma vez mais, decisivos, com o aproveitamento das situações de superioridade numérica a assumir um papel central, tal como se tinha visto no triunfo expressivo do Sporting no jogo inaugural. Com as duas equipas a conhecerem-se profundamente e em contacto há uma hora e quarenta minutos de jogo seguidos, esperava-se um jogo com muita intensidade, mas muito rigor, onde a “cabeça e o coração” teriam de estar em perfeito equilíbrio para decidir quem sairia vencedor da partida.
Carlos Correia dava início a um jogo em que o FC Porto conseguiu maior domínio desde logo. Mais bola, mas pouca consequência azul e branca nos quatro minutos iniciais de partida. O coração estava do lado dos dragões, mas a cabeça estaria com os verde e brancos, que foram mais felizes e eficazes à frente da baliza. Nolito anunciava ao Dragão que o Sporting não ia dormir na sombra da vantagem. Por isso, na cara de Xavi Malián, adiantou os leões ainda com 20 minutos por jogar no primeiro tempo. O guarda-redes azul e branco, logo na jogada seguinte, manteve os dragões na discussão do jogo, evitando o segundo golo em pouco mais de um minuto de jogo.
Essa defesa de Malián ganhou eco quando Benedetto conseguiu aos 7m empatar tudo e reacender um Dragão Arena que desconfiou ver o jogo sorrir antecipadamente ao adversário. Esse golo de Carlo Di Benedetto parecia reacender o FC Porto que, nos patins de Pol Manrubia, mais pela direita do que pela esquerda, tentava assaltar a vantagem pela primeira vez na partida. Ezequiel Mena foi o primeiro a dar o aviso. Depois, Telmo Pinto. Xano Edo negou os dois.
Para não ficar atrás do seu colega de posição, Malián fazia o mesmo do outro lado do campo: negava o golo. Tinha sido Nolito, o número 99 dos leões, a tentar devolver a vantagem aos visitantes. Era assim que ficavam definidos os primeiros 15 minutos de jogo na Invicta: um FC Porto mais objetivo, um Sporting mais cirúrgico e a saber jogar com a vantagem no playoff. O resultado de tudo isto era um nulo, que ainda antes do intervalo ameaçou ser desfeito, não fossem, uma vez mais, as ações de Xano Edo e de Malián, que iam dando espetáculo entre os postes e eram as grandes figuras do Sporting e FC Porto, respetivamente.
O estatuto dos guardiões na primeira parte não parecia ser beliscado mesmo com o regresso dos leões à vantagem ainda antes do fim do primeiro tempo. Talvez Nolito, o marcador de mais um golo, a 3m45 do intervalo, estivesse a reivindicar o estatuto de figura do jogo, a pouco e pouco. Já tinha marcado e voltava a marcar. Não marcou mais devido às intervenções de Malián, mas aquela stickada sem grandes rodeios, com muito pragmatismo e força, levava o Sporting para o intervalo numa almofada de muitas vantagens: a vantagem ao intervalo do jogo 3, em cima de uma outra em jogos (2-0). Não era um 2,5-0, mas funcionava como tal. O Sporting chegava a meio do jogo a ganhar e com patim e meio na final do Campeonato.
Se o jogo era de “tudo ou nada” para os dragões, era ainda mais numa segunda parte em desvantagem frente aos verde e brancos. O coração do FC Porto não parecia, no entanto, nivelar-se com a cabeça dos leões, à entrada da segunda metade do jogo. Foi com muita calma que Rafael Bessa construiu o terceiro golo do Sporting, servindo Alessandro Verona, para mais um tento que manifestava a vontade de os leões carimbarem a passagem à final de hóquei, com cerca de 23 minutos por jogar na partida. Essa vontade ainda foi reforçada por Edo, que defendeu duas grandes penalidades de Gonçalo Alves. Depois foi Nolito que viu Malián negar-lhe um golo de grande penalidade, numa altura em que os dragões não conseguiam transformar o powerplay em redução da desvantagem ou, num cenário melhor para os dragões, em empate.
Com 20m30 por jogar, o coração e a cabeça dos dragões pareciam em lugares distantes. Num banco, Paulo Freitas, que tinha pedido tempo, estava visivelmente irritado com a exibição dos dragões. Enervado, pedia calma aos seus atletas. No outro, Edo Bosch, treinador dos leões, parecia sereno perante um grupo aparentemente calmo. Era pelo menos isso que se via em campo.
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O timeout pedido por Paulo Freitas parecia ter trazido cabeça e coração azuis e brancos para o mesmo lugar. Cerca de quatro minutos depois da pausa, o FC Porto ganhava uma grande penalidade. À terceira… não era de vez. Xano Edo negava, uma vez mais, um golo aos dragões da marca do castigo máximo. O FC Porto tentava colocar o coração na cabeça, mas Edo tratava de garantir o sentido contrário, com mais uma intervenção providencial para os visitantes, que iam muito menos vezes à baliza adversária do que os anfitriões.
Não era, afinal, preciso lá ir muitas vezes para marcar golos. Que o diga Facundo Bridge, que apontou o quarto dos leões, com pouco mais de 13 minutos para acabar o jogo. A vontade dos dragões continuava a esbarrar no pragmatismo do Sporting, que já vencia por 4-1. Com muito espaço na retaguarda, via o visitante ameaçar o quinto golo cada vez que os leões se aproximavam de Malián, o mais ativo dos homens da casa.
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Foram precisos apenas três jogos para encontrar o primeiro finalista do Campeonato de Hóquei. Não houve grandes contemplações dos verde e brancos para carimbarem a passagem à final: uma goleada por 7-3, uma vitória por 2-0 e agora outra, a gerir as duas anteriores. Agora resta ao Sporting descobrir qual é o seu adversário na final — se o Benfica, em vantagem por 2-0 em jogos, se o Óquei de Barcelos.